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Resenha - Na Estrada com os Ramones - Monte A. Melnick

Por
Postado em 27 de março de 2015

Nem todos sabem que um dos pilares mais consistentes do sucesso mundial dos Ramones vem do trabalho, da dedicação e da competência de Monte A. Melnick que atuou com o grupo por todo o tempo em que ele esteve em atividade, gerenciou turnês, refinou produção de apresentações, profissionalizou o sistema que manteve a banda funcionando, dirigiu vans, controlou a loucura dos membros e muito mais. No livro "Na Estrada com os Ramones", escrito em parceria com Frank Meyer, Monte faz uma junção de relatos diversos que apenas confirmam sua importância para este sucesso, com bom humor, sinceridade e algumas surpresas.

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Dentre as surpresas, há o registro de todos os 2263 shows, cartazes, credenciais, contratos, mapa de palco, check lists e muitas, mas muitas fotos raras. Certamente que o close no rosto de Joey sem óculos chama atenção de qualquer leitor. Outros destaques vão pra fotos de bastidores, de aniversários, de bebedeiras e todas as formações, incluindo uma com o baterista Clem Burke, que adotou o pseudônimo de Elvis Ramone e só tocou em três shows com a banda.

As constantes brincadeiras e trotes chegam até a preocupar Melnick que tem a eterna missão de manter todos "na linha", seja lembrando Joey do horário de seus remédios diários, controlando os excessos de drogas de Dee Dee ou impedindo que os demais façam Marky comer insetos, ele estava sempre tomando conta de tudo e de todos. As vezes chega a ser impressionante a paciência de Monte que manteve-se serena frente a tantas loucuras existentes no decorrer de anos. Não é fácil conviver com pessoas problemáticas e com egos divergentes por mais de duas décadas. Realmente ele foi um profissional, quase que budista, por este feito que pode ser considerado como conquista.

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Nos depoimentos, além dos membros, há de contratados da equipe técnica, namoradas, médicos, amigos, jornalistas, produtores, familiares e músicos diversos como Joan Jett, Dick Manitoba, David Lee Roth, Sylvain Sylvain e outros mais.

Indicado não só para fãs dos Ramones e apreciadores de rock em geral, mas "Na Estrada com os Ramones" é ótimo para quem tem interesse em saber como exatamente um manager deve atuar frente a uma banda em ascensão, mesmo se esta possuir membros disfuncionais e junkies.

Tradução de Alexandre Saldanha; Editora Edições Ideal; São Bernardo do Campo; 2013; 264 páginas.

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Sobre Mário Orestes Silva

Deuses voavam pela Terra numa nave. Tiveram a idéia de aproveitar um coito humano e gerar uma vida experimental. Enquanto olhavam, invisíveis ao coito, divagavam: - Vamos dar-lhe senso crítico apurado pra detratar toda sua espécie. Também daremos dons artísticos. Terá sex appeal e humor sarcástico. Ficará interessante. Não pode ser perfeito. O último assim, tivemos de levar à inquisição. Será maníaco depressivo e solitário. Daremos alguns vícios que perderá com a idade pra não ter de morrer por eles. Perderá seu tempo com trabalho voluntário e consumindo arte. Voltaremos numas décadas pra ver como estará. Assim foi gerado Mário Orestes. Décadas depois, olharam como estava aquela espécie experimental: - O que há de errado? Porque ele ficou assim? Criamos um monstro! É anti social. Acumula material obsoleto que chamam de música analógica. Renega o título de artista pelo egocentrismo em seus semelhantes. Matamos? - Não. Ele já tentou isso sem sucesso. O Deixaremos assim mesmo. Na loucura que criamos pra vermos no que dará, se não matarem ele. Já tentaram isso, também sem sucesso. Então ficará nesse carma mesmo. Em algumas décadas, voltaremos a olhar o resultado. Que se dane.
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