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Resenha - Dee Dee Ramone - Coração envenenado

Por
Postado em 19 de junho de 2014

A publicação deste livro no Brasil, pela editora Barracuda em 2002, mostra o quão atrasado é o interesse de empresários para investimentos em lançamentos, pois "Coração Envenenado – Minha Vida com os Ramones", que foi lançado originalmente na Inglaterra, exatamente no ano de 1997, com o título de "Poison Heart – Surviving the Ramones". Independente do atraso, o livro é um deleite para leitores que curtem, não só um bom rock e suas consequências divertidas, mas também uma narrativa na primeira pessoa direta, clara e forte, assim como as músicas desse ícone que influenciou muitos dos grandes nomes.

Ramones - Mais Novidades

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Existe uma certa cronologia no andamento do texto, escrito com a ajuda da ghost writer Veronica Kofman, que começa mostrando a infância na Alemanha e pré adolescência conturbada com o pai problemático e as mazelas perpétuas de uma típica família de classe baixa. Desse complexo familiar vem o domínio das ruas com o abuso de drogas, as brigas, a vivência marginal, as tendências subversivas e a música underground. O interessante é que todo esse conteúdo pesado é descrito com humor hilário, levando o leitor a uma cumplicidade cômica a cada parágrafo.

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No ímpeto da juventude começa a amizade com seus companheiros, que reescreveriam a história do rock com uma banda de estilo peculiar chamada the Ramones. Os primeiros shows, as primeiras turnês e as primeiras brigas. Atenção carinhosa para a passagem de uma noitada com o primeiro carro (um fusquinha) comprado com os primeiros lucros da banda.

Também é explícito o perfil ditatorial do guitarrista Jhonny, que tomava a frente na imposição de postura no marketing, na tomada de decisão e até do visual agregado. Os pontos nos bastidores de gravações e ensaios com os porres do baterista Marky (que chegou a ser expulso do grupo pela bebedeira e retornou alguns anos, depois de superado o alcoolismo), também são de uma graça exagerada.

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De toda essa rotina criada com tédio, discussões e ressacas, surgem as justificativas plausíveis de Douglas Colvin (o próprio Dee Dee), para sua saída da banda no auge do sucesso e do reconhecimento mundial.

Livro característico para leitura em apenas um dia, "Coração Envenenado – Minha Vida com os Ramones" é um registro histórico e único que esclarece obscuridades e traz um pouco de sinceridade e alegria nas praxes decadências que toda grande banda tem. Cabe a nós esperar que a prometida biografia de Marky e a póstuma de Jhonny não demorem tanto tempo, quanto esta de Dee Dee, pra serem lançadas aqui no Brasil.

Editora Barracuda; São Paulo, 2004; brochura de 192 páginas; prefácio de André Barcinski; tradução de Paulo Salles.

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Sobre Mário Orestes Silva

Deuses voavam pela Terra numa nave. Tiveram a idéia de aproveitar um coito humano e gerar uma vida experimental. Enquanto olhavam, invisíveis ao coito, divagavam: - Vamos dar-lhe senso crítico apurado pra detratar toda sua espécie. Também daremos dons artísticos. Terá sex appeal e humor sarcástico. Ficará interessante. Não pode ser perfeito. O último assim, tivemos de levar à inquisição. Será maníaco depressivo e solitário. Daremos alguns vícios que perderá com a idade pra não ter de morrer por eles. Perderá seu tempo com trabalho voluntário e consumindo arte. Voltaremos numas décadas pra ver como estará. Assim foi gerado Mário Orestes. Décadas depois, olharam como estava aquela espécie experimental: - O que há de errado? Porque ele ficou assim? Criamos um monstro! É anti social. Acumula material obsoleto que chamam de música analógica. Renega o título de artista pelo egocentrismo em seus semelhantes. Matamos? - Não. Ele já tentou isso sem sucesso. O Deixaremos assim mesmo. Na loucura que criamos pra vermos no que dará, se não matarem ele. Já tentaram isso, também sem sucesso. Então ficará nesse carma mesmo. Em algumas décadas, voltaremos a olhar o resultado. Que se dane.
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