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Paradise Lost: "Nunca fomos inspirados pelo The Cure"

Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Fonte: Metal Militia
Em 05/11/16

O quinteto britânico PARADISE LOST foi uma das bandas convidadas para o Epic Metal Fest, festival da banda holandesa EPICA, que aconteceu no último dia 15 de outubro em São Paulo. Recebemos as respostas para nossa entrevista com o PARADISE LOST um tanto tarde demais, a banda já veio, já tocou e já voltou, mas, ainda há partes suficientemente interessantes sobre o que esperar e o que não esperar (sim, usamos um jogo de palavras) dos shows no Brasil e até do futuro da humanidade. Sobre porque continuam com quase a mesma formação até hoje, eles foram categóricos: "nenhum de nós sabe fazer nada além disso". E sobre se Holmes e Mackintosh são os Lennon e McCartney do Gothic Metal, disparam: na verdade um de nós está morto também. Eles também negaram qualquer influência de THE CURE nos anos "Host" e avisa: "já estamos trabalhando em material novo". Confira a entrevista na íntegra logo abaixo.

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Daniel Tavares: Eu vou começar nossa entrevista com o nome da primeira faixa ("No Hope In Sight") do seu álbum mais recente. Realmente não há mais esperança em vista para o mundo hoje, com tantas guerras, terrorismo, etc?

Nick Holmes: Provavelmente não. Nós (humanos) superestimamos nossa importância no planeta. A Terra não precisa de nenhum de nós e vai continuar sobrevivendo por muito tempo depois que nós todos tenhamos matado um ao outro. Eu acho que nós somos uma espécie de merda realmente.

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Daniel Tavares: Mas, o que os fãs brasileiros podem esperar, quero dizer, que expectativas eles podem ter pelo menos em relação aos seus shows aqui (Epic Metal Fest em São Paulo, além de Limeira, Manaus, Rio e Belo Horizonte)?

Nick Holmes: Muito do novo material e uma quantidade decente do velho. Será uma boa seção cruzada de canções. No Epic Metal Fest será um set menor, mas haverá um set de headliner completo nos outros shows. [João Paulo Prado, colaborador da Metal Militia, comentou que "mandaram muito bem, passando por diversas fases da banda, até quando eles eram uma banda de Death Metal pesada". Link para a resenha completa do festival no final deste texto].

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Daniel Tavares: O que você acha de uma banda ter o seu próprio festival, como o EPICA está fazendo no mês que vem?

Nick Holmes: É uma boa ideia. Se isto dá promoção a sua própria banda enquanto promove outras bandas que os fãs querem vir e ver, então é tudo muito bom.

Daniel Tavares: E o que vocês esperam do Brasil, dos fãs brasileiros, etc.

Nick Holmes: Eu apenas espero que todo mundo aproveite os shows. Nós teremos muitas madrugadas e voos, então não poderemos ver muito o Brasil além do que veremos da janelinha dos aviões infelizmente. Mas será ótimo visitar as cidades onde nunca tocamos antes.

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Daniel Tavares: Como você tem visto a recepção ao "The Plague Within"? Há algum plano para um novo álbum? Vocês estão trabalhando em seu sucessor?

Nick Holmes: A recepção tem sido realmente ótima. Nós chegamos ao final do ciclo de turnês deste álbum, então, sim, nós estamos trabalhando agora em material novo.

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Daniel Tavares: Vocês se apresentaram ao lado de uma orquestra em Plovdiv, na Bulgária. É muito mais difícil tocar com uma orquerstra, comparado a tocar só com os outros membros da banda?

Nick Holmes: Bem, eles tocaram junto com a banda e eles estavam por trás da gente, então, pra gente foi similar a um concerto regular, mas, obviamente diferente para o público. Foi uma experiência bacana e, certamente, diferente.

Daniel Tavares: Exceto pelo posto de baterista, vocês tem uma formação estável desde que começaram a banda. Entre tantas outras bandas que tocam hoje com um único (ou até mesmo nenhum) membro original de suas formações mais clássicas, qual é o segredo da longevidade da formação de vocês?

Nick Holmes: Nós temos um senso de humor parecido e, o mais importante de tudo, nenhum de nós sabe fazer qualquer outra coisa.

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Daniel Tavares: E como o Waltteri Väyrynen [novo baterista] está indo?

Nick Holmes: Ele é ótimo. Ele está neste momento na praia perto de São Paulo, tentando conseguir um bronzeado antes do show de amanhã, mas, talvez, seja a época errada do ano.

Daniel Tavares: Ainda em sua parceria, Holmes e Mackintosh [Nick Holmes e Gregor Mackintosh] são alguma espécie de Lennon/McCartney do Gothic Metal?

Nick Holmes: Hahaha. Um de nós está morto também na verdade.

Daniel Tavares: Algumas vezes é possível identificar um pouco de THE CURE na sua música, algo do álbum "Disintegration", não apenas especialmente nos anos do "Host" [período em que o PARADISE LOST deu uma guinada no seu som, aparentemente aproximando-se da sonoridade citada]. Eu estou certo ou completamente errado? De qualquer forma, que álbuns de outras bandas você acha que foram os mais influentes na sua carreira e estilo?

Nick Holmes: THE CURE não teve realmente nenhuma influencia. Muitas bandas do tipo gótico dos anos 80 tinham um som similar entretanto, particularmente no som das guitarras. Nossas maiores influências são as bandas que nos fizeram começar, provavelmente CANDLEMASS, DEATH, DEAD CAN DANCE, etc. Nós ainda gostamos de bandas novas, mas eu acho que elas são mais inspiradoras que influentes.

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Daniel Tavares: Esta é uma questão que eu sempre pergunto para todos os meus entrevistados. Existe algum artista brasileiro que você goste ou mesmo que tenha tido alguma influência no seu som?

Nick Holmes: Não exatamente uma influência, uma vez que eles provavelmente gostavam das mesmas bandas que nós gostávamos, mas nós amávamos as bandas do "old Brazilian Death Metal" durante o nosso tempo de troca-troca de fitas, como VULCANO, DORSAL ATLANTICA, HOLOCAUSTO, SARCOFAGO e outra banda que você deve ter ouvido falar chamada SEPULTURA.

Daniel Tavares: Nós estamos chegando ao final da nossa entrevista. Você gostaria de deixar uma mensagem para todos os seus fãs brasileiros, especialmente para aqueles que vão vê-los no palco no mês que vem?

Nick Holmes: Nós esperamos que vocês gostem dos shows. É sempre um prazer visitá-los e, tão logo, eu me sinta melhor da sensação de jet lag, vou dar uma saída para uma cerveja. Saúde!

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Confira também abaixo as resenhas do festival por João Paulo Prado, para a Metal Militia, e por Nelson de Souza Lima e Fernando Yokota.

http://metalmilitia.com.br/2015/epic-metal-fest-2016-audio-club-sao-paulo-15102016/

Resenha - Epic Metal Fest (Audio Club, São Paulo, 15/10/2016)

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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