Mastodon, Gojira and Kvelertak: os primeiros shows da turnê

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Por Hilton Dvorak, Fonte: Artist Direct, Tradução
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Três das maiores bandas de metal do século estão em turnê.

No dia 28 de Abril, Mastodon cairá na estrada junto com Gojira e Kvelertak. É um pareamento de proporções místicas e chama a atenção de headbangers de todo mundo. Por mais diferente que essas bandas sejam, é o constante comprometimento que os une, e o fato de arrasarem no palco. Será uma excursão que ficará na história. Isto também vem em um ano especial, pois Mastodon lançará seu novo álbum este ano e Gojira também tem uma nova música a caminho. Ainda assim, tudo começa com a turnê.

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Devido ao peso desta excursão, o editor chefe do ArtistDirect.com, Rick Florino, sentou em uma entrevista exclusiva com Bill Kelliher do Mastodon, Joe Duplantier do Gojira e Erlend Hjelvik do Kvelertak sobre a turnê, os primeiros shows, o que a música representa para cada um e muito mais.

Florino: "Como vai todo mundo?"

Joe Duplantier: "E aí Bill?"

Bill Kelliher: "Estou numa pizzaria com dezenas de crianças. Esta semana nevou aqui. Está uma loucura. A cidade está praticamente fechada. Aproveitei, e trouxe as crianças para andarem de trenó. A neve está derretendo e fomos comer pizza. Tem centenas de crianças aqui na frente dos vídeo-games. Faz muito barulho aqui. Como está tudo mundo?"

Joe Duplantier: "Estamos bem."

Florino: "O que vocês podem nos dizer sobre a turnê?"

Bill Kelliher: "Gojira e Kvelertak são duas bandas novas impressionantes. À medida que fico mais velho, nem tudo me impressiona. Mas ouvindo estes caras e os conhecendo, realmente nos tornamos muito amigos. Nós nos conhecemos ainda mais na turnê do Soundwave Festival".

Joe Duplantier: "Lá em 2012!"

Bill Kelliher: "Fizemos muitos shows juntos. Tempos atrás pensei – "Que combinação poderosa seria se fizéssemos uma turnê por todo os EUA. Seria, sem dúvida alguma, esgotamento total de bilheteria".- Três bandas estrondosas, bem diferentes uma das outras, cada uma a sua maneira. Somos também bandas conhecidas internacionalmente. Temos turnês na França, Noruega e EUA. Todos juntos de uma só vez. É algo único e esperamos muito por isso."

Erlend Hjelvik: "Concordo! O Festival Soundwave que fizemos foi realmente o meu favorito de todos os tempos. "

Joe Duplantier: "Concordo com eles! Vai ser do c...! [Risos]. Com certeza! Terá muitos momentos divertidos. Já sei disso. Nós já nos conhecemos. Há uma vibe muito boa rolando. Depois dos shows, vamos jogar poker, ping-pong ou vamos ficar na piscina. Vai ser demais!"

Bill Kelliher: "Como todos nós temos filhos, podemos contar histórias e experiências sobre trocas de fraldas, da escola e dos jogos de baseball."

Florino: "Qual foi o primeiro show de metal que participaram? Onde tudo começou pra vocês?"

Bill Kelliher: "Meu primeiro show que fui, foi no do Aerosmith, por volta de ’85. Para mim, aquilo era metal. Não exatamente como conhecemos hoje, mas era pesado para mim. O primeiro show de metal que fui foi o do Metallica, durante a turnê do "...And Justice For All". Foi legal. Sendo um adolescente e ver meus ídolos no palco – James Hetfield e Kirk Hammet –foi foda. Toco guitarra há alguns anos e, vi toda a produção gigantesca da "Lady Liberty". Tinham todo o tema rolando de ...And Justice For All, e foi o ápice do disco. Soou fantástico. Estava no colegial na época e me fez sentir como - "Estou perdendo meu tempo aqui. Deveria estar no palco fazendo o que eles estão fazendo." - Agora, vinte anos depois, está acontecendo."

Joe Duplantier: "Isso é foda demais!"

Erlend Hjelvik: "Foda ! Queria poder ter ido ao show!"

Joe Duplantier: "Eu também! Que inveja! Eu os vi pela primeira vez durante a turnê do Load ou do Re-Load. Tenho o vídeo da turnê ...And Justice For All . Creio que seja de ’88. Demais!"

Erlend Hjelvik: "Acho que o primeiro show de metal que fui foi do Satyricon, mas como venho de uma cidade pequena, nunca tinha nenhum show mesmo. Esta foi a primeira vez que viajei fora, quando tinha 17 anos. Estava muito ansioso. Lembro que fiquei muito bêbado, e fui expulso depois de duas músicas."

Bill Kelliher: [Risos] "Isso é foda!"

Erlend Hjelvik: "Pelo menos vi duas músicas".

Joe Duplantier: "Isso é demais! Lembro que o primeiro show de metal que fui, foi de uma banda de death metal de Bordeaux, França. Onde cresci, não havia nenhuma cena de metal. Todas as grandes turnês não passavam por aqueles cantos da França. Então, levei um tempo até ver uma banda profissional de metal. Lembro-me desta banda de Bordeaux. Eles eram da cena underground, e se chamavam "Disabled". Lembro-me de estar tipo – "Nossa, é isso que quero fazer!" – Era muito forte e obscuro. Eles eram uma banda típica de death metal, com cabelos longos e camisas do Cannibal Corpse. Havia dez pessoas no bar. Conversei com os caras, e eles viajaram por três horas da sua terra natal para o local do show. Receberam por volta de uns duzentos dólares, mas era um grande negócio para eles na época. De qualquer forma, esta carreira não era tão promissora na época, era isso ai mesmo!"

Florino: "Como abordam cada turnê? Como fazem tornar excitante?"

Bill Kelliher: "Temos que manter interessante. Os fãs gostam de ir aos shows e ter surpresas. Como ir ver o Slayer, você sabe que será um ótimo show. O Slayer arrebenta. Eles têm o visual típico deles. Fãs gostam dos pequenos detalhes – "o que será que eles vão fazer desta vez ?" – Normalmente, para um disco novo, você pensa – "Bem, vamos fazer algo interessante e novo aqui!" – Não somos a banda mais agitada que existe nos palcos. Não temos um frontman. Todos cantam um pouco. Tocamos certos trechos intrigados, então, não podemos nos distrair pulando no palco, sabe, como o David Lee Roth, por exemplo. Gosto quanto têm um bom pano de fundo atrás. Como quando fizemos com o "Crack the Skye", onde colocamos um vídeo enorme. Para nós, aquilo foi a melhor maneira de representar o álbum, contando uma estória. Claro que tudo isso depende da verba que você dispõe para a turnê. Você se pergunta – "tenho grana pra fazer isto?" – Algumas pessoas se esquecem de todos os detalhes que envolvem isso e que custam dinheiro, seja montando um grande telão, seja um show pirotécnico. Isso tudo faz parte do show. Conforme a banda vai crescendo, obviamente queremos colocar o que temos de melhor nos eventos. Não pensamos em algo muito louco ainda, mas acredito que temos o melhor neste momento. Talvez, colocaremos uma tela enorme, e todos nós compartilharemos dela, sabe? Hoje em dia, isto é o algo bom em se fazer, ao invés de cada banda montar o seu "circo" particular, só pra constar. Quando fizemos a turnê com o Dethlok, nós dividimos o telão. Foi algo totalmente insano, pois são duas bandas com vídeos e conceitos diferentes tocando, mas é algo a se pensar para esta turnê.

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Joe Duplantier: "Realmente, que essas coisas dependem do quanto de grana você dispõe. Se você pretende fazer toda a produção por conta própria, você pode fazer acontecer. Por exemplo, construí esta cabeça que temos no palco com alguns caras da nossa equipe mesmo. Passamos uma semana trabalhando nela, porque não tínhamos o dinheiro para mandar alguém fazer. É bem difícil. Não há tanto dinheiro por aí, quanto pensam. Temos muitas ideias como um telão, ou show pirotécnico [Risos]. Em termos de manter o show excitante, é verdade que é bem difícil manter o nível às vezes quando se está fazendo uma turnê por tanto tempo, dia após dia. Com o tempo, você tende a cansar um pouco. As coisas se repetem, ficam velhas mesmo. Mas mesmo assim, ainda há aquela animação. Às vezes, quando volto para casa depois de uma turnê, estou super cansado e exausto. Daí digo – "Finalmente em casa!" –Mas passam três dias, eu meio que sinto falta de tudo isso de novo! Está em nosso sangue. Os fãs sentem isso no palco. A maneira que demonstramos nossa animação é nas músicas mesmo."

Erlend Hjelvik: "O lineup da banda é importante para manter tudo interessante. Tudo que há por trás de um show é importante, e torna uma turnê diferente. Nesta turnê que estamos fazendo pela Noruega, temos um comediante conosco. Isto é umas das coisas que tornam está turnê interessante para mim. Ter ele conosco é algo único. Tem dado muito certo. Todo o "pacote" é importante e os fãs notam isso!"

Bill Kelliher: "Acho que vocês deveriam trazer o comediante norueguês para os EUA e fazê-lo contar as piadas em norueguês. [Risos] Seria hilário !"

Florino: "Qual música que vocês escreveram e significa mais para vocês até agora?"

Bill Kelliher: "Não sei. Confesso que é uma do novo álbum. Se chama "High Road". As letras são do Brann Dailor. Acho que será um single. Foi um riff que escrevi quando estava sóbrio. Sentia algo muito bom sobre o riff. Escrevi usando um modelo ESP do James Hetfield, "Snake Bite". Estava em um quarto de hotel, em Luxemburgo, Bélgica, porque tivemos uns dias de folga lá. É um riff bem simples, fácil e pesado. Pensei que não colaria muito com os outros membros, mas Brann me disse: "Ouço uns vocais muito irados aí!". Desabrochou em uma enorme música de seis minutos com uma levada legal. Não são solos, mas uma ideia que coloquei no meio da música. É algo que dei duro pra fazer. É uma música novinha em folha. Estou bem animado para que os outros ouçam ela e digam o que acham!"

Joe Duplantier: "Para mim, diria que é a música "Pain Is A Master" do nosso último álbum "L’Enfant Sauvage". Gosta dela e da letra. O sentido dela é de que se você não tiver alguém para ti mostrar o caminho nos momentos difíceis, a própria dor irá mostrar. Para sobreviver, tentamos nos manter de pé nos momentos difíceis. Entendemos porque dói. Lutamos para sobreviver. "Sobrevivência" é uma palavra muito forte."

Erlend Hjelvik: "Provavelmente é "Kvelertak", do novo álbum. Quando ouvi pela primeira vez, pensei – "podemos fazer isto?". É bem no onda AC/DC. Bem diferente das outras músicas que gravamos. Quase não colocamos no disco. Gravamos, e é agora é uma das minhas favoritas. É um sucesso na Noruega. Sempre fechamos nosso show com ela. É o hino da banda!"

Florino: "O quanto a turnê influência na composição de vocês?"

Bill Kelliher: "Bem, para mim, eu bebia e curtia festas à noite como um louco. Quando fui forçado a parar, realmente encontrei minha criatividade. Fiquei super ligado. Vou pro meu cantinho durante a turnê, coloco meus fones de ouvido e toco guitarra o quanto puder. Aprendi a usar o Pro Tools no computador, agora comecei a compor. Realmente não há fronteiras. Apenas vou escrevendo. Não componho para criar uma nova música do Mastodon. Eu meio que escrevo os riffs para impressionar os caras da banda. Quando toco algo durante a passagem de som, e vejo que Brann Dailor ou Brent Hinds começam a tocar juntos, aí é fácil. Quando estive nesta última turnê durante um ano e meio, ficava com meu laptop tocando por pelo menos duas horas por dia. Quando fomos realmente gravar, já tínhamos quinze músicas, geralmente é o dobro do que fazíamos antes. Antes, nós nos ‘enrolávamos’ com as músicas e hoje temos muito. Dormir bastante, fazer exercícios e não ficar varado a noite em festas e bebidas realmente me ajudou no processo criativo. Abriu minha mente. Quando mostrei algumas ideias para Dailor, nas primeiras vezes, e fico tipo –"Não sei se gosto do que estou ouvindo. Soa muito ‘feliz’. Somos uma banda ‘feliz"? – [Risos]. Eu disse, "honestamente, me sinto feliz!". Isto reflete. Você está em uma banda de metal, e supõe-se que esteja com raiva o tempo todo. Não pude pensar em nada louco no momento. Me sentia ótimo. A música pode continuar sendo intensa. Achei engraçado ele me perguntar isto – "Somos uma banda ‘feliz’?". É assim que funciona pra mim, eu acho."

Joe Duplantier: "Isso é legal! Entendo o que Bill diz sobre colocar toda a energia na música ao invés de beber e curtir a noite toda. Para mim é o mesmo. Música é como terapia. Você tem toda essa raiva e frustação com a sociedade. Podia muito bem começar a beber e me drogar. Ou podia reciclar todas essas coisa, esses sentimentos, emoções e raiva, e colocar isso na música. Isso me faz sentir melhor. A música é algo bem terapêutico. Estar em turnê é difícil. Você está longe da família e amigos. Se olhar por outro ângulo, é bem inspirador ter esses momentos que você fica sozinho. Você não quer sair com os caras por algumas horas por estar longe da família. Você pega a guitarra, e algo começa a sair que não sairia se estivesse sentado em casa. Se tiver o equipamento certo, sair em turnê pode ajudar no processo de composição, pois você fica com muito tempo livre. Passa às vezes dias e noite só esperando. Quando saímos em turnê com o Slayer em Novembro e Dezembro do ano passado, eu levei comigo o ProTools e alguns equipamentos de gravação, e escrevi muitos riffs durante um mês e meio. Foi a primeira vez que compus na estrada. Quase todo dia, meu irmão Mario e eu sentamos por algumas horas e filtramos boas ideias. Tínhamos de quinze a vinte riffs. Trabalhamos eles e juntamos tudo. Começamos a gravação do novo álbum baseado no que fizemos durante a turnê com o Slayer."

Florino: "Quando que vocês começaram a ouvir um ao outro?"

Bill Kelliher: "No verão de 2010, estávamos em turnê com o Baroness, e John Dyer Baizley fazia a arte do Kvelertak. Ele dizia – " Você tem que ouvir esses caras! Tem que escutar essa p...!" - . O nome era tão estranho que não guardei. E dizia para outras pessoas: "Já ouviu essa banda ? Mas eu esqueci o nome deles!". [Risos] Então Happy-Tom, do Turbonegro me mandou um email. Somos amigos, e dizia: "Tenho uma banda nova pra você ouvir cara! Eles são de uma cidade pequena da Noruega, mas são fodas! Eles vão ser os caras do momento". Era a mesma banda e finalmente peguei o nome deles e respondi: -" Tem muita coisa boa nisto aqui!". Tocamos juntos na Noruega, e pensei: -"Três guitarristas! E um cara não usa palheta? Que porra é essa?" ".

Erlend Hjelvik: [Risos]

Bill Kelliher: "Foi há poucos anos atrás. Estávamos em turnê na Austrália juntos. Eu realmente comecei a prestar mais atenção. Quando Meir veio, eu fiquei tipo – "É fantástico!". Têm todas essas músicas ótimas!"

Erlend Hjelvik: "Não sabia que Happy-Tom tinha lhe enviado um email sobre nós. Ele realmente nos ajudou muito. Isso é demais!"

Bill Kelliher: "É mesmo, ele me mando e disse: "Você precisa ouvir eles!". Quando John Dyer Baizley fazia a arte do seu primeiro álbum, ele me contou que vocês eram demais e deveria ouvir. Foi dito e feito. Quando escutei Gojira pela primeira vez? Acho que vi algo online e pensei: "Estão falando muito dessa banda! " Estava curioso também por causa do nome da banda. Me veio algo – "Gojira? Não é assim que chama Godzilla em japonês?". Não entendi se era black metal, daí vi que vocês são da França. Finalmente ouvi e pensei: "Ca...! Esses caras têm muita raiva! Têm muita merda acontecendo na França!" [Risos]. Tenho que conhecer Joe e o resto da banda. Lembro de ouvir o novo álbum "L’Enfant Sauvage". Foi incrível. Ouvir é como uma máquina. Não sei bem como descrever. É a máquina mais pesada que já ouvi. Parecia que captava tudo naquele momento. Quando estava no carro de alguém e me diziam – "Escute essa banda !"e eu dizia – " Ah sei ! É Gojira ! Claro que conheço!". Como tenho filhos, estou meio por fora da música. Ás vezes me perguntam – " O que têm ouvido ?". Não tenho tempo para ouvir muito coisa. Ando muito ocupado."

Erlend Hjelvik: "Foi a primeira vez que ouvi Gojira também. Acho que comprei o disco para dar de presente a um amigo que faria aniversário. Coloquei no carro e acabei ouvindo tudo. Guardei o disco pra mim mesmo! [Risos]"

Joe Duplantier: "Você comprou o disco na Noruega?"

Erlend Hjelvik: "Sim, em algum lugar da Noruega."

Joe Duplantier: "Ah então é você! [Risos]. Você é o único CD que vendemos lá. Obrigado cara!"

Erlend Hjelvik: "De nada!"

Bill Kelliher: "Use o troco sabiamente, ok?" [Risos]

Joe Duplantier: "Mastodon sempre esteve por aí. A sombra e aura deles sempre estiveram. Não conhecia bem eles. Quando lançamos o disco "From Mars to Sirius", que muitas pessoas consideram o primeiro pois foi um sucesso nos EUA e na Inglaterra, tínhamos uma baleia na capa. Fazia a capa por conta própria. Estava desenhando, e mandei para a gravadora. O cd veio, alguém me disse – "Você copiou o Mastodon por cause daquele movimento estúpido?" [Risos]. Pensei : "Quem é Mastodon ?".

Erlend Hjelvik: "Nunca pensei nisso!".

Joe Duplantier: "Eles são bem diferentes. Leviathan tem uma baleia tipo Moby Dick. As pessoas começaram a dizer: "Que vergonha!" Eu vi a banda então. A aura do Mastodon já existia bem antes de mim. Quando descobri a música e a cara deles – o visual deles com aquelas tattoos e pássaros- fiquei surpreso. Gostei na hora ! Então, tocamos juntos na Austrália. Minha primeira experiência com o Kvelertak foi na Austrália. Foi foda! Naquele dia, todos nós pensamos em repetir a dose. E isto está acontecendo agora! Muito foda!.

Florino: "Quem dos seus ídolos vocês puderam conhecer que os fizeram sentir um frio na barriga ?"

Bill Kelliher: "Eu me lembro quando nós (Mastodon) tocamos pela primeira vez com o Metallica. Foi em Portugal no Festival Super Bock. Queria muito conhecer o James Hetfield. Eles queriam que nós os entrevistássemos. Tentava pensar em todas aquelas perguntas que surgem na mente para quebrar o gelo com os caras. Não sou um cara muito sério. Gosto de contar piadas, e pensava em fazer uns trocadilhos na pergunta que eles nunca tivessem ouvido antes. Então me veio na mente:’ E se eles não forem do tipo que gostam destas brincadeiras ? E se eles não entenderem e pensarem que sou um babaca?’ Comecei a pensar demais nisso, e acabei por dizer – ‘Quer saber? Esquece ! Não vou fazer esta entrevista !’ – Estava muito nervoso."

Joe Duplantier: "Sei muito bem isso."

Bill Kelliher: "Isto foi pouco tempo antes de tocar. Acho que estava andando e me preparando para subir no palco. Kirk Hammett e Robert Trujillo estavam de pé, e eu estava tipo – ‘P... tenho que falar com esses caras e tirar uma foto!’ – Fui chegando e Kirk me disse: ‘Hey cara, vamos conversar! Onde está sua banda ? Mal posso esperar para vê-los tocar!’ Pensei comigo: ‘Você quer me conhecer? P... quero te conhecer desde que eu tinha dez anos!’ Tirei uma foto com ele. James Hetfield estava perambulando por lá. Estava tentando fazer uma ligação e não conseguia. Ele tinha o mesmo modelo de celular que o meu e fui tentar me aproximar. Foi um daqueles momentos parecidos em que você conhece uma garota e bem na hora de dizer algo para ela, ela se vira e vai embora, sabe? [Risos]. Foi tipo – ‘Merda, perdi a oportunidade de falar com ele’. Continuei tentando e finalmente consegui. Cheguei perto dele enquanto tentava fazer outra ligação e disse – ‘Não consegue fazer uma ligação?’ – Ele disse – ‘É, não consigo entender como usar isto!’. Eu disse –‘Deixe me ver, tenho o mesmo modelo que o seu e você tem que discar os números e colocar o código do país antes’. E começou assim. Então, comecei tipo – ‘a propósito, muito obrigado por me ensinar a tocar guitarra!’. – E ele me disse –‘ Oh ! sério ? E como foi que fiz isso?’, e eu disse –‘Bem, toco na banda Mastodon e ouço Metallica desde que era criança. Foi assim que você me ensinou a tocar guitarra. Nunca fiz aulas. Apenas colocava os discos e tocava junto. Valeu mesmo !’ "

Erlend Hkelvik: "Essa história é ótima!".

Bill Kelliher: "Acho que ele achou muito louco isso [Risos]. Ele deve que estava pensando em algo do tipo:’Oh, ok ! claro ! Obrigado!’. Desde então, eles nos chamam para fazer turnês várias vezes. Saímos para jantar com esses caras. São muito amigáveis e legais. Tive várias conversas bem legais com James. É uma coisa muito boa. Esses caras são muito fodas. Mesmo tendo visto o filme ‘Some Kind of Monster’, onde pensei tipo – ‘Queria não ter visto isso!’ – a medida que você fica mais velho e entra mais afundo na indústria da música, você acaba entendendo porque pessoas como eles precisam gastar $40,000 com algum terapeuta para que possam conversar. Às vezes, acho que nossa banda precisa disso ! [Risos]

Joe Duplantier: "Você está certo sobre a questão do terapeuta. Quando você está fazendo isso por vinte anos, você entende que não é fácil assim. Não é mais um bando de amigos se divertindo junto. Imagino como pode ter sido com o Metallica depois de todos esses anos e a pressão que aguentaram. Acho que foi muita coragem por parte deles em lançar o filme e mostrarem suas fraquezas no final. Quando vi pela primeira vez, eu tive a mesma reação que Kelliher, foi algo do tipo – "Que merda!". Depois, pensei sobre isso, e pensei que foi algo muito inteligente e corajoso da parte deles. Você tem que ser muito homem pra fazer isso! Para mim, continuam sendo Metallica do mesmo jeito. A primeira vez que os conheci, estava me cagando todo. Nós abrimos o show para o Metallica na França. Tinha uma admiração pelo James Hetfield. Aprendi a tocar guitarra ouvindo Metallica. Não queria ser como James, queria ser o James Hetfield. Queria usar a mesma guitarra, a mesma calça e tudo mais ! [Risos] Quando tocamos com eles pela primeira vez, estava naquele palco enorme, no canto direito, onde James ficaria logo depois. Foi demais! Foi um dia muito importante para nós ! Tentamos nos encontrar com eles mas não rolou. Mas tocamos com eles novamente. Conheci eles em Paris. Fui para ver o show. Conhecia o promotor de eventos. Ele me deu o ingresso. Quando cheguei, ele me disse – "Você não vai acreditar! Robert Trujillo quer conhecer você e deu este passe para o backstage pra você." Eu fiquei tipo – "O QUÊ ?" – Não estava lá para conhecer os caras. Queria curtir o show. Depois disto, fui para o camarim, e conheci toda a banda. Disseram que adorariam que nossa banda (Gojira) fizesse uma turnê com eles. Foi assim que aconteceu para nós. Não foi algo negociado com algum empresário. Veio direto deles. Eles escolhem à dedo as bandas que querem para turnê, o que acho sensacional. Eles ainda continuam de olhos bem abertos. Eles estão com os pés nos chão o tempo todo, e querem bandas que realmente valem a pena! Foi ótimo!"

Erlend Hjelvik: "Isso é umas das coisas mais incríveis do Metallica. Eles ainda prestam atenção para novas músicas. Depois de tanto tempo e serem uma das maiores bandas de metal no mundo, eles continuam de olhos abertos. Nós (Kvelertak) tocamos com eles em São Francisco. James Hetfield chamou o promotor de eventos, e disse que queria estar na lista de convidados. Pensei – "Ah tá, sim!" – Estava fazendo o show, quando olho para o lado, ele está lá de pé no canto do palco. Foi a coisa mais incrível que pude ver. Muito legal. Ele é um cara bem pé-no-chão.

Florino: "O que mais anima vocês em relação as suas músicas novas ?"

Bill Kelliher: "Bem, acho que dá um fôlego novo. Cada vez que você escreve uma música, é algo novo, fresco e animador. Então, você entra em turnê por um ano e meio. Dois anos se passam, e você não escreveu nada novo. Você fica velho. Você chega a um ponto que acomoda. Você não fica melhor ou maior. Sempre gosto de compor algumas músicas e lançar alguns álbuns entre turnês. Os tempos estão mudando. As pessoas não têm a mesma atenção quanto costumavam. Agora que nós estamos lançando um novo álbum, gera uma nova turnê. É um novo capítulo no mundo do Mastodon. Sempre me renova e me dá sentido no que estou fazendo, tocando e compondo. Sinto uma confiança muito forte sobre o novo disco. Vai ser demais! É totalmente diferente de qualquer coisa que já fizemos. Gosto de sair e tocar essas músicas para as pessoas, ver a expressão em seus rostos e vê-las por aí, comprando material, mantendo a roda do Mastodon girando. Isto é apenas o começo de tudo e é sempre algo muito excitante para mim. Temos algo novo e surpreendente, e então, temos que seguir em frente e virar uma nova página para o que o Mastodon é. Estamos preparando um novo disco e esperamos surpreender todo mundo, espero ! Cada disco é um pouco diferente, e temos uma percepção do som da banda. É como tirar retrato de nossas vidas e colocarmos em nossas músicas. Estou muito animado com o que estar por vir e tocar essas músicas ao vivo e deixar todo mundo louco!"

Florino: "Algo mais que gostariam de perguntar uns aos outros?"

Bill Kelliher: "O que estão vestindo?"

Joe Duplantier: "Estou de pijamas agora.[Risos]"

Bill Kelliher: "Pijamas? Certo...."

Erlend Hjelvik: "Estou em um restaurante italiano na Noruega. Estou vestindo roupas pretas e uma camisa do High on Fire! Aliás, usei na última turnê!"

Joe Duplantier: "Parece o ‘uniforme da turnê’ [Risos]".

Bill Kelliher: "É mesmo? Estou usando um duck boot (botas de inverno), calça jeans bem apertada e uma parca, chapéu de inverno e Ray Bans. Estou no inverno curtindo snowball. É isto que fazemos. Falaremos mais sobre vestuário quando estivermos em turnê. Mal posso esperar para vê-los."




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Sobre Hilton Dvorak

Técnico em TI, músico freelancer e programador. Gosta de tudo que envolve computação de baixo nível, música, matemática, mecânica e engenharia. Se aventurando em literaturas sobre temas "ocultos" e afins.

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