Fernando Petry: entrevista com o baixista

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Por Luis Eduardo Geier, Fonte: site oficial
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O baixista FERNANDO PETRY, frequentemente citado como um dos maiores baixistas brasileiros na cena fusion, prepara o seu 7º CD instrumental. Em uma conversa informal no camarim do seu workshop no Rio de Janeiro em setembro de 2013, FERNANDO falou sobre sua carreira, projetos e perspectivas futuras. Vamos conferir:

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Luis Eduardo: Oi Fernando, obrigado pelo seu tempo e parabéns pelo trabalho, principalmente pelas composições. Recentemente escutei o seu trabalho Infinite Relief e pensei.; ..."com todos aqueles arranjos, ele não pode compor isso no contrabaixo"... que instrumento você usa para compor?

Fernando: Quase todas as minhas músicas foram iniciadas no piano, trabalhadas no violão e acabadas no contrabaixo, que obviamente sempre acaba recebendo uma atenção maior. Este processo é quase uma regra na minha composição.

Luis Eduardo: Então você não compõe no contrabaixo?

Fernando: Eu não disse isso. O que ocorre é que as composições têm diferentes aspectos e funções... as melodias podem ser tocadas pelo baixo mas não significa que foram criadas no baixo, entende? Já a concepção rítmica sim, é inevitavelmente composta no contrabaixo a qualquer momento no processo de composição.

Luis Eduardo: Como você vê este espaço que o contrabaixo elétrico ganhou nas últimas décadas com tantos baixistas virtuosos surgindo em todas as partes do mundo?

Fernando: Eu acho que tem muita gente improvisando, levando o contrabaixo ao seu limite o que é interessante pelo lado experimental mas também acho que as vezes falta aquele cara que é virtuoso dentro do papel do contrabaixo nas músicas como o Nico Assumpção, André Gomes, Sérgio Groove, Roger Solari... isso é raro de ver hoje em dia.

Luis Eduardo: Todos os baixistas que você citou são brasileiros. Você prefere os baixistas brasileiros aos gringos?

Fernando: Sim.

Luis Eduardo: E os outros músicos também ou só os baixistas?

Fernando: Só os baixistas (risos). Sério, várias pessoas importantes no meio musical já perceberam isso e concordaram comigo quando eu disse. Os americanos são top em tudo o que fazem mas em matéria de baixistas o Brasil está em alta como nunca esteve antes. Creio que seja um legado deixado por Nico Assumpção.

Luis Eduardo: Falando de Solari, recentement vi uns vídeos na internet de você tocando com Frank Solari. Como foi que rolou o encontro e como é acompanhar um guitarrista do nível dele?

Fernando: Há tempos eu já andava querendo fazer algo com o Frank que é um dos maiores guitarristas do planeta, então convidei ele para fazer uma participação em um show com o meu trio PTRIO e ele topou. Depois do show ele nos convidou para acompanhá-lo em alguns shows. O Frank tem um fator de difícil resolução que é a dificuldade em encontrar um baixista no Brasil que consiga executar as linhas do Roger. Tem funcionado bem.

Luis Eduardo: O contrabaixo que você mais aparece usando é o de 4 cordas. Você toca outros contrabaixos e quais as marcas de contrabaixo que você usa?

Fernando: Eu toco baixos de 4 e 5 cordas e fretless. Já toquei baixos de 6 cordas mas acabei indo para um estilo onde faço na 5ª corda o que faria na 6ª e a altura da 5ª corda pra mim é o suficiente para melodias e solos. Só toco e uso contrabaixos artesanais feitos por luthiers brasileiros ou gringos. Chega uma hora em que não dá se quer para comparar qualquer instrumento de linha com um feito sobre encomenda. Mas esta regra só serve para quem sabe exatamente o que quer e isso não é para todo mundo.

Luis Eduardo: Mas é muito ruim na hora da revenda, não é?

Fernando: Como eu disse, isso não é para todo mundo. Qualquer um que encomende um instrumento pensando em revenda não sabe o que está fazendo e não deveria nem perder tempo com isso. Já tive dezenas de contrabaixos como Warwick Streamer, Fender Jazz Bass, Steinberger...e aos poucos eles se foram um a um, e hoje tenho apenas 4 contrabaixos e todos são feitos sob medida. É outro nível.

Luis Eduardo: E quais as marcas que mais te agradam?

Fernando: O Brasil é bem servido em artesões de instrumentos. O meu baixo mais recente é um Ledur Escaravelho de 5 cordas customizado. É um belíssimo instrumento e feito para músicos de alta performance.

Luis Eduardo: Não me lembro de ter visto você tocando o contrabaixo fretless. É uma questão de preferência ou ocasião?

Fernando: Com certeza ocasião! Estou no meio da gravação do meu 7º trabalho que terá 99% do foco no fretless.

Luis Eduardo: Já tem título e previsão de lançamento?

Fernando: Sim. Se chamará "Some Favs Were Left Out" porque é composto de músicas que não entraram nos meus outros trabalhos. Quanto ao lançamento ainda estou pensando como farei pois CD não vale mais a pena investir. Certamenta terá a distribuição digital... talvez fique só nisso... Itunes e deu, quem quiser vai lá e baixa em HQ.

Luis Eduardo: Por quê o título em inglês? Alguma herança dos anos que voce viveu na Europa?

Fernando: Certamente. 100% das pessoas que compram meus CD's ou os downloads na internet são gringos, principalmente americanos, europeus e japoneses. O brasileiro é tão acostumado a baixar tudo de graça que nem me animo a produzir um material em português. Você acredita que eu já recebi um email de uma pessoa dizendo que "aceitaria" que eu lhe enviasse toda a minha discografia por email (risos), e o melhor, assinou o email com "tenho urgência. Atenciosamente..." (risos), surreal.

Luis Eduardo: (risos) Para encerrar (risos), quais são os requisitos para um músico ser bem sucedido no mercado da música atual? Você teria alguma dica?

Fernando: Acho que os requisitos são os mesmos de 100 anos atrás... profissionalismo e dedicação. Poucos músicos se dedicam de verdade e não perdem o foco ao longo dos anos. Aqueles que perdem o foco e não se entregam à música ficam para trás e somem, pois novos talentos chegam com força total e acabam ocupando o lugar do anterior. O mercado da música é como um estacionamento com 100 vagas e 100.000 carros tentando estacionar. O que garante a vaga não é o carro mas sim a eficiência e a perspicácia do motorista.

Luis Eduardo: Fernando, valeu mesmo e parabéns novamente pelo seu trabalho como contrabaixista e compositor e pelo estilo único que você vem aprimorando. Sucesso e até próxima! SET 2013.




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