Jason Newsted: "posso ser aquele monstro de novo"
Por Fernando Portelada
Fonte: Blabbermouth
Postado em 19 de novembro de 2012
O ex-baixista do METALLICA, Jason Newsted, foi entrevistado na última sexta, 16 de novembro, por uma rádio de Nova York. Alguns trechos desta entrevista foram transcritos pelo Blabbermouth e aqui traduzidos:
Sobre o que o levou a inaugurar seu site oficial, Newstedheavymetal.com, e lançar músicas próprias após tantos anos:
Jason: "Eu pensei nisso por muito tempo, colocar meu nome em um projeto, ao invés de simplesmente pensar em um nome legal, como ECHOBRAIN ou PAPA WHEELIE, ou qualquer coisa assim. Nós temos vários nomes para os projetos, mas esta é a primeira vez com o meu nome e eu estou tentando realmente mostrar-me para as pessoas que eu toquei para milhões com o METALLICA. Eu acho que esperei tempo demais, e acho que as pessoas estão prontas, e eu estou pronto, então eu vou tentar juntar algumas músicas e ver o que posso fazer pelas pessoas. Vamos ver o que acontece nos próximos meses a partir de agora."
Sobre como este projeto será chamado:
Jason: "Ele vai ser chamado Newsted Heavy Metal Music. Não importa como ele acabe sendo, sejam 5 músicas, 20 músicas ou 50 músicas... Eu nem sei o que diabos eu vou fazer. Eu tenho tantas músicas por esses anos. Eu tenho um bando de novas coisas, eu tenho tantos projetos com tantas pessoas, novos músicos, jovens músicos, músicos old school, como eu, então eu só quero entender exatamente o que eu quero liberar para todos primeiro. É mais ou menos isso que está acontecendo. O tempo das coisas e com o que quero acertar as pessoas, e quais coisas lançar primeiro."
Sobre seus planos para lançar sua música:
Jason: "Eu vejo um bocado de locais das antigas ainda por lá e que sempre estarão lá em sua mais pura forma – fazendo vinil e todos comprando suas edições especiais para poder ler as letras. Coisas que eu e você amamos muito [...]. Então isso sempre vai estar lá. Algo que nunca quero dispensar, uma porcentagem dos fãs que realmente gostam da real guitarra chuta-bundas americana. Quero ter certeza que isso vai estar lá. E também os locais mais novos, que eu estou ainda aprendendo sobre como me expor para tudo isso [...]. Como hoje, meu web site (oficial) está no ar há 12h e já tive milhares e milhares de de vários países dizendo: ‘Coloque algumas faixas para ouvirmos’. Antigamente, quando eu trocava fitas e trabalhava com FLOTSAM AND JETSAM, eu tinha que colocar uma fita por vês em um envelope com marcações individuais e imaginar quanto tempo levaria para ir à Irlanda ou Espanha, ou qualquer outro lugar, cara. Uma de cada vez. [...] E foi por isso que consegui o meu trabalho com o METALLICA, devido toda minha correspondência pelo mundo. Quando Lars (Ulrich, baterista do METALLICA) clamou pelos seus contatos ao redor do globo, meu nome já estava na boca de todo mundo: ‘Esse cara é organizado’. Foi por isso que consegui o trabalho. Pela troca de fitas e por minha disposição para compartilhar música. Agora eu posso fazer isso com um apertar de botões e alcançar um zilhão de pessoas. [...]".
Sobre seus planos de abraçar as mídias sociais após levar a última década de forma tão reclusa:
Jason: "É como dois lados da mesma moeda, na forma que em todo meu tempo com o METALLICA, eu fui a todos os pré-shows e pós-shows. Eu devo ter faltado literalmente quatro de dois mil. E a única razão de ter feito isso é porque os dedos e lábios dos garotos já estavam ficando azuis, e estava muito frio. Não podíamos sair para assinar o material para eles. [...] Houve semanas, quando estávamos fazendo a turnê do ‘Black Album’, nós fizemos 24 semanas seguidas, ou o que quer que tenha sido aquilo, sem parar. Havia 5 ou sete, ou 9 mil, ou 11 mil pessoas toda semana que eu olhava nos olhos, apertava suas mãos e lhes dava um minuto. Sempre fiz isso. Agora, depois que saí do METALLICA, houve todas essas emoções loucas e pesadas que eu senti e ninguém sabe sobre isso. E eu sou o único cara vivo do planeta que estava naquela banda e agora não está mais, então fiz um negócio bem recluso. Comprei um rancho em Montana (nos Estados Unidos), no meio da floresta com milhões de acres de nada. Foi o tipo de coisa: ‘Foda-se, cara. Eu estou fora!’. Eu fui ao posto da minha conexão com as pessoas. Demorei 12 anos para voltar à Terra e aqui estou. Com minhas grandes botas pretas no chão e pronto para ir."
Sobre sua performance com o METALLICA em dezembro de 2011 em quatro pequenos shows em São Francisco, como para da celebração dos 30 anos da banda e se isto lhe deu um incentivo para se reconectar com os fãs:
Jason: "A primeira coisa desta óbvia estimulação é que a adrenalina começa a correr e todas essas coisas estão lá. Palpáveis. Eu estava com meus amigos de novo. Olhar os outros caras, ensaiar e tocar aquela coisa alta de novo e o sentimento da parede de som, é só: ‘Wow!’. Levitando-me do chão. E então eu fui ao show e o que realmente funcionou, o que realmente foi o estopim da minha vontade de reconectar com todos, foi as pessoas. Eu não tinha ideia do que esperar quando cheguei lá, mas a resposta dos fãs... Havia gente de todo o mundo nesses shows. Tantas línguas, tantos sotaques. [...] Fiquei tão surpreso que tive um estalo, como: "Wow, quer saber? Eu poderia fazer isso de novo. A apreciação das pessoas poderia me trazer de novo’. A razão pelo qual eu sempre fiz e amei tudo isso por muito tempo é o que me trouxe de volta."
Sobre suas lesões na costa e pescoço, adquiridas após bater cabeça todas as noites no palco do METALLICA, que contribuíram para sua decisão de sair da banda:
Jason: Se você olhar pare esses vídeos, qualquer um dos vídeos ao vivo, não há perguntas sobre como é. Há uma séria degeneração acontecendo em minhas vértebras. Eu não sei quantas pessoas torceram suas cabeças dessa forma desde o começo de tudo isso. Eu não vou ter culpa ou crédito por alguém fazer isso hoje em dia, mas eu sei que tive minha parte. Eu fiz três cirurgias nos ombros e vou e volto com eles, meio que uma forma de ajeitar tudo, então estou em reabilitação há muitos anos, tentando colocar tudo no lugar. Estou bem melhor do que estava nos últimos seis ou sete anos, Estou bem mais forte, mantive-me em forma, então está tudo bem. Eu estou bem perto do monstro e acho que se eu trabalhar nisso mais um pouco, posso ser aquele monstro de novo."
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