Pleiades: Que mexa fundo com ele e o faça pensar "Yeah!!"

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Por Ben Ami Scopinho
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Muito do que se conhece da banda mineira Pleiades é que ela começou suas atividades com músicos que ainda eram crianças, entre 9 e 16 anos. Mas o tempo passou e Cynthia Mara (voz), André Mendonça (guitarra), Caio Porto (baixo) - substituído por Mateus Olivello - e André Bastos (bateria) cresceram (um pouco!), se desenvolveram como músicos e estrearam com um álbum auto-intitulado cheio de energia e alto-astral. O Whiplash.net conversou com a simpática Cynthia para conhecer um pouco mais sobre como tudo funciona com a banda. Confiram aí!

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Olá Cyhthia! O Pleiades é uma nova banda que está estreando agora em disco. Que tal uma breve biografia para o leitor conhecê-los melhor?

Cynthia: O Francisco (nota do editor: pai do guitarrista, mentor e empresário do Pleiades) foi à escola em que estudávamos e nos contou a ideia, éramos alunos com aproximadamente a mesma idade, muito novos (9 a 16 anos), e queríamos tocar rock. Hehe! A partir daí, começamos a trabalhar no projeto, foi um trabalho pesado, mas conseguimos várias conquistas.

Cynthia: Em 2006 gravamos a primeira música própria, "Mesmo que seja normal", que foi escolhida pela BBC de Londres no concurso “The Next Big Thing” e chegou ao 9° lugar entre as 1100 concorrentes de todo o mundo. Neste mesmo ano, fizemos o primeiro show de abertura para o Deep Purple e em 2007, gravamos o single "Freedom", que tocou em várias rádios, principalmente no interior... Até em Tocantins tocamos.

Cynthia: Foi quando participamos de vários festivais e tocamos com nomes como Sepultura, Steppenwolf, Velhas Virgens. Dr. Sin, Krisiun, fizemos uma turnê de Palmas (TO) a Santa Catarina. Em 2008, promovemos e tocamos no show do Nightwish em BH em comemoração aos quatro anos do Pleiades, e aí era hora de começar a definir nosso som, pois já estávamos maduros musicalmente o suficiente e tínhamos boa afinidade de banda para começar a transformar nossas ideias em música mesmo. Foi quando conhecemos o Gus Monsanto, que foi perfeito para nós. Entramos em estúdio de pre produção em meio de 2009.

Vi o vídeo da primeira apresentação do Pleiades, quando vocês tinham entre 09 e 16 anos... O que passava pelas suas cabeças ao subir no palco enquanto todos ainda estavam dormindo em suas barracas?

Cynthia: Haha! A gente não pensava nada ainda, mas o Francisco morreu de medo. A gente não tinha maldade de show, era um dos nossos primeiros, e nem éramos parte do lineup do Festival Camping Rock naquele ano, fomos encaixados de última hora para tocar ao meio-dia de domingo, num puta sol... Subimos no palco e mandamos ver, conseguimos trazer o público e mostrar para eles que éramos muito novos, mas tocávamos rock com muita garra. Não foi um show com ótima qualidade musical e lindos e perfeitos solos, mas era pura energia, e acho que foi isso que conquistou o público naquela manhã.

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Vocês realmente esperavam que a “Mesmo que seja normal” fizesse com que o Pleiades conquistasse o 9º lugar na escolha da melhor banda jovem do mundo promovida pela rádio BBC de Londres? Que impacto esse feito teve na vida de vocês?

Cynthia: De modo algum, nem sonhávamos isso... Nem passava pela nossa cabeça. Estávamos começando a aprender como estruturar uma composição e fizemos nossa primeira música própria. Quando nos inscrevemos, foi só pra ver o que dava, mas quando fomos selecionados ficamos imensamente felizes, extasiados, e pensamos: "... Caramba, podemos fazer músicas legais! Nós conseguimos! Vamos ser rock stars!...” Haha!

Seu debut auto-intitulado possui uma energia e alto-astral incríveis, características bem representadas por “Fire Fire”, “Freedom”, “Even If We Don’t Go” e “Find The Same Way”. Qual é a característica que vocês julgam mais importantes em suas composições?


Cynthia: O mais importante é quando a música faz com que a pessoa que está a ouvindo sinta algo... Sabe quando você ouve um riff ou uma frase da música que mexe com você, e você pensa "yeah!"? Haha! Pois é, eu sou muito chata com isso, pois preciso sentir essa sensação em todas as músicas. E enquanto não rolar essa energia, não saímos do estúdio... O mais importante é que a música faça o ouvinte sentir! Que mexa fundo com ele e o faça pensar "Yeah!!”.


Cynthia: O Monsanto foi a primeira pessoa ‘de fora’ a trabalhar com a gente, conseguimos juntar nossas idéias e homogeneizar a sonoridade das músicas e buscar um identidade, assim como AC/DC é AC/DC e Metallica é Metallica. Fizemos esse CD com muito carinho, compomos mais de 20 canções e escolhemos a dedo quais seriam as melhores, as que representavam melhor o que queríamos neste disco.

O vídeo para “Fire Fire” ficou muito bacana e remete diretamente ao conceito alienígena que o Pleiades adotou. Como rolou essa produção?

Cynthia: Nossa! Foi muitíssima correria! Queríamos uma coisa diferente do estúdio e luzes, até porque o Pleiades é de outro mundo, queríamos relacionar a letra com um lugar bacana e a produtora Vira Lata foi extremamente parceira nisso...

Cynthia: Dizemos que foi na Serra da Bocaina, entre RJ e SP, para as pessoas não assustarem, mas na verdade foi gravado em Pleiades, ahaha! Foi gravado tudo em três dias, acordávamos às 4h da manhã para chegar ao topo antes do sol, e terminávamos de gravar quando não havia mais jeito mesmo.

Cynthia: Mas o pesado mesmo foi montar e desmontar a bateria, luzes e câmeras no meio da montanha... E pra subir?? O Scenic Renault só ia até a metade do caminho e o jeito era subir com o bumbo nas costas mesmo. Ahaha! Foi muito engraçado, mas foi perfeito!

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O Pleiades já tocou com Deep Purple, Nightwish, Steppenwolf e muitos outros. Só em 2010 vocês se apresentaram 53 vezes, o que gerou especulações de que pagam para tocar. O que tem a dizer a quem duvida de todo seu trabalho árduo?

Cynthia: Hahaha! Sinceramente, eu nem dou muito crédito, pois eu acho que quem fala isso é porque não conhece o mercado e nem conhece como funciona ser banda no Brasil... Esse tipo de fala "... Ah! Eles pagam pra tocar!...” é o protesto mais clichê do mundo. E no início você tira do seu bolso os custos do ensaio, cordas, gasolina, roupas de show. Nunca pagamos porque não achamos justo, achamos exploração por parte dos PÉSSIMOS produtores que pedem isso, e o principal motivo é que não temos essa grana. Haha! Mas o que as pessoas tem que enxergar é que dinheiro não é tudo...

Cynthia: “... Ah! Eles têm contatos, por isso conseguem...". É claro que temos contatos, e foram conquistados com muito suor. Não nascemos com isso pronto, fomos cavando e conhecendo o mercado. Isso é bom para qualquer profissão, se um advogado ou publicitário não tem contatos...

E seus familiares, o que pensam de vocês, desde crianças, investirem tantos esforços em um gênero musical que não é aceito pelas grandes massas – e muitas vezes negligenciado pelos próprios headbangers?

Cynthia: É um headbanger, ahaha! Mas é algo que fazemos há tanto tempo, com tanta perseverança que, mesmo nos piores momentos ainda acreditamos e corrermos atrás... Eles entenderam que não é brincadeira e nem passageiro, é algo que acreditamos e nos faz muito bem. Com certeza eles achavam estranho eu ter 13 anos e varar noites seguidas acordada, tocando em pubs para maiores de 18 anos! “... Por que essa menina não faz medicina, meu deus?...” Se fosse assim, não seria eu.

É claro que a música sempre será um fator de união entre vocês, mas como conciliam os compromissos do Pleiades com todas as complicações típicas da fase adolescente, além dos estudos?

Cynthia: Ahahaha! Não concilia. É bem complicado, como tudo na vida, é preciso abrir mão de algumas coisas. Eu trabalho de manhã e à tarde, faço faculdade pela noite e toco com o Pleiades... Mas a minha prioridade é o Pleiades.

Cynthia: E durante esse tempo, aprendi que tenho que negociar com professores e chefe, pois eu sempre tenho que faltar, fazer provas em dias diferentes e trabalhar na estrada. É foda, tem que ter muita responsabilidade e vontade mesmo, pois quase toda segunda e sábado eu tenho que sair do palco às 4 horas da manhã, viajar e estar a tempo às 8:30h no trabalho. Mas é a escolha que fiz. Tem que assumir!

A cena underground do Brasil passa por uma fase de contrastes: uma geração de músicos lançando discos muito bons, mas um público que geralmente só dá atenção aos medalhões gringos do estilo. Considerando que vocês começaram a carreira tão cedo, quais suas expectativas sobre o futuro?

Cynthia: Antigamente eu não acreditava muito, mas tenho visto coisas que me fizeram mudar de ideia... O mercado mudou, sem dúvida, o modo de consumo e a economia também! Há 20 anos, o Brasil não podia arcar com o custo de trazer grandes shows. Neste momento é novidade a vinda de artistas como AC/DC, mas com o recente desenvolvimento econômico do país daqui a pouco será tão comum para nós quanto para a Europa.

Cynthia: Mas o que me deixa mais esperançosa é que há muito tempo não se tocava guitarra nas rádios. Mas está mudando, esses dias ouvi a música dos Raimundos, “Jaws”, em uma rádio pop. A cena está voltando, o rock está voltando e o Brasil também vai ganhar espaço no mundo, não vamos parar só no Sepultura e Almah.

Cynthia, o Whiplash.net agradece pela entrevista desejando muita boa sorte ao Pleiades. O espaço é seu para os comentários finais, ok?

Cynthia: Opa, o Whiplash.net é um site muito respeitado e importante no cenário. Para nós, é um imenso prazer estar por aqui, acompanhamos sempre o site e gostamos bastante. Parabéns à equipe! E para o público, a galera que nos conhece, muito obrigada pelo carinho com que nos recebem, espero que curtam a entrevista e os novos trabalhos que logo virão. Para quem ainda não conhece, pode acessar o www.pleiadesband.com e inclusive o clipe de “Fire Fire!” no youtube. E convido ao pessoal da região de Belo Horizonte para o show do dia 11/12 com Shadowside no estúdio bar. Será sensacional. Mais uma vez, muitíssimo obrigada! Long live Rock´n´Roll!

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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