A importante e cultuada vertente do rock que Raul Seixas abominava completamente
Por Bruce William
Postado em 22 de fevereiro de 2025
O rock sempre foi um gênero musical aberto a transformações, e Raul Seixas acompanhou muitas delas ao longo de sua carreira. Desde o rockabilly dos anos 50 até a explosão da psicodelia no final da década de 60, ele absorveu influências diversas para criar seu estilo único. No entanto, havia um movimento específico que ele rejeitava sem hesitação: o punk rock.
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Em uma entrevista concedida ao jornalista Maurício Kubrusly em 1982, Raul deixou claro seu desdém pelo punk ao falar sobre o álbum que estava prestes a gravar. Ele mencionou a mistura de estilos presentes no novo trabalho, destacando o rock e a música country, mas fez questão de acrescentar: "Menos punk music. Graças a Deus, menos punk." A afirmação direta demonstrava sua aversão ao gênero, que já havia se consolidado como uma das maiores revoluções do rock na década de 70.
Embora o punk tenha nascido como um movimento contestador e anárquico, Raul via a cena com descrença. Segundo uma frase amplamente atribuída a ele, "O punk é um modismo que não atinge o governo e vai acabar sendo engolido pelo sistema." Para alguém que propagava a ideia de uma Sociedade Alternativa e buscava liberdade criativa sem rótulos, o punk poderia parecer apenas mais uma tendência passageira, com discursos radicais que acabariam assimilados pela indústria musical.

Apesar da crítica, Raul Seixas foi ocasionalmente associado ao punk de forma involuntária. O próprio Kubrusly apontou que a contracapa do disco "Raul Rock Seixas" (1977) trazia uma foto onde Raul, de óculos escuros pequenos e expressão desafiadora, poderia ser confundido com um precursor do visual punk. Em resposta, Raul brincou: "Vamos dizer que eu lancei o hit primeiro que o próprio."


Mesmo rejeitando o rótulo, Raul teve momentos em que flertou com a estética agressiva do punk. Durante uma apresentação em 1981, improvisou versos que ficaram conhecidos como "Eu Sou Punk", em que satirizava o comportamento niilista atribuído ao movimento. A curta letra diz: "Eu Sou Punk": "Eu quero a cerveja do meu amigo"/ "Eu quero cuspir no copo dos meus amigos"/ "Eu quero matar a minha mãe"/ "Eu não acredito mais em nada"/ "Eu não acredito mais em nada"/ "Eu sou punk, eu sou punk". No fim das contas, enquanto o punk se baseava na simplicidade crua e na rebeldia explícita, Raul preferia uma abordagem mais filosófica e cheia de metáforas – mantendo sua própria rebeldia, mas em outra sintonia.


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