Morfolk: Sob o legado do Livro das Mentiras

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Por Ben Ami Scopinho
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Sendo 1990 o ano que marcou o início de suas atividades em São José dos Campos (SP), o Morfolk pode ser considerado um veterano na cena underground de sua região. Agora, como a primeira banda de Heavy Metal que assinou com a gravadora Unisonic, está chegando ao mercado seu segundo álbum, "World Of Lies", que mantém toda a fúria do Death Metal old school. O Whiplash! conversou com o guitarrista Reinaldo Tio para saber dos detalhes.

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Whiplash!: Saudações, pessoal. Primeiramente, minhas felicitações pelo novo álbum, é um belo trabalho. Pois bem, levando em conta que o Morfolk tenha encerrado suas atividades em 1996, quais eram suas expectativas quanto à nova encarnação do grupo em 2002, após seis anos afastados do cenário?

Reinaldo Tio: Agradecemos pelos elogios e apoio. Nosso objetivo em 2002 era, logo de início, fazer inúmeros shows e em seguida gravar o CD. A expectativa era estar novamente tocando o velho e bom Death Metal. Na época houve uma boa repercussão do público e aqui estamos até hoje na ativa.

Whiplash!: Houve importantes trocas de músicos após o lançamento do debut "Blind's Paradise" (06). Até que ponto isso afetou a sonoridade final de seu mais novo registro, "World Of Lies"? Qual das novas composições você diria que resume bem a atual fase do Morfolk?

Reinaldo Tio: Digamos que a evolução da sonoridade do Morfok foi influenciada por vários fatores, incluindo as inevitáveis mudanças de formação, uma vez que um novo integrante sempre traz novos elementos ao som da banda. Além disso, a evolução de cada um de nós ao longo destes anos também teve um papel importante no novo CD, com certeza estes anos refletiram na nossa maneira de tocar e compor. Isto fica bastante evidente ao se ouvir as músicas “World Of Lies”, “The Unknown” e “Slaves Of The Underworld”.

Whiplash!: "World Of Lies" tipifica perfeitamente o som Death Metal - inclusive em termos ideológicos - da velha escola. A que você atribui a força que este estilo possui entre os brasileiros?

Reinaldo Tio: Na verdade, a força do Death Metal no nosso cenário brasileiro cresceu com o passar do tempo e algumas bandas deste segmento criaram e fortaleceram uma cena hoje reconhecida e respeitada em todo Brasil. Mas existem ainda algumas bandas do segmento que não possuem apoio. Não podemos esquecer que temos bandas aqui no Brasil que não deixam nada a dever as bandas do Exterior.


Whiplash!: A diversidade de artistas e vertentes do cast da Oversonic Music é grande. Considerando que cada público seja muito específico, uma parceria deste tipo pode levar um grupo de Heavy Metal extremo até que nível? O pessoal está sabendo como trabalhar com uma proposta tão anticomercial como a do Morfolk?

Reinaldo Tio: Exato, estamos passando por esta experiência, fomos a primeira banda de Metal assinar com o Oversonic, e recentemente o Attomica assinou também com o selo. Estamos tendo o apoio da gravadora, tanto na área de marketing como na divulgação, e por isso fizemos esta parceria estratégica entre as partes envolvidas. Aqui no país bandas novas estão surgindo o tempo todo, e ao mesmo tempo é difícil para os poucos selos de Heavy Metal absorverem.


Whiplash!: Vocês participaram do Tributo ao Vulcano com uma agressiva versão para “Fall Of The Corpse”, que também está presente em "World Of Lies". Quais os critérios para a seleção das bandas que participaram desse projeto?

Reinaldo Tio: Este projeto do Tributo foi idealizado e produzido por Luiz Carlos da Violent Records. E como já havíamos participado da coletânea “Endless Massacre III”, de 2008, o Luiz nos convidou para esta nova empreitada. Para nós foi uma grande honra participar de um tributo a uma das mais influentes bandas de Death / Black Metal de todos os tempos.


Whiplash!: Conversando com algumas pessoas que tiveram a oportunidade de vê-los sobre os palcos, a conclusão parece ser unânime: os 'tiozinhos' do Morfolk possuem tal energia que conseguem deixar muitos jovens envergonhados. Vocês já são homens maduros que continuam fortemente ligados à cultura underground... O que é que te chama a atenção no Brasil de hoje, afinal?

Reinaldo Tio: Quando estamos no palco, a intenção é de ninguém ficar parado. Sempre tentamos passar uma energia total e contagiante pra galera. Em relação a atual cena, o que nos chama atenção é a diversidade de bandas, seja no estilo heavy, death, black, hardcore... Consequentemente as bandas necessitam fazer shows, e é onde despontam alguns organizadores de eventos totalmente despreparados, mais ainda existem organizadores competentes no que fazem.

Whiplash!: Falando nisso, o Morfolk também organiza apresentações através da Undervale. Quais as maiores dificuldades de levar adiante um empreendimento como esse?


Reinaldo Tio: O Undervale é uma produtora de shows, que é propriedade do nosso guitarrista Roberto Repolho. O Undervale surgiu em 2004 com a proposta de organizar festivais no Vale do Paraíba. Nestes festivais já participaram bandas como: Torture Squad, Krisiun, Claustrofobia, Genocídio, Funeratus, Krophus, Hammurabi, Chemical Disaster, Master, Rompeprop, Oligarquia, entre tantas outras... O Undervale organiza estes shows com muito sacrifício e luta, é muito difícil empreitar um negócio desses sem apoio e patrocínio.

Whiplash!: O Morfolk já percorreu 20 longos anos desde sua fundação. Neste meio tempo, o Death Metal já foi dividido e subdividido algumas vezes e de várias formas, conforme seu estilo e ícones. Sendo da velha geração, como vocês encaram tantas bandas encontrando saídas criativas e usando fortes melodias em meio aos elementos da música extrema?

Reinaldo Tio: Há um legado de bandas antigas e novas que, de certa forma, contribuíram e contribuem para a manutenção e proliferação do gênero. A velocidade insana agregada com um leque de técnicas variáveis, a agressividade e o minimalismo sonoro são fatores constantes na inspiração criativa das bandas, ajudando a moldar os elementos da música extrema sem perder a melodia. As bandas estão conseguindo inovar sem perder as características, e isso deve ser valorizado.

Whiplash!: Com o lançamento de "World Of Lies", quais as metas do Morfolk para 2011? Afinal, como estão se saindo fora da região de São José dos Campos?

Reinaldo Tio: Estamos agendando o maior número possível de shows para divulgação de “World Of Lies”, e nos shows estamos tendo uma grande resposta por parte do público. Temos planos para começar a preparar um clip no segundo semestre deste ano. Um clip acaba dando uma maior visibilidade do trabalho de uma banda no mercado.

Whiplash!: Ok, pessoal, o Whiplash! agradece pela entrevista. Se houver algo que o Morfolk queira acrescentar, agora é a hora...

Reinaldo Tio: Agradecemos o espaço cedido pela Whiplash!, obrigado a todos que têm nos apoiado e acreditado em nosso trabalho. Queremos agradecer os bangers pela receptividade que “World Of Lies” vem obtendo aí no mercado, e o que estiver ao nosso alcance para contribuir com o underground, estamos à disposição.

Contato: www.myspace.com/morfolk

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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