Megadeth: Dave Mustaine está curtindo o Cannibal Corpse

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Por Josué de Queiroz, Fonte: Exclaim!, Tradução
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Keith Carman, da Exclaim!, conduziu recentemente uma entrevista com o líder do MEGADETH Dave Mustaine. Confira abaixo algumas partes da conversa.

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Exclaim!: Você sempre tem sido uma pessoa bem direta. É de se esperar que o seu livro tenha a mesma característica.

Mustaine: Isso é bom. Se eu tivesse que escrever um livro sobre a minha vida íntima, eu não sei se eu apreciaria. Me lembro quando fui à Inglaterra há um tempão nos anos 80, eu estava apenas conversando da maneira que normalmente falo sobre o que eu estava fazendo. As pessoas estavam me estranhando porque não era adequado falar dessas coisas em uma área [à moda antiga] colonial e educada como aquela. Existe algumas pequenas semelhanças entre o Canadá e a Inglaterra que alguém dos Estados Unidos reconhece. E eu falava, "O que você quer dizer com 'você não pode falar sobre isso?' Se você estiver falando sobre quem realmente você é... mas eles queriam mistério e que você escondesse algo de todos. E eu dizia, "Foda-se isso, foda-se aquilo, eu gosto disto, eu não gosto daquilo." isso deixou todo mundo muito feliz. Hoje em dia é difícil ter uma boa entrevista, porque as coisas que eles falam, "qual a importância?" "o que significa?". Eu estava conversando com um amigo sobre quanto as coisas tem mudado desde quando começamos. A banda que está apenas iniciando basicamente já entrega o álbum de graça. Quando lançávamos um disco, eles eram discos. A única coisa boa sobre downloads e a indústria musical sendo bombardeada com esse lance terrível é que as coisas estão como nos anos 50. O grupo lança um single e cai na estrada; Elvis lançava um single e fazia uma turnê por duas semanas. De uma maneira bem homogênea, é mais ou menos o retorno da música em sua forma mais pura. Algumas bandas são boas mas nenhuma delas me deixam realmente feliz. Me lembro de ter escutado e eu era novo no cenário quando apareceram, o disco "Appetite For Destruction" do GUNS 'N' ROSES, eu pensava, "Meu, isso vai ser um sucesso." Quando foi a última vez que você ouviu um album e pensou nisso? Há um tempão, hã?

Excalim!: O que você aprendeu depois de ter escrito uma autobiografia antes dos 50?

Mustaine: Foi purificante. Quando você coloca a sua vida em um livro, você pensa no que deixará para trás. Eu quero deixar um legado de conquistas que fará com que qualquer um possa superar tudo. Não nasci em berço de ouro. Eu tive que trabalhar duro para obter o que tenho e eu amo o que consegui. Estou muito satisfeito por isso e eu não deixo de levar a sério. Meus amigos são parte da minha família. É engraçado ser um dos velhos artistas do cenário. As coisas parecem estar se encaixando e as pessoas estão interessadas no que eu estou fazendo e como eu faço. Claro que não da maneira "Cara, você ouviu o que ele disse?". Isso fica fora de moda e as pessoas nem contam a história devidamente. Eu conheço aquele jogo do telefone, quando fazia o ensino primário, em que você fala algo para alguém e essa pessoa vai passando para outra até que chega em você e não tem nada a ver com o que você havia dito. Quando Shawn [Drover, baterista] juntou-se à banda, eu estava apenas indo fazer uma turnê deste último album com uma banda de apoio e logo depois seguir carreira solo. Mas MEGADETH foi minha banda solo após eu sair do METALLICA. Se eu fosse fazer carreira solo depois do MEGADETH, como soaria? Seria mais pesado? Mais melódico? MEGADETH já tem a densidade que eu sou capaz de criar. Se eu fizesse carreira solo, provavelmente soaria entre "Killing Is My Business..." até "Risk", porque esse é o jeito que eu componho. O engraçado da música de hoje em dia é que as pessoas abaixam tanto a afinação [do instrumento], que você não consegue identificar se tem uma melodia com o riff. A afinação é super baixa e artificial. Você ouve o riff mas não a melodia. Basicamente, você poderia ter 30 ou 40 bandas de metal tocando a mesma música. Retire a letra e ninguém entenderá. O que eu quero dizer é que essas músicas não tem melodia.

Exclaim!: Exatamente. CARCASS tem mais melodias que muitas bandas da atualidade.

Mustaine: Você sabe quem eu vi um dia desses lá na Finlândia? CANNIBAL CORPSE. Eu fiquei muito surpreso quão pesado o som dos caras é. Eles foram ótimos. Eu nunca pensaria que eu fosse gostar de uma banda de death metal porque eu pensava que o vocal... ainda não faz o meu estilo mas a música da banda é tão intensa, cara. Eu realmente curti o show.

Exclaim!: Então você terá que corrigir o livro já que quando terminou houve algumas mudanças na sua saga e do MEGADETH?

Mustaine: Da maneira que o livro foi finalizado, eu não incluí a volta de Dave Ellefson, a turnê do "Big Four" e outras coisas mais. Quando a versão mais barata for publicada, eu espero adicionar mais coisas no final. Neste momento, eu amo o que somos e ainda é maravilhoso estar fazendo música quase 30 anos depois que eu comecei. É uma satisfação e olhando para trás, eu mudaria algumas coisas. Honestamente eu nunca quis machucar ninguém mas aconteceu e isso seria a única coisa que eu mudaria: as dores que causei a outras pessoas. Mas quanto a dor que causei a mim mesmo, eu manteria. Isso tudo é parte da minha identidade. Com certeza eu passaria mais tempo com os entes queridos. Como o falecimento de Gar [Samuelson, primeiro baterista do MEGADETH], eu sinto falta dele. Eu gostaria de ter passado mais tempo com ele. As vezes você não dar valor às coisas. Essa é a única coisa que eu me arrependo: não passar tempo com as pessoas que conhecemos e amamos que já faleceram, especialmente com tantas pessoas morrendo nestes últimos anos. Portanto, estou aproveitando a minha vida e desfrutando de quem eu sou. Não vejo nada que possa me deter agora.



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