Torture Squad: caos, horror e tortura no Metal!

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Por Écio Souza Diniz, Fonte: Pólvora Zine
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Publicado originalmente no Pólvora Zine

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O Brasil é um país extremamente frutífero quando se fala de Metal e muitas bandas daqui alcançam a projeção mundial sem se esforçar para fazer o gosto da mídia, apenas por sua música ser boa por si própria. O TORTURE SQUAD, merecidamente é um desses nomes da cena Trash/Death brasileira que cada vez mais conquista o mundo, principalmente a Europa, com seus shows destruidores e presença de palco de primeira. Isto faz com que sejamos gratos por ter bandas que tem esse reconhecimento. Para nos falar melhor sobre a atual tour européia, uma viagem na linha do tempo e o novo disco previsto para este ano, o baterista Amilcar Christófaro veio ao Pólvora Zine, se mostrando solícito e aberto, além de um cara de idéias conscientes.


Pólvora Zine: A banda teve seu início em 1990, formada pelos irmãos Cristiano Fusco (guitarra) e Marcelo Fusco (bateria) e Marcelo Dirceu (baixo/vocal), até que em 1993 Cristiano recrutou você, Castor (baixo), Vitor Rodrigues Vocal e Fúlvio Pelli (guitarra) para gravar a primeira Demo, “A soul in hell”. Naquela época a banda trabalhava com dois guitarristas, mas logo optou pela preferência por manter somente uma guitarra. Apesar do som tocado atualmente pela banda ser bem mais evoluído, quais as diferenças você acha que poderiam haver tanto em termos de composição quanto técnica e sonoridade, se vocês tivessem dois guitarristas?

Amilcar Christófaro: Olha... Essa é uma pergunta muito legal e que poucas vezes é feita para nós... Eu penso que as coisas sempre acontecem naturalmente, e em relação a isso não foi diferente. O Fúlvio saiu da banda, continuamos, mas o principal foi que, dali em diante, optamos por ter apenas uma guitarra na banda. Isto fez com que nós não pensássemos somente em peso a agressividade, o que na maioria das vezes é o papel da guitarra, e sim em trabalhar mais o baixo e a bateria, como muitas das bandas que temos influência fazem. Então notamos que teríamos espaço para trabalhar os instrumentos sem perder o peso e a agressividade. Com certeza se tivéssemos outra guitarra inspiração pra compor não iria faltar, aliás, pelo contrário, guitarra já é um instrumento que te dá milhões de opções, com duas ainda... Mas sempre fomos felizes assim e tudo indica que vamos continuar dessa forma.

Em 1995, vocês gravaram o debut “Shivering”, que só chegou a público em 1998. O que de fato mais impossibilitou o álbum de ser lançado no ano em que foi concluído? Quais eram as maiores dificuldades enfrentadas naquela época?

A.C: Um monte de dificuldades. Se realmente fôssemos uns “paga pau”, o metal não estivesse no nosso sangue, além da pura paixão pelo que fazemos, pararíamos ali mesmo. Primeiro um italiano doido que morava no Brasil disse que iria lançar o disco e só nos enrolou. Depois entramos em contato com uma empresa que prestava esse serviço de prensar CDs, principalmente para as bandas independentes, cada um separou a grana do seu salário pra pagar em três vezes a prensagem, pagamos e nada do CD. Chegou ao ponto de resolvermos a questão na delegacia. E nisso foram se passando os anos, até que em 1998 chegou a nossa prensagem independente e lançamos. No mesmo ano a Destroyer Recs, nossa gravadora na época, gostou e relançou.

Felizmente, vocês encontraram uma boa parceria com a Destroyer Records, que relançou o primeiro álbum e lançou os seguintes. Como é o trabalho e a credibilidade com este selo?

A.C: Foi bom até onde rolou, tanto que a Destroyer não existe mais.

O álbum “Asylum of shadows” (1999), com ótimas composições como ‘Murder of a god’ e ‘Convulsion’ (solicitada nos shows até hoje) atraiu mais ainda a atenção do público, rendendo uma turnê alemã, mas foi com “The unholy spell” (2001), que a banda abriu seu caminho para a consolidação na cena metálica. Este último é composto de composições bem estruturadas, rápidas e instigantes como ‘The Unholy Spell’, ‘Warmonger’, ‘Spiritual cancer’ e ‘Wecolme home’, podendo ser dito como clássico. Que pontos distintos você considera diferencias e cruciais entre ambos aos álbuns que permitiram este resultado?

A.C: O “Asylum of Shadows” pra mim foi o que começou a mostrar como seria o som do TORTURE SQUAD dali pra frente. O “The Unholy Spell” eu acredito que mantém a proposta da banda, que é de “compor o que sente.” Não que os álbuns sejam iguais musicalmente, não é isso que quero dizer, existe uma diferença sim, mas a diferença significativa pra mim são as gravações. Isso realmente determinou o clima de um ser mais Death metal ou ser mais Thrash metal. Esta percepção depende de quem está escutando. E isso que é o legal, pois essa é a grande magia: cada um tem a sua visão e o seu sentimento próprio sobre cada coisa.

Após a saída de Cristiano Fusco, dando lugar ao guitarrista Maurício Nogueira (IN HELL e KRISIUN), vocês se estabilizaram e lançaram o furioso “Pandemonium”, repleto de momentos devastadores, mostrados em ‘Horror and torture’, ‘Towers on fire’, a faixa-título (realmente faz jus a um pandemônio sonoro) e ‘Out of control’. Como foi o processo de composição do referido álbum com este novo membro, e quais as principais contribuições ele trouxe para o processo criativo da banda? Quais elementos você mais gosta em “Pandemonium”?


A.C: Como sempre, quando lançamos um álbum, fatalmente já temos mais músicas para um próximo. Por exemplo agora, daqui um tempo vamos lançar nosso álbum novo “Aequilibrium” e já temos cinco músicas para um próximo. Isso rola porque naturalmente nunca paramos de compor, e nessa época não foi diferente. Quando lançamos o “The Unholy Spell”, já tínhamos 80% do disco composto e os outros 20% foi sendo composto com o Mauricio na tour do “The Unholy Spell” e depois no estúdio. No “Pandemonium”, eu gosto do Thrash agressivo que acabou virando uma parte predominante dele, tanto que em algumas resenhas gringas eles o associam a vários discos que pra mim são clássicos absolutos como “Beneath The Remains” do SEPULTURA e “Agent Orange” do SODOM. O que deixa a gente super honrados.

Prosseguindo de forma fecunda, em 2004 a banda lança o CD/DVD ao vivo “Death, chaos and torture alive”, mostrando toda fúria dos shows do TORTURE SQUAD, seguido do lançamento do EP “Chaos corporation” (2006), muito cultuado entre os Headbangers, dando a premissa do que seria o próximo álbum, “Hellbound” (2008). De onde e por que surgiu a idéia de lançar um disco ao vivo e um EP, para cinco anos após lançar um full lengh? Quais os saldos positivos esta estratégia trouxe para a banda?

A.C: O DVD e CD ao vivo não estavam nos planos da banda naquele momento, mas o Tulula da Mutilation Records nos fez a proposta, gravamos, e hoje penso que foi muito legal ter aproveitado essa chance de marcar a época do “Pandemonium” com um CD e DVD ao vivo. O “Hellbound” também foi uma novela para sair, e no momento em que iríamos optar por lançar, eis que surge a possibilidade de tocar no Metal Battle, sendo assim, não poderíamos assinar com ninguém de fora do Brasil. Como não tínhamos nada a perder e já estávamos esperando mesmo, achamos melhor esperar um pouco mais pra ver se rolaria aquilo que, para a nossa sorte, acabou rolando. E nesse meio tempo achamos legal a idéia de lançar um single para trabalhar, aproveitando a oportunidade para colocar alguma coisa legal para o fan da banda, como as músicas da nossa primeira demo “A Soul in Hell”, e claro, divulgar duas músicas novas. Tanto que fizemos uma tour brasileira, uma sul-americana e uma européia com o single antes do “Hellbound” sair. O single deu uma grande ajuda na divulgação de “Hellbound” sem sombra de dúvidas.

O “Hellbound” é composto de composições mais complexas (como em ‘The fall of man’), com melodias bem encaixadas, partes mais cadenciadas (caso da faixa homônima), sem fugir ao peso e agressividade (destaque ‘Living for the kill’ e ‘Chaos corporation’). Isto tudo revelou uma banda ainda mais técnica, mas capaz de ser versátil ao mesmo tempo, criando músicas fáceis de se assimilar. Como ocorreu este processo? O quanto ele fluiu naturalmente?

A.C: Tanto nas composições quanto na gravação do “Hellbound” foi uma época bem legal, pois pela convivência, o Mauricio estava começando a se sentir confortável para compor junto a nós, trazer idéias de melodias e riffs e ir juntando isto com o nosso crescimento como compositores também. Eu acredito que o disco demonstra isso.

Em uma banda, na hora de compor há duas possibilidades na maioria dos casos: um membro tem as idéias e os demais a usam como diretriz ou a banda toda participa do processo. Como é a colaboração de cada membro da banda neste sentido?

A.C: É bem diversificado. A música pode sair de várias maneiras. As vezes eu chego com uma música inteira na cabeça e passo para os demais, outras vezes o Castor chega com vários pedaços de riffs e eu trabalho o que ele me passou até montar a estrutura da música. Na maioria das vezes trabalhamos isso com o Vitor, dando sugestões que se tornam algo essencial na música. Agora o Augusto (Lopes) tem trazido várias idéias e temos composto juntos, tanto que na tour euroéia de 2008, ficamos 5 meses na Alemanha, especificamente em Aschaffenburg, Sul do país, e em alguns “days off” (dias de folga), arrumamos um estúdio para ensaiar, e de lá saíram duas músicas que estarão em “Aequilibrium”).

Vocês chegaram a tocar no Wacken Open Air em 2007, o maior festival de Metal do mundo realizado na Alemanha, após terem vencido a seletiva brasileira para tocar lá. O que foi mais marcante para vocês neste show, além da consagração no Metal Battle do festival? Como foi a receptividade para a banda diante de um público tão grande e diverso ao mesmo tempo?

A.C: Na verdade foi como um sonho, você ganhar uma coisa e finalmente ter o que sempre almejou, o contrato com uma gravadora estrangeira, pois era isso que sempre esteve em nossas mentes. A receptividade foi muito legal, todos participaram bastante e vimos que eles realmente sentiram o que queremos passar no nosso som, e isso foi muito gratificante. Com certeza isso foi o mais marcante de tudo.


Falando agora nas atualidades da banda, como tem sido o saldo da atual turnê pela Europa, visto o considerável número de países visitados e shows realizados e em quais deles vocês estão tendo mais projeção?

A.C: As tours que temos feito através dos anos têm melhorado a cada ano. Sem sombra de dúvidas que a tour com o Overkill e o Exodus foi o auge da nossa carreira, em relação a tudo: suporte, casas de shows, alcance de público, divulgação da banda, etc. Mesmo assim, nunca paramos, sempre estamos fazendo contatos com agências de shows para nas próximas tours, tentarmos marcar o máximo de datas, no máximo de lugares possível, sempre tentando trabalhar juntos a qualidade e quantidade de forma simultânea. Acho que hoje temos uma projeção maior na Alemanha, até mesmo, por todo contato que sempre tivemos com o país. A nossa primeira tour fora do Brasil foi lá, o manager é de lá, Wacken. E por aí vai.

Vocês têm pensado em uma possível tour norte-americana? Como são as propostas e espaço para se tocar lá?

A.C: Sempre pensamos nisso!! (risos) Aliás será um sonho quando rolar. Só que aí vem o velho ditado; “Querer não é poder”, então até agora não foi possível, mesmo com a Wacken Records tendo escritório, distribuição e ter lançado o “Hellbound” lá no ano passado. Plano para 2011 é claro que temos, agora é trabalhar para que role... O que eu conheço de lá é o que vejo nos vídeos e histórias das bandas, nada muito incomum em comparação a Europa eu imagino, lugares pequenos, médios e grandes, com um suporte bacana e onde pode se tocar todos os dias. Sonho não? (risos)

No dia 12 de junho vocês fizeram um grande show no Sul de Minas, em Varginha na 12° Edição do festival Roça and Roll. Apesar do frio que assombrava o local, foi uma apresentação impecável, que teve ótimos momentos e deixou os bangers fulminantes, ainda mais tocando a música 'Black Sun' do novo álbum, “Aequelibrium”, a ser lançado este ano. O que vocês acharam do festival e do público Sul-mineiro? O que mais marcou esse show?

A.C: Antes de mais nada o Bruno deve ser parabenizado (organizador e idealizador) por fazer a isto ser possível. O mais legal é você ver um grande festival, com uma estrutura bacana, lotado de gente, e só composto por bandas nacionais no cardápio. Absolutamente nada contra as bandas estrangeiras, mas é isto realmente é um motivo de orgulho para nós e deve ser falado. Com certeza, isso foi o que mais me marcou no festival. Pra gente o show foi tão bom quanto o frio que estava, ou seja, pra detonar tudo! (risos) Foi muito bom, e pelos comentários, demos uma aquecida na galera, isso quer dizer que eles também gostaram, e isso pra gente é muito bom.

Para a gravação de “Aequilibrium”, vocês contam com o guitarrista Augusto Lopes (ETERNAL MALEDICTION), que ingressou no lugar de Maurício Nogueira no princípio de 2008. Como tem sido a atuação dele e que contribuições você acha que pode dar ao som da banda?

A.C: O Augusto é um bom guitarrista, versátil, e ele entrou entendendo o fundamental. Sabendo que está entrando numa banda que já tem o seu som, mas que também dá liberdade para testar coisas novas, sem sair de suas raízes. A contribuição dele é a sua mais nova bagagem, ele traz idéias diferentes das do Cristiano e do Mauricio por terem estilos diferentes, e a isto junto com nosso conhecimento de como encaixar suas idéias na música, só tem a acrescentar.

“Pandemonium” e “Hellbound”, tem grande maestria nas músicas que os compõe, sendo o ponto alto da banda até o momento. O que podemos esperar de “Aequelibrium” em termos de composição?

A.C: Podem esperar o ponto alto da banda (risos). Na verdade, eu amo todos os nossos discos, música por música, por isso é sempre difícil falar de um disco novo, mas para definir o “Aequilibrium” vou citar uma expressão que muitos fãs da banda nos falam quando lançamos um álbum; “Tá diferente mas tá igual!” (risos). Eu creio que o próprio nome (“Aequilibrium”), já entrega totalmente o que sentimos musicalmente dele.

Fora o lançamento do novo álbum, há algum outro plano para a banda este ano?

A.C: Bem, finalizamos a tour de “Hellbound” em junho. A agência de shows Open the Road está trabalhando no agendamento da nossa tour brasileira e Sulamericana do “Aequilibrium”, que irá começar em outubro e vai até o fim do ano (promotores interessados entrem em contato pelo opentheroadtour@gmail.com, falar com Silvio). Agora é ensaiar até vomitar (risos).

Amilcar, obrigado pela entrevista. Sucesso pra vocês e que a tortura continue! O espaço está livre para você falar aos fãs da banda.

A.C: Obrigado você pela oportunidade e pelas perguntas legais. Sua batalha é tão árdua quanto a nossa, portanto parabéns pelo Pólvora Zine, sucesso pra você também. Em breve nosso site oficial estará no ar, portanto, para quem quiser acompanhar a banda, MySpace na veia. www.myspace.com/torturesquadband. Valeu!

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Sobre Écio Souza Diniz

Graduado em Ciências Biológicas e pesquisador na área de Ecologia e Evolução vegetal, sempre foi aficionado por leituras sobre o mundo do Rock/Metal. Além do metal, tem como paixões filmes de terror e épicos. Já participou como vocalista de várias bandas de Death/Grind, mas como nenhuma vingou se encontrou melhor em redigir matérias, fundando há alguns anos atrás o Pólvora Zine. Colabora também com vários sites especializados e com a revista Roadie Crew. Suas bandas preferidas são Iron Maiden, Black Sabbath, Dio, Dorsal Atlântica, Candlemass e Sarcófago.

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