Exodus: "estávamos lá antes de todos, exceto do Metallica"

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Por Gabriel Costa, Fonte: The Quietus, Tradução
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Mark Eglinton, do The Quietus, conduziu uma entrevista com o guitarrista Gary Holt, da banda de thrash metal da Bay Area de São Francisco EXODUS. Confira os melhores momentos da conversa abaixo.

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O Exodus está em turnê com MEGADETH e TESTAMENT. Qual tem sido a resposta à turnê de vigésimo aniversário do álbum "Rust In Peace" (MEGADETH)?

Gary Holt: "Tem sido fantástica, cada show teve lotação esgotada ou ficou completamente entupido e próximo disso. Os únicos que não estavam tão cheios foram lugares enormes onde faltavam apenas, tipo, 400 pessoas para a lotação. E isso seria um público de quase 4 mil pessoas - tem sido incrível. É ótimo estar em turnê com o MEGADETH e, pela primeira vez, com nossos amigos do TESTAMENT. Todo mundo está realmente se divertindo."

Vocês estão tocando coisas novas do "Exhibit B: The Human Condition" [novo disco do EXODUS, com lançamento programado para maio]?

Gary Holt: "Não. Nós meio que entramos no espírito do fato de o TESTAMENT estar tocando o "The Legacy" na íntegra, e Dave [Mustaine, MEGADETH] estar tocando o "Rust In Peace", então só estamos tocando canções dos nossos três primeiros discos."

(...) Discutindo a condição humana e a mídia, o que você acha de Varg Vikernes (BURZUM) – um assassino condenado - aparecer na capa de revistas de metal como a Terrorizer?.

Gary Holt: "Sabe, tudo isso volta ao assunto da mídia, seja a mídia mainstream ou a mídia musical. Quero dizer, é uma história a ser contada - eu certamente não concordo com muitas das políticas dele mas eu também concordo, sim, com várias delas. Tenho certeza que é uma leitura interessante e eu mesmo gostaria de ler isso, na verdade."

Mas você não acha que colocar um assassino condenado na capa de uma revista pode ser visto como uma mensagem ruim?

Gary Holt: "Eu não sei que tipo de mensagem é essa, mas pense em qualquer número de edições da Time ou Newsweek. Com que frequência você vê assassinos condenados nessas capas? Porra, constantemente..."

Enquanto estamos tratando de política, os grandes selos mataram a música?

Gary Holt: "Talvez eles tenham algo a ver com isso, mas a tecnologia tem mais culpa. Ao mesmo tempo em que a tecnologia tornou mais fácil fazer álbum de qualidade bem alta por muito menos dinheiro, é a mesma tecnologia que permite a todo mundo pegar esse álbum de graça e colocar em um pequeno MP3 player e sair andando."

Seria meio que uma faca de dois gumes, então?

Gary Holt: "Exatamente. Eu sou tão fã de internet de alta velocidade quanto qualquer pessoa, mas pra mim o MP3 player e o gravador de CDs é que estão matando as coisas. Sem esses dois, mesmo que você baixe um disco, ele estará confinado no seu computador. Então se você quisesse levar no carro, ainda teria que comprar a porra do CD. Agora você compra, copia, leva e em breve CDs serão uma coisa do passado, de qualquer forma, e só existirão downloads de MP3."

Estamos todos condenados...

Gary Holt: "Eu acho que dentro de 10 anos não haverá mais álbuns e isso vai ser um crime. Eu lembro de quando era um moleque e não conseguia esperar para pegar aquele vinil e abrir, e ouvir e ler as letras junto com a música até ter aquela merda toda memorizada. E também tinha a arte do álbum e era tudo parte da experiência, e tudo o que você pode conseguir agora é uma imagenzinha que aparece no seu iPod. Eles perderão o que eu considero uma parte da experiência de comprar discos. Pessoalmente, eu não gosto de ouvir álbuns em pequenos fones de ouvido, eu gosto de ouvir essa merda com bons e pesados watts de potência por trás, porra... sub-woofers, sabe? Eu quero sentí-los. Eu lembro quando trazia pra casa algum dos meus álbuns favoritos no meio da tarde, e não tinha ninguém em casa, e eu simplesmente DETONAVA aquela merda. Eu sentava no ponto exato no meio do sofá onde tinha o máximo de resposta de graves. Quem quer essa merda levada aos ouvidos por meio de uns falantezinhos microscópicos?"

Tudo isso deve dar ênfase à necessidade de fazer turnês?

Gary Holt: "Oh, com certeza, quero dizer, agora nós dependemos disso. Eu olho para trás para, tipo, a década de 80 e eu sempre pensei que nós não fazíamos turnês o suficiente naquela época. Agora você tem que ficar na estrada o máximo possível e tentar gerar renda suficiente desse jeito. Aí quando você acaba de fazer a turnê de um álbum, você tem que levar seu rabo de volta pro estúdio o mais breve possível para fazer o próximo."

Vocês chegam a ganhar dinheiro de verdade?

Gary Holt: "Sabe, nós conseguimos fazê-lo... eu vivo disso, mas às vezes é banquete ou fome; num minuto você está fazendo essas turnês realmente lucrativas e então você faz turnês onde só quer tentar aumentar sua audiência, mas não está ganhando nada. Eu só posso imaginar o quão difícil deve ser para as bandas mais jovens."

A turnê dos "Big Four" nesse verão [do hemisfério norte]... você acha que já é tarde demais?

Gary Holt: "Eu não acho que seja tarde demais, mas a minha visão sobre essa coisa toda é que eu não fico puto com isso, mas veja bem: nós estávamos lá antes de todo mundo menos o METALLICA. Eu acho que se você basear tudo em vendas, então Dave e o METALLICA certamente devem estar lá, sabe. O SLAYER estava lá. Talvez eu seja parcial, mas eu acho que nós tivemos uma participação tão grande quanto todo mundo. Eu acho que é bom para os fãsque queiram ver isso, e é legal que o METALLICA esteja aberto a algo assim agora."

Mas eles estão abertos a isso porque ganharam tanto dinheiro?

Gary Holt: "Sim, talvez. As pessoas me perguntam como é tocar com o METALLICA, mas nós não tocamos com eles desde 1986. Há um monte de bandas que tocaram com eles bem mais do que nós. Nós estivemos juntos no início, então as pessoas sempre querem ouvir todas as histórias e como tudo começou. Eu sou o cara para quem se liga quando você quer ouvir sobre os velhos tempos da Bay Area".

Te irrita, mesmo que apenas um pouco, que uma banda como o ANTHRAX, que não teve uma formação estável e tem sido consideravelmente menos prolífica que vocês ultimamente, ainda esteja envolvida?

Gary Holt: "Não. São velhos amigos. Eu não vi ou falei com qualquer um daqueles caras em um longo, longo tempo. Nós deixamos a música falar por si só."

Conte-nos sua história mais ultrajante de Paul Baloff [vocalista original do EXODUS, falecido em 2002].

Gary Holt: "Oh, nossa, eu acho que há mais contos exagerados de Paul Baloff do que há histórias. Paul tem um milhão delas. As pessoas vinham falar comigo, logo depois da morte dele, com essas histórias ótimas e eu estou, tipo, 'Cara, essa merda nunca aconteceu.' Havia um grande rumor circulando de que em um dos shows no velho Ruthie's Inn em que Paul disse 'Mate um poser', alguém teria cortado a garganta de um poser do lado de fora. De jeito nenhum eu não saberia disso, sabe..."

Presumivelmente a polícia saberia, também!?

Gary Holt: "Exatamente. Mas eu devia ter simplesmente deixado todo mundo acreditar nessa [risos]."

Leia a entrevista completa, em inglês, no The Quietus.

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Sobre Gabriel Costa

Carioca, jornalista por profissão e roqueiro de nascença, Gabriel teve o primeiro contato direto com o rock and roll ao ouvir o álbum de estreia do Black Sabbath em um velho vinil de seu pai. Garoto do século 20, nascido em 1984, é absolutamente fascinado por tudo o que envolve o estilo, da música à mitologia. Canta na banda Six Pack Wonder, escuta de Backyard Babies a Strapping Young Lad, ama The Wildhearts e segue fielmente os ensinamentos de Lemmy e Danko Jones. Escreve no Twitter em http://twitter.com/gabrielccosta.

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