Bill Ward: "Ainda somos uma banda, parceiros e amigos"

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Ricardo Schuh, Fonte: Sup Magazine, Tradução
Enviar correções  |  Comentários  | 

A revista ‘Sup Magazine recentemente conduziu uma entrevista com o lendário baterista do BLACK SABBATH, Bill Ward. Alguns trechos seguem abaixo.

861 acessosBlack Sabbath: projeto Home of Metal chega a São Paulo5000 acessosKim Kardashian: usando camiseta do Metallica de dois mil dólares?

Como você se sente sobre o heavy metal em geral e sobre a divisão do BLACK SABBATH no fim dos 70?

Ward: "Eu conseguia entender por que pediram para ele [Ozzy Osbourne, vocalista] sair. No entanto, é sempre lamentável, tanto que fiquei preocupado. Mas eu sou apenas um em uma banda de quatro pessoas. Nos bastidores, fora dos holofotes, tem muitas conversas e coisas acontecendo. Tivemos tempo para ajustar as contas – nos repararmos e conversamos como devíamos. Eu estava com Oz na semana passada quando ele foi receber um prêmio. Isso mostra que ainda somos uma banda, ainda somos companheiros de banda e somos amigos. Eu tenho tentado manter amizade com todos eles. Há algumas semanas atrás eu estava conversando com o Geezer [Butler, baixista] e não tenho falado com o Tony [Iommi, guitarrista] por um tempo, mas as conversas continuam e estamos abertos um ao outro. Nós todos estamos trabalhando em nossos próprios projetos, mas não nos desligamos totalmente de alguma maneira. Além disso, a reunião que começamos há uns dez anos atrás foi muito, muito bem. Temos feito turnê pelo mundo desde 1999 como a banda original. E foi definitivamente ótimo. Eu adorei. Eu sempre esperei que a banda pudesse permanecer unida e se alguém quisesse fazer seus próprios álbuns, ou, simplesmente fazer uma pausa de alguns anos, poderia, mas não foi o que aconteceu com o BLACK SABBATH. Pediram para Oz sair. E o que ele tem feito é fenomenal. Ele é um astro nos Estados Unidos e pelo mundo todo. Ele é um grande artista da música, assim como de programas de TV e filmes. Ele tem se dando incrivelmente bem. E nós todos ainda estamos envolvidos com a música. Na verdade, é por isso que estou um pouco debilitado hoje. Eu fiquei até bem tarde ontem à noite no estúdio mixando algumas coisas que pretendo lançar".

Vocês fizeram muitas turnês no passado. Eu ouvi que os shows poderiam ser realmente violentos. É verdade?

Ward: "Os espectadores eram realmente briguentos. Apenas alguns anos antes – e vou usar o CREAM, que é uma ótima banda, como exemplo – os espectadores deles ainda eram comportados. Eles ficavam basicamente ouvindo e então se levantariam e aplaudiriam. Se você olhasse a platéia do CREAM naquela época, teriam algumas pessoas agitando, mas a maioria estaria inteligentemente se amontoando e ouvindo ao CREAM, com razão. Mas no tempo em que nos apresentávamos como BLACK SABBATH, as platéias estavam mudando. Até mesmo os espectadores que ouviam JIMI HENDRIX e as grandes bandas de rock daquela época tinham começado a mudar. Igualmente, nossas primeiras platéias eram bem educadas. Era como tocar na sala de estar. Eu lembro das platéias mudando bem na minha frente. Lembro claramente. A maneira como usavam as suas roupas se tornou diferente. Muitas jaquetas de couro com tachinhas. O cabelo das pessoas mudou. O visual como um todo foi uma mudança esplêndida. Acredito que muito disso devido ao nosso encorajamento e, claro, de Ozzy. Ele não estava preparado para ir a um lugar onde as pessoas sentavam e aplaudiam no lugar certo. Nós tocamos alto e agressivamente. Ozzy se recusava a entrar enquanto não estivessem todos de pé. Foi onde toda a grosseria do público também começou. Foi outro momento decisivo. Eu nunca mais vi outra banda fazendo isso. Foi uma encruzilhada. Foi onde o fogo começou. As pessoas ficaram de pé e dançaram em um espaço tão pequeno. Foi tão incrível de assistir. Todo mundo se chacoalhando da cintura para cima. Não havia nada a fazer com os pés. E se espalhou como um incêndio pela Inglaterra e toda Europa. Todos estavam se balançando, mas completamente diferente de como faziam com HENDRIX, CREAM ou qualquer outra banda contemporânea. É mais ou menos o que se percebia".

As coisas ficaram um pouco pretas pelos 70. Vocês ficaram mais ou menos refletindo sobre o que estava se passando...

Ward: "Bem, você está certo. Quando fomos tocar em Berlim em 1969, havia o confinamento (o Muro). Era a realidade. As forças russas estavam em maior número do que os Aliados, numa proporção de 35 para um, com tanques. A Cortina de Ferro estava a uma viagem de duas horas a partir de Londres. Nós estávamos refletindo sobre nosso tempo em Aston, e Aston naquela época era brutal. Estávamos falando sobre a nossa realidade".

Ainda existe um senso de contra-cultura impregnado em “Sweet Leaf” e “Children Of The Grave” e outras canções anti-guerra.

Ward: "Bem, estávamos irritados, sabe? 'Sweet Leaf' é uma música bem agressiva quando nós tocamos ao vivo. 'Sweet Leaf' e 'Iron Man' eram válvulas de escape para todos os jovens que voltavam do Vietnam. E quando penso sobre isso – para ser honesto com você – eu começo a chorar porque a vida é preciosa e eu ainda vejo a platéia quando nós tocávamos essas músicas. Todos os veteranos estiveram no front, então tudo o que conseguíamos enxergar eram os veteranos. Quando essas canções apareceram, todos estavam tentando sair de suas cadeiras de roda. Eles vinham ouvir essas canções. Nós demos tudo por eles. Eles eram homens que não queriam ir para a guerra. Eles foram empurrados para isso e ninguém os agradeceu quando voltaram".

Leia a entrevista completa (em inglês) no link abaixo.

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Black SabbathBlack Sabbath
"Podemos fazer alguns shows pontuais", diz Iommi

861 acessosBlack Sabbath: projeto Home of Metal chega a São Paulo1871 acessosBlack Sabbath: veja unboxing da "The Ten Year War"1256 acessosDoom Metal: os 25 maiores álbuns do gênero0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Black Sabbath"

Tony IommiTony Iommi
Guitarrista relata como descobriu seu câncer

Black SabbathBlack Sabbath
Banda ainda pode gravar um álbum de Blues

Ao vivoAo vivo
Álbuns clássicos que você deveria conhecer

0 acessosTodas as matérias da seção Entrevistas0 acessosTodas as matérias sobre "Black Sabbath"

Kim KardashianKim Kardashian
Usando camiseta do Metallica de dois mil dólares?

Guns N RosesGuns N' Roses
A verdadeira história de "Rocket Queen"

Avenged SevenfoldAvenged Sevenfold
"The Rev" dizia que não passaria dos 30

5000 acessosMetallica: Lars Ulrich quase saiu no tapa com Lou Reed5000 acessosSeparados no nascimento: Ritchie Blackmore e Mr. Bean5000 acessosSlash: guitarrista fala sobre a origem da sua cartola5000 acessosKiss: Peter Criss em lacônica entrevista ao site KissFaq5000 acessosMetal Injection: os dez melhores gifs animados do Slayer5000 acessosIggy and the Stooges: Raw Power, a trilha sonora do fim do mundo

Sobre Ricardo Schuh

Apreciador da boa música, que vai desde o velho blues até o metal. Fã de rock desde sua infância, por sorte tem um irmão que tinha um bom acervo de LPs e fitas cassete que serviram de passatempo por tardes ouvindo o antigo 3 em 1. Leitor assíduo de tudo relacionado ao rock, fã do Whiplash.net, decidiu colaborar com o site e ajudar a divulgar o bom e velho rock’n’roll e suas vertentes.

Mais matérias de Ricardo Schuh no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em junho: 1.119.872 visitantes, 2.427.684 visitas, 5.635.845 pageviews.

Usuários online