Unmaker: sangue, zumbis e Heavy Metal

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Por Ben Ami Scopinho
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Como sempre, o underground brasileiro continua dando seus bons frutos. Na opinião deste que vos escreve, uma das grandes revelações em termos de lançamentos independentes deste ano fica por conta de "Rape Reality", um EP liberado no ano passado pelos zumbis gaúchos do Unmaker.

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Este trabalho foi gravado por Clark (voz), Rafael (guitarra), Ariel (guitarra), Marcelo (baixo) e Diego (bateria) e, além das excelentes composições – praticamente irrotuláveis, mas com boas doses de música extrema – os músicos do Unmaker apresentam todo um visual mórbido e sanguinolento, ou seja, tudo por aqui honra com classe a cultura do Heavy Metal.

E "Rape Reality" causou tão boa impressão que o Whiplash! achou interessante dar um maior espaço para a divulgação da banda. Nesta entrevista via e-mail, conversamos com o vocalista Clark, que dá uma geral na história do Unmaker com suas tradicionais respostas bem diretas.






Whiplash!: O Unmaker é um conjunto com pouco tempo de estrada e muitos dos leitores não o conhecem. Por favor, conte um pouco de sua história.

Clark: A Unmaker foi formada em 2005, apesar de eu e Rafael termos tido a idéia de montá-la há mais tempo. Queríamos misturar diversas influências, mas com foco no metal extremo. Em 2005 fixamos a formação, e no começo de 2006 entramos para gravar o EP "Rape Reality", realizando também alguns shows pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Whiplash!: Seu material de divulgação chama a atenção por todo o visual carregado, sangue e podridão. Qual é a idéia por trás dos zumbis?

Clark: "Rape Reality" sugere que estupremos nossa realidade, nos libertemos de todos os conceitos, moralismos, éticas e outros paradigmas sociais, religiosos, políticos, enfim, todas as ilusões que nós mesmos criamos. No fundo, estamos mais mortos do que vivos. Os zumbis são uma metáfora para levantarmos das covas que chamamos de vida, e devorar toda ilusão, derramar o sangue de nosso mundo falso, encontrar o que realmente somos.

Whiplash!: O Unmaker debutou com o EP "Rape Reality", em cuja sonoridade parece predominar o Thrash Metal, mas mesclado a muitas outras referências. Creio que vocês estão conseguindo elaborar algo com características bem particulares, concordam?

Clark: Sem dúvidas é a nossa intenção fazer algo realmente nosso, por mais que carregue diversas influências. Ainda achamos que estamos longe de chegar à maturidade que idealizamos, mas "Rape Reality" foi o primeiro passo para tal.

Whiplash!: Um grande primeiro passo, com certeza. Quais são suas influências, afinal?

Clark: Creio ser bem difícil delimitar nossas influências, visto que realmente mesclamos diversas sonoridades dentro do metal, passando desde o death/thrash até o heavy/hard oitentista. Mas nosso principal foco é o metal extremo, e a variedade nas nossas composições reflete como processamos todas essas idéias.

Whiplash!: Fiquei muito surpreso por algo tão maduro logo na estréia. Toda a agressividade e alguns traços de melodias estão muito bem elaborados. Como é o processo de composição da banda?

Clark: No geral, partimos de estruturas e riffs de guitarra, muitos compostos por Rafael, e em cima disso vamos em conjunto estruturando os outros intrumentos, alterando e adicionando alguns riffs, mudando melodias, vendo que idéia a música transmite, etc.

Whiplash!: Clark, você também dá um impulso e tanto no som da banda, indo de linhas vocais melódicas até algo praticamente gutural. Há algum cantor que o influencie diretamente?

Clark: Sempre escutei muitos estilos, e tudo que escutava, tentava cantar. Nunca quis ser um imitador, mas sempre quis ser capaz de cantar os mais variados gêneros. Possuo sim muitas influências, como Bruce Dickinson, Sebastian Bach, Peter Tagtgren, David Vincent, Blackie Lawless, entre muitos outros.

Whiplash!: Suas canções são perfeitas para serem executadas ao vivo. Nas apresentações vocês entram no clima de "zumbis", com todo aquele sangue? O público deve enlouquecer!

Clark: Sim, apesar de em algumas não termos utilizado, na grande maioria adotamos o visual apresentado no CD. Achamos que faz parte da banda, da intenção artística, e não só musical. Não sei se todos gostam, mas é o que gostamos, e impacto com certeza causa!

Whiplash!: Falando em shows, como foi sua participação no Vooadera Festival II (ocorrido em São José/SC, no dia 16/06), junto com o Krisiun, Rhestus, Orquídea Negra, etc ? E considerando que provavelmente vocês não possuem um grande repertório próprio, que covers vocês executam?

Clark: Foi muito positiva. Apesar de termos sido a primeira banda, que normalmente pega o público um pouco "frio", tivesmo uma recepção calorosa, e é necessário destacar o profissionalismo e a ótima organização do Ale, da Banda Vulkro, e de toda equipe que estava ajudando no evento. E, é claro, de todas ótimas bandas que se apresentaram.

Clark: Na verdade, nosso repertório já conta com 12 músicas próprias, mas estava reduzido, pois tivemos pouco tempo para ensaiar com o Henrique, que fez este show para nós devido à saída de nosso baixista. Neste show executamos as covers de "Dio – Holy Diver", "Cannibal Corpse - Stripped Raped and Strangled" e "Deicide – When Satan Rules This World".

Whiplash!: Por que o baixista Marcelo Zabka deixou a banda? Já há algum substituto em vista?

Clark: Ainda não temos certeza de como procederemos daqui pra frente. Faremos um pequeno hiato de shows até termos tudo acertado. Marcelo decidiu sair da banda por motivos pessoais.

Whiplash!: Pelo que observei em sua página no MySpace, a repercussão de "Rape Reality" está atingindo o exterior. Isso é ótimo! Em que países a recepção está sendo mais calorosa?

Clark: Estamos tendo uma boa recepção via divulgação virtual, principalmente em países da Europa ocidental, mas também recebemos boa recepção nos EUA, e alguns outros países.

Whiplash!: Que história é essa de o Unmaker, Ynis Vitrin, Blood Tears e Seduced By Suicide serem os representantes brasileiros nas finais do concurso realizado pela revista norte-americana Revolver Magazine e a rede de lojas SickMetal?

Clark: Este concurso realizado já há algum tempo, era aberto a qualquer banda. Felizmente, devido ao nosso "membro honorário", Emanuel Seagal (www.emanuelseagal.com), que faz um grande trabalho de assessoria de imprensa, ficamos sabendo deste concurso, junto com as bandas citadas, e decidimos participar. Foi uma boa experiência, apesar de não termos vencido, fizemos bons contatos e ficamos bem colocados nas votações.

Whiplash!: Pois é. O Ynis Vitrin foi o vencedor, mas os organizadores voltaram atrás e não os levarão mais para tocarem nos EUA, alegando "falta de recursos". Realmente frustrante...

Clark: Não sei de todos os motivos, e sinceramente não estou por dentro das informações, mas não é novidade que temos muitas dificuldades neste meio. Por isso nos preocupamos cada vez mais com nossa música, e a "cena", o "meio", divulgação, e qualquer outra coisa que não seja nossa arte, ficam de lado.

Whiplash!: Pode ser meio cedo para perguntar isso, mas como estão as novas composições? Já há previsão para um CD completo? Os poucos 18 minutos deste "Rape Reality" fazem qualquer um querer mais...


Clark: Não acho que seja cedo! Estamos ansiosos por gravar um full length, ou ao menos um Single mostrando como nosso som está evoluindo e mudando com o tempo, dentro da nossa proposta. Temos muitas novas composições, já tendo tempo para fazer um full length, mas esperaremos a poeira baixar, continuaremos divulgando "Rape Reality" e assim que for oportuno, e viável, entraremos em estúdio novamente.

Whiplash!: Beleza, Clark! Agradeço pela entrevista e o espaço é seu para a conclusão:

Clark: Obrigado pelo espaço, e agradeço a todos que apoiaram e apóiam a banda. Não há Lei além de faz o que tu queres!

Contato:
http://www.unmaker.net
[email protected]




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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