Edguy: "O segredo do sucesso é ofender o máximo de pessoas!"

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Por Rafael Carnovale
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Mais uma vez o Edguy volta ao Brasil. Mais uma vez eles vêm gravar seu DVD ao vivo. Em 2004 vários problemas técnicos acabaram não permitindo que o DVD fosse finalizado, mesmo com um grande show em SP. Agora a banda volta com uma agenda mais extensa, e divulgando um CD aonde a proposta hard/metal foi ampliada, e obteve boa resposta. Quem já leu uma entrevista com Mr. Tobias (vocal), sabe que ele não é de economizar palavras, e foi assim que esta entrevista transcorreu, com o humor característico do vocalista do Edguy, e com declarações bem interessantes. Obviamente não falamos da Copa do Mundo de futebol, mas sobrou assunto, que você pode conferir abaixo.

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WHIPLASH - "Rocket Ride" foi lançado no começo do ano. Como você compara a resposta a este CD com os outros lançamentos da banda?

Tobias Sammet - Foi bem parecida. Aqueles que não amam Edguy acharam que o CD foi a pior coisa desde que inventaram o velho oeste (risos).

Tobias Sammet - Falando sério, no momento que você quer sobreviver como artista, se desenvolvendo e crescendo, não sendo apenas uma cópia do seu passado, alguns fãs não irão curtir o seu trabalho. Mas eu tenho certeza que isso é vital para não nos manter prisioneiros de nós mesmos e evoluirmos, sendo imprevisíveis e honestos. Quando gravamos "Hellfire Club" as reações foram as mesmas, porque era diferente de "Mandrake". Este ciclo se repete com "Rocket Ride". Quanto às vendas, os primeiros números que recebemos mostram uma boa vantagem a "Hellfire Clube", logo, nossa honestidade funciona, comercialmente falando!

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WHIPLASH - A banda fez uma turnê extensa pela Europa, e agora está se preparando para um giro na América do Sul. Há planos para Japão e Estados Unidos? O que você poderia dizer do cenário heavy metal norte-americano?

Tobias Sammet - Também passamos pelo Japão e parte da Ásia nesta turnê. Não sei se há planos para os EUA, mas se me voltar para as turnês passadas, começamos de trinta shows para dois anos direto excursionando, passando pelos quatro continentes. Penso que iremos um dia para os Estados Unidos, mas não há nada confirmado até agora. Foi cogitada uma turnê como banda de abertura em novembro ou dezembro, mas desistimos por não chegar a um acordo que nos permitisse fazer estes shows e a perna sul-americana. Prefiro tocar no Monterrey Metal Fest (Canadá - o que acabou não acontecendo), e esperar para excursionar nos Estados Unidos em 2007. Mas devo dizer que estou otimista quanto a isso.

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Tobias Sammet - A cena norte-americana é estranha. Várias bandas tentando pegar sua parte do bolo, mas falta um certo profissionalismo por parte dos promotores, casas de shows, coisa que pudemos comprovar em turnês anteriores. Enquanto você tem vários promotores e locais que abrangem todos os tipos de bandas aqui na Alemanha, nos Estados Unidos ou você é o Metallica ou você não é nada!

Tobias Sammet - Já foi dito que isso é a visão dos homens de negócio, já que os fãs como sempre são fantásticos. Eles estão lá e vale a pena ir tocar para poucas pessoas nos EUA, mesmo que com isso você perca a chance de tocar para vários fãs no resto do mundo (risos).

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WHIPLASH - Pude ver alguns "set-lists" do Edguy em shows na Europa e vocês têm tocado quatro ou cinco músicas do novo CD. Quais destas músicas têm sido mais aclamadas nos shows?

Tobias Sammet - Depende da platéia, depende do país. "Trinidad" surgiu meio que como uma brincadeira, mas muitos realmente amaram a música, enquanto outros a odiaram. Um dos clichês do heavy metal é que o segredo do sucesso é ofender o máximo de pessoas que você puder, e temo que seja uma grande verdade (risos). E o mesmo se aplica a nós e nosso estilo. Não nos preocupamos com os fãs "die-hard-true-metal". Porque se você pensa que um pouco de senso de humor não funciona com uma banda de metal o Edguy não é para você, nem o nosso show funciona contigo. Alguns amaram "Trinidad", outros gostaram de "Fucking With Fire", assim como "Sacrifice", "Superheroes" e "Save Me" funcionaram muito bem.

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WHIPLASH - Falando sobre "Fucking With Fire", como foi tocá-la ao vivo? A última vez que conversamos você se mostrava bem entusiasmado em interagir com a galera nesta canção.

Tobias Sammet - Claro que cantamo-la juntos, e foi muito bom! "FUCK" é uma expressão mundial. É mais que uma palavra, é um grito de guerra. Não sou um fã de linguagem ofensiva quando você quer apenas cuspir palavras. Mas cada palavra tem sua razão de ter sido inventada, alguém descobriu algo que funcionaria ao usá-la. Quem veio com a palavra "FUCK" sabia que existia sentido, e quem sou eu para contestar isso? Às vezes precisamos usar as palavras apenas pelo que elas significam, a não ser que você seja um desses integrantes de bandas bad-boys que cospem no palco e dizem "FUCK" de dois em dois segundos. Estes definitivamente não são bad-boys.

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WHIPLASH - Vocês fizeram algumas aparições no circuito europeu de festivais de verão. Como vocês comparam estes shows aos shows em que são headliner? Levaram toda a sua produção de palco em todos os casos?

Tobias Sammet - Nem sempre. Muitas vezes apenas temos que chegar, ligar os instrumentos e começar a tocar. É a grande vantagem desta banda. Algumas bandas só tocam em determinados locais ou festivais se levarem toda a sua produção e badulaques. E ficam falando toda aquela linguagem de guerra, dizendo que os fãs merecem sempre o melhor, blá-blá-blá... Um monte de merda! Se somos uma boa banda, é porque tocamos em qualquer tipo de situação, sem precisar de 75 toneladas de luz, bonecos infláveis ou pirotecnia. É apenas você e sua performance no palco, a habilidade de divertir o público sem apelar para aparatos. Mas eu gosto de poder trazer um grande show em todos os aspectos, e na Europa temos tido a sorte de poder tocar em boas posições nestes shows, como headliners ou co-headliners. Mas se tivermos que tocar às quatro da tarde com um pequeno amplificador e um par de velas, teremos então a chance de mostrarmos que somos os melhores. Você precisa provar que é um bom cantor por você mesmo. WIMPS AND POSERS, LEAVE THE HALL!

WHIPLASH - Você teve alguns problemas de garganta durante a turnê. Como está se sentindo agora e como foi excursionar com este problema?

Tobias Sammet - Agora estou bem, tive uma virose combinada com calos nas cordas vocais. É algo que já tive anteriormente. Todo cantor tem esses tipos de problema. Na minha modesta opinião uma voz humana não foi preparada para cantar cinco noites por semana, três oitavas acima do humanamente possível. Parecia que eu estava gritando "CORRAM". Logo preciso respeitar meus limites. Passei por isso em um festival na Espanha... minha voz estava ruim e eu tinha duas alternativas: ou cantava mal, começava a chorar, me desculpava milhões de vezes e me desculpava de novo ou cantava mal, mas procurava ser o mais simpático possível com a platéia para que todos pudéssemos nos divertir. E foi um grande desafio que as coisas funcionassem bem nestes casos. Eu dizia para os caras da banda antes de subirmos no palco: qualquer um pode fazer isto em suas perfeitas condições vocais. Agora irei provar que EU posso fazer mesmo estando sem voz (risos). Os fãs foram fantásticos e isso deu um senhor apoio para que pudéssemos fazer um bom show.

WHIPLASH - Nenhum single foi lançado depois do EP "Superheroes". Há algo planejado para o futuro, já que vocês ainda têm uma boa versão para "Cum On Feel The Noise" gravada?

Tobias Sammet - Neste momento não temos nada planejado, mas esta música será usada com certeza no futuro.

WHIPLASH - Vocês tocaram com Markus (Helloween) em Genika, executando músicas do Avanthasia. Há planos para tocar músicas do projeto na turnê sul-americana?

Tobias Sammet - Foi muito divertido. Zoamos durante todo o fim de semana. Nossa equipe e a do Helloween pegaram o mesmo vôo na Espanha, mas o mesmo teve problemas e foi cancelado. Então passamos quase 30 horas esperando no aeroporto, até que a companhia aérea resolvesse o assunto. Foi quando Markus teve a idéia de subir no palco para tocarmos "Avanthasia". Os caras do Helloween são bons amigos e foi uma honra ter nosso amigo Markus junto conosco, sorrindo perto de 15 mil pessoas quando a música acabou. Vamos tocar uma música do projeto "Avanthasia" na América do Sul também.

WHIPLASH - Agora vocês voltam à América do Sul, num giro com vários shows e de novo com o objetivo de gravar um DVD. Será que desta vez o DVD sai? O local do show é bom (Credicard Hall - São Paulo). Vocês planejam gravar algo dos outros shows da turnê?

Tobias Sammet - Como falamos sobre a gravação de um DVD, devo ser honesto: não tenho expectativas se irá funcionar ou não. Tentamos três vezes, e nos ferramos nas três. Porque eu iria acreditar que justo essa funcionaria? (risos) Falando sério, estamos prontos para captar o melhor do show de São Paulo e pegar algo dos outros shows. Vamos ver como as coisas saem em São Paulo. Para gravar um DVD, você acaba tendo que sacrificar o número de ingressos disponíveis. Nossos promotores reduziram a venda para 6800 ingressos acho, porque temos que alocar todo nosso equipamento, a estrutura de gravação. Se tudo funcionar bem em São Paulo, acho que teremos uma boa quantidade de câmeras funcionando durante o resto da turnê.

WHIPLASH - Como será o palco? Nos mesmos moldes dos eventos europeus? E o que você pode adiantar do "set-list" já que o projeto Avanthasia funcionou muito bem aqui e os outros CD’s do Edguy antes de "Hellfire Club" são muito populares entre os fãs brasileiros?

Tobias Sammet - Levaremos toda a produção de palco para aí e veremos o que podemos usar em todos os shows. Depende dos locais em que tocarmos, não apenas de nossa vontade. Mas nossa equipe fará o possível para que tudo seja usado sempre. Faremos o melhor.

WHIPLASH - Falando do DVD, já há algo definido para os extras? O que podemos esperar de especial neste pacote?

Tobias Sammet - Cara não posso dizer isso com exatidão. Temos mais de 250 horas de muita merda feita por aí, logo poderíamos lançar um "box" com 130 DVD’s apenas de material extra. Penso em dar aos fãs uma visão bem intimista dos shows, mas com maiores detalhes se comparados ao que fizemos no DVD "Superherores".

WHIPLASH - Falamos anteriormente sobre os Estados Unidos, e você já disse que considera uma boa oportunidade tocar junto com uma banda já consagrada por lá. E se essa banda fosse o Iron Maiden, já que eles estão começando sua nova turnê, e passarão por lá?

Tobias Sammet - Seria algo monstruoso, imagino. Falamos da minha banda favorita dentro do heavy metal, o Metallica é nada comparado ao Maiden. Quando estava na escola, ficava escutando Metallica direto, enquanto que os caras fodas ficavam ouvindo Iron Maiden e Twisted Sister (risos). Dê uma checada nos filmes que abordam esse tema, as escolas. Sempre o "quaterback" (posição do futebol americano, que em alguns filmes é satirizada por conter apenas caras sem cérebro, o que nem sempre é verdade) que ouve Metallica. E o cabeludo idiota que ouve Iron Maiden. Só que esse cabeludo é quem pega a líder da torcida! Sempre a gostosona! (risos)

Tobias Sammet - Já dividimos o palco com o Maiden em alguns festivais anos atrás e foi sensacional. Se rolar a chance, eu estou pronto. Mas neste momento não acredito que seja possível. Nos EUA as coisas são bem piores para o metal. É o típico "você me fode e eu te ferro" entre as agências de shows, que mais parece um jogo e não apenas shows para divertir. Mas Iron Maiden, Ozzy e Kiss sempre poderão furar esse esquema, com bons apoios e gravadoras. Já é um bom começo.

WHIPLASH - Tobias, obrigado pela entrevista e nos vemos nos shows. Este espaço final é seu!

Tobias Sammet - Estou realmente ansioso para chegar ao Brasil, porque da última vez mesmo com os problemas foi demais, fantástico. Vocês são sensacionais, e será sempre uma benção poder tocar para os "metal maniacs" que estão aí.

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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