G3: "Procurávamos compromisso com a guitarra!"
Postado em 20 de dezembro de 2004
Texto originalmente publicado no
JB Online e no Blog Reviews & Textos.
Por Raphael Crespo
Acostumados com shows solo de guitarristas virtuoses, os fãs da guitarra elétrica no Brasil podem se considerar privilegiados, pois, em sua primeira passagem pela América Latina, o G3, dos americanos Joe Satriani e Steve Vai, trouxe como terceiro convidado o lendário Robert Fripp, líder do britânico King Crimson, banda-ícone do rock progressivo no início dos anos 70. A celebração das seis cordas teve shows no Claro Hall, no Rio, e no Credicard Hall, em São Paulo.
"Procurávamos alguém que tivesse compromisso com a guitarra, que trouxesse algo novo. Mas você ficaria surpreso com a dificuldade que tivemos para achar um músico apropriado. E Robert sempre foi um herói para mim e Joe. Ele já havia tocado com o G3 no passado e ficou muito entusiasmado em fazer essa turnê conosco", disse Steve Vai, por telefone, do México.
Idealizado por Joe Satriani, o G3 gira em torno dele e de Steve Vai, membros fixos desde o início. Prodígios da guitarra, os dois são amigos de adolescência, quando Joe começou a dar aulas para Steve. Ambos seguiram seus caminhos até se juntarem em 1996, para a primeira turnê com o projeto, ao lado do também americano e igualmente virtuoso Eric Johnson, num show que rendeu o CD G3: Live in concert (1997).
O terceiro posto já foi ocupado por vários nomes consagrados, como Yngwie Malmsteen, Michael Schenker (Scorpions, UFO), John Petrucci (Dream Theater) e pelo próprio Robert Fripp, o mais diferente de todos, que certamente surpreendeu aos que comparecerem aos shows.
"Todos ficam surpresos com o Robert, até mesmo os fãs de King Crimson. Ele senta sozinho, apenas com a guitarra, e faz vários experimentos, criando uma espécie de parede sonora. As pessoas que estão realmente interessadas nas coisas diferentes que uma guitarra pode fazer vão adorar a performance. Mas se aguardam algo remotamente parecido com o que Joe, eu, e mesmo os outros que passaram pelo G3 fazemos, vêem algo totalmente inesperado", diz Steve.
O guitar-hero falou sobre o surgimento do G3 e revelou que o projeto ainda tem vida longa:
"Joe sentou uma vez com seu empresário para pensar uma forma interessante de alargar as fronteiras e explorar mais um só show. Então, quando o Joe me convidou, fiquei realmente empolgado. O projeto fez muito sentido para mim, pois tem um grande conceito e é um pacote muito interessante. É uma celebração da guitarra e da música em geral. Esperamos continuar com ele no futuro", conta o guitarrista americano.
Como qualquer músico de rock, Steve não poupa elogios ao público brasileiro. "Toquei no Brasil três vezes. Esta será a primeira com o G3. Uma coisa maravilhosas é a paixão do público sul-americano pela música. São pessoas muito especiais para o estilo de música que fazemos", disse Steve.
Ele comentou sobre o show:
"Eu e Joe tocamos por uma hora cada. Robert por cerca de meia hora. Depois, nós três juntos fazemos uma jam. No passado, costumávamos escolher músicas diferentes. Desta vez, decidimos selecionar coisas do repertório de cada um, com uma música do Joe, uma do do Robert e outra minha".
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