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Damage - Entrevista exclusiva com a banda gaúcha.

Em 05/08/00

Eis que o Brasil está contando, cada vez mais, com bandas do porte do Damage. Formada por Antonio Moraes (vocal), Cezar Nogueira (bateria e percussão), Luciano Schirmer (guitarra), Mateus Bortoluzzi (baixo) e Fabiano Freitas (guitarrista), a banda vem para agradar em cheio os amantes do heavy melódico, com classe, qualidade e muito bom gosto. Com o lançamento de seu primeiro álbum, 'Hopes and Fears', a banda mostra que tem todo o potencial necessário para competir com as mais badaladas e famosas bandas nacionais e internacionais - porque não? Natural do interior do Rio Grande Do Sul, o Damage parte para a conquista de outras cidades e países bastando, somente, ser você mais um dos muitos fãs conquistados, com mérito. Para esta conversa, estiveram presentes Antonio, Cezar e Luciano, que nos contaram tudo a respeito dos planos futuros e presentes, a inclusão de ritmos afros, shows, entre muitos outros. Agora, com o caro leitor, Damage, na íntegra.

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Por André Toral.

Whiplash! / O Damage aposta em heavy melódico e power metal muito bem construído. Como a banda chegou ao resultado final do álbum 'Hopes and Fears', no que se refere à definição do estilo?

Luciano Schirmer / Na verdade, o Damage já havia composto algumas das músicas ao longo dos últimos anos, mas as mesmas foram re-estruturadas e sofreram algumas modificações de forma a adaptarem-se ao contexto do CD.

Antonio Moraes / As composições do Damage surgem naturalmente, não nos preocupamos muito na hora de compor em soar tipo heavy melódico ou tipo heavy tradicional, ou seja lá o que for; deixamos as idéias fluírem e a inspiração nos guiar. Tanto que as músicas mais speed que temos são também as mais antigas. Músicas como Sacred Song e a própria Hopes and Fears mostram mais a cara da banda de hoje e da formação atual. Somos uma banda de heavy metal, dentro deste contexto podemos fazer de tudo.

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

Whiplash! / Muito se questionam as novas bandas de heavy metal sobre a questão de originalidade de seu material. Neste ponto, o que o Damage pode dizer sobre Hopes And Fears?

Luciano / Pessoalmente, soa tudo muito original, tanto em termos de melodias, letras e tudo mais. É claro que cada músico na banda é de uma certa forma influenciado por músicos admirados e estas influências algumas vezes aparecem nas composições, mesmo sem que nós notemos. Mas eu acho que é daí que surge a originalidade da banda, pois cada músico possui influências diversas e a expressa de uma maneira bastante própria na banda, o que torna o resultado bastante original e não uma cópia descarada de uma banda em específico.

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Antonio / As comparações são normais para uma banda que está se lançando no mercado agora; sempre alguém vai ter de comparar a alguma coisa para poder definir o estilo e fazer com que as pessoas ouçam o seu trabalho. Mas acho que somos muito originais, cada música nossa tem sua peculiaridade e o Hopes and Fears é um trabalho que tem seu brilho próprio.

Cezar Nogueira / Acho que todas as bandas são questionadas no seu primeiro trabalho, mas outras já lançaram vários álbuns e não conseguiram assumir um estilo próprio. Depende de cada grupo encaminhar o resultado ou sonoridade que pretende assumir.

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Whiplash! / A produção realmente é notável. Como foi para o Damage, uma banda iniciante, conceber um álbum muito bem finalizado no estúdio?

Luciano / O segredo está na pré-produção, pois cada música foi estudada individualmente e também dentro do contexto do CD, de forma que nós entramos em estúdio já com uma certa determinação com relação ao que gravar primeiro, como gravar... Demos atenção até à ordem em que gravaríamos as músicas de forma a otimizar o tempo em estúdio, o que nos deu mais liberdade para experimentar algumas coisas e mesmo re-arranjar algumas músicas dentro do estúdio. Além disso, nós vimos o CD não apenas como um conjunto de músicas, mas como um todo que inclui a capa e o encarte, fotos e tudo mais, sendo que acompanhamos todo o processo de preparação do material, de perto.

Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva

Antonio / Todos os músicos já contam com uma certa experiência em trabalhos paralelos de muitos anos, apesar do Damage estar lançando seu primeiro CD somente agora. Mas a grande jogada mesmo está na pré-produção, sabíamos o que íamos fazer e o tempo que tínhamos para tudo. Foi feita uma minuciosa pesquisa pelos guitarristas Luciano e Fabiano (Freitas) sobre timbres para tudo, bases, solos riffs, amplificadores... Existiam planilhas para tudo nas gravações. Realmente isso só foi possível graças às pesquisas que fizemos e a todo o trabalho feito antes das gravações.

Whiplash! / Desde o início das atividades da banda até agora, que mudanças significativas houveram, em termos gerais?

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Antonio / O Damage mexeu com a vida de todos nós. Desde o início, até agora, muitas coisas aconteceram, mas a principal é que passamos a encarar a música como um meio de vida. Nos primeiros anos levávamos a banda como um hobby, uma forma de descontração nos fins de semana; hoje encaramos a música como profissão e apesar de nem todos nós vivermos de música, ainda, estamos dispostos a largar tudo para fazer o Damage crescer. Percebemos que isso é possível e que o profissionalismo pode ser a chave para o nosso sucesso.

Whiplash! / Instrumentalmente, notamos uma banda muito bem desenvolvida. As guitarras estão muito bem estruturadas, o baixo está bem encaixado e atuante e a bateria, especialmente, avassaladora e perfeita. Quanto tempo foi necessário para chegar a um resultado destes?

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Luciano / Muitas músicas foram compostas no período entre o fechamento do contrato em março de 1999 e o dia em que entramos no estúdio em novembro do mesmo ano, sendo que este resultado foi atingido mediante muito trabalho e esforço por parte dos integrantes. Já em estúdio, a gravação e a mixagem foram realizadas em aproximadamente duas semanas consecutivas de muito trabalho.

Cezar / Cada música composta passou por um processo de adaptação e finalização para agradar todo o grupo. Houveram músicas que foram compostas para a demo tape, como Turn Back e Memories Running; para o CD sofreram modificações bem significativas. A maioria das músicas foram compostas após fecharmos contrato com o selo Megahard Records no segundo semestre de 1999.

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

Whiplash! / Músicas como Distant Skies, Memories Running e Hopes and Fears possuem elementos afros. Para a banda, é importante dar destaque a uma cultura musical do tipo?

Cezar / Não somente uma cultura afro, como também uma cultura gaúcha e brasileira. Existem, no Brasil, ritmos ricos que são facilmente adaptáveis ao heavy metal.

Antonio / Fizemos um heavy metal brasileiro e acho que é esta a definição correta. Estamos num país onde os ritmos regionais influenciam - às vezes até sem querer - muita gente. Somos vitimas disto e isto só faz o Damage se diferenciar dos demais.

Whiplash! / Ao mesmo tempo, a banda não chegou a temer algum tipo de reação negativa por inclusões de estilos do tipo, por pessoas mais radicais?

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Cezar / Não. A inclusão destes ritmos e estilos só vieram a contribuir e aumentar a apresentação destas culturas para pessoas que ainda não as conhecem.

Antonio / Nem pensar. Não vamos deixar de fazer o que gostamos por medo de críticas preconceituosas. Se nós gostamos, porque outras pessoas também não vão gostar? Acredito que isto é só um algo a mais para que as pessoas queiram conhecer nosso trabalho e tirar suas próprias conclusões.

Whiplash! / O fato do álbum ter elementos afros em algumas músicas pode ser, então, visto como uma maneira de diferenciação para um público estrangeiro que geralmente gosta destas inovações, como aconteceu , por exemplo, com Angra (Holy Land) e Sepultura (Roots)?

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Antonio / Pode ser. Sabemos da grande aceitação dessas inovações pelo público estrangeiro, e estamos levando, através de contatos, nosso trabalho até eles. Ainda estamos no início dos trabalhos de divulgação no exterior, mas das pessoas que já conheceram nosso trabalho fora do país, só vieram elogios. O caminho é por aí.

Cezar / Também. Por que não? O quanto mais longe ou quanto mais pessoas conhecerem a cultura brasileira - incluindo aí a gaúcha -, melhor. Se mais bandas tentassem trabalhar com isso teríamos uma divulgação bem maior de nossa cultura.

Whiplash! / Ao determinar a arte e as letras, o que o Damage procurou passar aos fãs?

Luciano / A arte da capa surgiu da idéia de que o que nós muitas vezes achamos ser a pura realidade, às vezes depende apenas de como a encaramos. Ou seja, se olharmos para uma situação com a visão apropriada, podemos ver as coisas de uma forma diferente do que elas parecem ser e, então, mudá-las. Daí surgiu a idéia de retratar a janela mostrando uma visão diferente para um horizonte aparentemente sombrio e obscuro.

Cezar / A capa tenta colocar uma idéia sobre a chegada do fim do mundo, e que talvez exista uma janela ou uma alternativa que demonstre o caminho para a sobrevivência.

Antonio / O nosso principal tema para as letras é o ser humano. Partindo daí, retratamos seus conflitos, esperanças, medos e a sua busca pelo próprio conhecimento. Disto surgiu a idéia do Hopes and Fears e das visões diferentes de mundo que temos e que podemos mudar conforme o modo de ver as coisas.

Whiplash! / Para Antonio Moraes - Sua voz está muito bem harmonizada e inserida no contexto musical do Damage. No entanto, nota-se certa similaridade com o estilo vocal de André Matos (Angra). Você concorda com esta observação?

Antonio / Em parte. Acho que quando chego a tons mais agudos meu timbre de voz se assemelha ao dele, mas em partes mais graves não noto semelhança alguma. Esta semelhança não interfere na minha criação, pois não me espelho nela para compor meu trabalho; é só uma questão de coincidência de timbres, por que não forço para soar igual a ele ou não. Mas é uma honra ser comparado a um dos melhores vocalistas da atualidade. Quando Mike Kiske (Helloween) surgiu, todos o comparavam a Bruce Dickinson, e também acho que nos tons mais agudos se assemelhavam bastante, mas ele acabou conquistando seu espaço mesmo assim e provou que também é um excelente vocalista e tem seu próprio estilo. Estou apenas tentando conquistar o meu espaço.

Whiplash! / Após o lançamento do álbum, como tem sido a sua aceitação no Brasil?

Antonio / Muito boa. Temos ouvido críticas muito boas a respeito de todo o trabalho, tanto de pessoas que já conheciam a banda como as que estão conhecendo agora. Até o momento só ouvimos críticas positivas da mídia especializada, incluindo toda a produção, desde composições até o encarte do CD. Estamos conquistando um excelente público onde tocamos e cada vez mais aumentando o número de fãs do Damage. Estamos fazendo uma mini tour pelo interior do Rio Grande do Sul e vendo que a aceitação do público é cada vez maior. Mas também sabemos que temos de ir mais longe; estamos estudando propostas de ficarmos um tempo em São Paulo para alguns shows. A distância que separa São Paulo de Santa Maria (interior do RS) dificulta um pouco, pois são com os shows que o público é conquistado, mas isto não nos desanima. Em breve pretendemos estar por lá fazendo a galera banguear.

Whiplash! / No exterior, existe algum esforço em andamento para a promoção da banda?

Antonio / Sim. A internet facilitou muitas coisas neste sentido; as informações voam mais rápido e se tornam públicas com muito mais facilidade do que antes. Através de e-mails e contatos com sites de lá, estamos aos poucos abrindo passagem. Estamos entrando neste mundo agora com o lançamento do CD, pois antes não tínhamos nem site e a partir dele tudo ficou mais fácil. Estamos com planos de no final do ano que vem, por conta própria, fazer uma promotour pela Europa, pois compreendemos que o mercado é lá fora mesmo; no Brasil é muito difícil uma banda viver de heavy metal. Não queremos ficar de braços cruzados esperando alguma gravadora de lá vir nos pescar aqui no interior do Rio Grande do Sul.

Whiplash! / Em se tratando de shows, o que os fãs podem esperar do Damage?

Antonio / Uma banda bem entrosada e com muito profissionalismo, que toca com amor e sentimento ao que faz, sempre tentando cativar as pessoas que estão nos assistindo e fazer com que elas não nos esqueçam. Além de músicas do CD a galera também vai poder ouvir clássicos do metal com covers de Iron Maiden, Metallica, Dream Theater, etc...

Luciano / Sempre tentamos passar toda a emoção e energia que estamos sentindo naquele momento. Tentamos agradar as pessoas e manter um contato o mais intimo possível com nosso público, em cada apresentação.

Whiplash! / Que músicas de Hopes and Fears tem tido maior aceitação ao vivo?

Luciano / Dream of Life e Hopes and Fears são músicas que tiveram uma boa receptividade, até mesmo devido a sua divulgação na mídia radiofônica local. Memories Running sempre chama atenção positivamente devido às percussões de samba na introdução e Sacred Song que também é ótima para abertura de shows. Mas é quando tocamos Distant Skies que sempre somos aplaudidos com muita intensidade.

Whiplash! / O que os fãs e futuros fãs podem encontrar no site oficial do Damage?

Luciano / Todos os nossos esforços foram feitos para proporcioná-lo como um meio de aproximar-nos o máximo possível dos fãs do mundo inteiro. Lá você poderá escutar músicas da banda em MP3, para as poucas pessoas que ainda não nos conhecem (risos), comprar o CD, conhecer mais sobre o Damage e seus integrantes; ler e assinar nosso guestbook e também entrar em contato com os integrantes individualmente, pois achamos muito importante manter esta estreita relação entre os músicos e os fãs.

Whiplash! / Que recado vocês deixariam aos leitores desta entrevista?

Luciano / Com todo o respeito, que vão tomar em seus respectivos cus (risos)! É brincadeirinha. Visitem nosso site, ouçam nossas músicas e deixem um recado no nosso guestbook.

Antonio / Que entrem em contato com a gente. Nós queremos é divulgar nosso trabalho e fazer com que as pessoas ouçam e tenham suas próprias opiniões. Conheçam nosso site, saibam sobre a gente, baixem nossos MP3 e deixem seu recado no nosso guestbook. Pois é através do site que queremos expandir o nome Damage, para todos. Um grande abraço a você, André Toral, e a toda equipe responsável pela elaboração deste site. VALEU!!!

Para acessar o site da banda: www.damage.com.br

Para contactar a banda: [email protected]

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