Charlie (Manson) não surfa: serial killer que queria ser rockstar

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Por Igor Hidalgo
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Ironizado em camisetas de Axl Rose, na época áurea do sucesso do GUNS N’ ROSES – início dos anos 90 –, com os dizeres “Charlie Don’t Surf”. Famoso por sua relação com membros dos BEACH BOYS, assim como a interpretação distorcida da canção “Helter Skelter”, dos BEATLES. Estamos falando de Charles Milles Manson, o profeta/guru de uma turma que se tornou conhecida por assassinar várias pessoas, incluindo a esposa do cineasta Roman Polanski, Sharon Tate, que estava grávida de oito meses e acabou esquartejada.

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O livro “50 Fatos que Mudaram a História do Rock”, de Paolo Hewitt, traz relatos interessantes acerca da relação de Manson e a indústria musical. Por exemplo, que a banda dos irmãos Dennis e Brian Wilson (os BEACH BOYS) quase o contratou para seu selo fonográfico. O bando ficou conhecido como “A família” e o ‘pai’ seria Charlie Manson.
“Durante o verão de 1968, a Família de Charles Manson tomou conta da casa de Dennis Wilson”, relata Hewitt, em seu livro lançado originalmente em 2011 e que, dois anos mais tarde, ganhou a tradução para o Brasil. Segundo ele, os fanáticos pelo líder pegavam joias, roupas e dinheiro do baterista, dando sexo e drogas em troca. Manson tinha planos próprios, já sabendo que os BBs haviam acabado de criar um selo próprio, Brother Records.

Em meio a doses de LSD, o baterista ouviu músicas tocadas por Charlie Manson e estava convencido do “talento explosivo” do cidadão. Mas não era o único, como aponta Hewitt: “Neil Young também ficou boquiaberto pelas músicas do sujeito”. A informação é que o idolatrado cantor de country rock até mesmo chegou a recomendar à Warner Brother Records a contratação do ‘artista’.

Na época Manson insistia com Dennis sobre contratos e coisas afins. Conforme dizem, tamanha é a idiossincrasia (ou falsidade) do tal ‘músico nato’ que houve quem dissesse que o estúdio de gravação não seria o local adequado para captar o talento do homem. Em 1968 os BEATLES lançaram um novo disco, conhecido apenas como White Album, o qual Manson acreditara – em sua mente perturbada pelas drogas – conter nada menos que 13 canções supostamente endereçadas unicamente a ele, trazendo ‘mensagens ocultas’ .

“Helter Skelter” se tornara célebre, pela interpretação distorcida que o profeta/guru daria, achando ser um aviso de uma iminente guerra racial apocalíptica na qual a supremacia branca triunfaria, influenciada pelo Terceiro Reich de Adolf Hitler. Apelando para o Apocalipse da Bíblia, Charlie previa o fim do mundo deturpando a canção de PAUL McCARTNEY.

‘Dia do Helter Skelter’

“Manson odeia efetivamente a vibração paz e amor”, descreve Paolo Hewitt, no livro. Obcecado pelos BEATLES, ele acabaria também por conhecer pessoas ao redor dos garotos de Liverpool com sua mistura habitual de encanto e carisma, assim como tendo no currículo gravações com os membros dos BEACH BOYS. É nessa época que apareceria a famosa história envolvendo o diretor de cinema Roman Polanski e a esposa, a atriz Sharon Tate.

No momento em que era evitado por todos ao seu redor que Manson se envolve nos eventos horríveis que o tornariam famoso. Quando a tal ‘revolução’ ocorreria já deixavam inquietos os seus seguidores e, naquele agosto de 1969, Manson afirma a quatro comparsas que o ‘Dia do Helter Skelter’ havia chegado e eles deveriam matar todos que estivessem na antiga casa do produtor fonográfico Terry Melcher, que cantou em “Pet Sounds” (obra-prima dos BBs) e produziu artistas como THE MAMAS AND THE PAPAS. Tragédia ocorrida!

O sonho de Charles Manson era se tornar um astro do rock and roll, algo que se acendeu muitos anos depois de sua prisão, quando o GUNS N’ ROSES incluiu uma canção de sua autoria (“Look at Your Game Girl”) de modo escondido no álbum de covers The Spaguetti Incident, lançado em 1993. O místico cidadão seria lembrado ainda em canção gravada por MARILYN MANSON, artista que contém sua influência até no nome.

Mas antes que pareça se tratar de uma idolatria por parte de Axl Rose, na época da turnê dos álbuns Illusions ele frisou: “Manson é uma parte sombria da cultura e da história americanas”. Rose usou camisetas estampando Manson como forma de responder àqueles críticos musicais que o pintavam sempre como vilão. “Não tenho nada a ver com ele, é um indivíduo doentio”, esclareceu à época o polêmico vocalista.

A gravação da canção, portanto, era apenas continuação da ironia. Rose inclusive tinha intenção de doar os royalties sobre a música para caridade, em prol de associações de parentes de pessoas vítimas de assassinato. Mas até onde se sabe o intento não se realizou, uma vez que familiares de Manson processaram a banda e ganharam a causa. Assim, até hoje o lucro da canção é da gravadora (Geffen Records) e da família do assassino.

Igor Hidalgo, 32, é jornalista e mora em Nova Odessa/SP (região de Campinas)

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Sobre Igor Hidalgo

Igor Hidalgo, 26, é jornalista em Nova Odessa, região de Campinas/SP.

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