Black and "Blues": a influência do lamento negro no Black Sabbath

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Por Mário Liz
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A influência do Blues é notória em quase toda carreira do Black Sabbath: canções arrastadas, solos de guitarra lentos e com muito feeling, vibratos cavernosos e aquela levada que, involuntariamente, obriga os pés dos ouvintes a “marchar” na toada do bumbo e do contra-baixo.

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Elencarei aqui algumas das canções do Black Sabbath que trazem de forma mais evidente as veias bluseiras da banda. Iniciarei a maratona com o álbum clássico e homônimo dos garotos mórbidos de Birmingham, o BLACK SABBATH, de 1970.

Faixa 2, THE WIZARD: a harmônica de Ozzy e o riff matador de Iommi sacramentam a pegada bluseira desta canção. Outro ponto forte da música é sua bateria, em que Bill Ward dá um show digno dos dias mais inspirados de Keith Moon.

Faixas 6 e 7, SLEEPING VILLAGE E WARNING: Sleeping Village começa “viajandona” com um dedilhado e evoluiu para um riff bem marcante. O que se vê depois é a incursão do cover da canção “Warning”, de Aynsley Thomas Dunbar. A partir daí, blues e alguns ensaios de jazz caem feito uma enxurrada! E não bastasse isso, a guitarra falante de Iommi, aliada ao baixo andante de Geezer, constroem uma das melhores jams da história do rock. Quando o CD ou a bolacha passa para a faixa 7, mais uma jam bluseira é entoada, culminando com o replay do cover.

PARANOID, 1970.

Faixa 3, PLANET CARAVAN: Lenta e reflexiva, esta música possui um belo solo de guitarra que passa por momentos de Blues e Jazz.

Faixa 8, FAIRIES WEAR BOOTS: Desde o solo de introdução até a batida abafada que acompanha a linha vocal, este petardo traz muitas vertentes do Blues. O suingue e a maneira como ela é conduzida também deixam a influência ainda mais gritante.

MASTER OF REALITY, 1971.

Faixa 7, SOLITUDE: Contrariando o clima sujo e pesado do álbum, Solitude apresenta-se como uma balada triste e singela, com um instrumental cristalino e um tema criado sob a batuta de uma guitarra melancólica, minimalista e muito bem executada. Ozzy a canta de maneira bem incomum, mas não se enganem: a voz é do papa-morcegos.

BLACK SABBATH VOL. 4, 1972.

Faixa 1: WHEELS OF CONFUSION/THE STRAIGHTENER: A introdução da música é um verdadeiro lamento sob 6 cordas, enquanto seu tema final se converte para uma espécie de blues-progressivo.

SABOTAGE, 1975.

Faixa 3, SYMPTON OF THE UNIVERSE: Apesar de ter um dos primeiros riffs “thrash metal” do rock, S.O.T.U guarda uma surpresa: um desfecho acústico que mais parece uma canção de SANTANA (por sua cadência rítmica e solos bluseiros).

TECHNICAL ECSTASY, 1976.
Faixa 2, YOU WON'T CHANGE ME: A canção tem uma intro à lá “Doom Metal”, porém, ganha uma nova roupagem à medida que segue. Como em grandes canções galgadas no blues, a guitarra conversa com o cantor em muitos momentos, ou seja, quase sempre há um fraseado após um verso cantado. Quanto ao solo, Iommi usa uma timbragem extremamente aguda, lembrando a de seu amigo Brian May.

Faixa 5, ALL MOVING PARTS (STAND STILL): Outra canção com muitas influências de Blues. Sua introdução, baixo e solos de guitarra são uma prova incontestável desta afirmação.
http://www.youtube.com/watch?v=0PUZOwY5IuU

NEVER SAY DIE, 1978.

Faixas 8 e 9, BREAKOUT e SWINGING THE CHAIN: Um dos momentos de maior apologia à música negra na longa vida Black Sabbath. Breakout é uma música instrumental repleta de metais e se elide à Swinging the Chain, um Blues extremamente furioso, com direito a dois poderosos riffs e trechos com harmônica. A curiosidade desta canção é por conta do vocal, feito pelo baterista Bill Ward. Ozzy recusou-se a cantá-la pois ela fazia parte do material composto com o vocalista Dave Walker, ex-Fleetwood Mac, que por poucos dias substituiu o Madman àquela época.

HEAVEN AND HELL, 1980.

Faixa 8, LONELY IS THE WORD: Um dos solos mais inspirados de Tony Iommi. O riff e a tristeza marcante da interpretação de Dio incrementam a massa bluseira deste bolo.

MOB RULES, 1981.

Faixa 9, OVER AND OVER: Mais um semi-blues triste e chorado por Tony e Dio.

SEVENTH STAR, 1986.

Faixa 5, SEVENTH STAR: Grande riff bluseiro de Tony Iommi. A música é um dos registros mais “sabbáthicos” da banda após a saída de Ozzy e preserva o estilo “blues-rock-macabro” criado pela banda no início da década de 70.

Faixa 7, HEART LIKE A WHEEL: A impressão que se tem quando se ouve este incrível blues pesado, é que você está em um prostíbulo no inferno, enquanto as “diabetes” fazem strip-tease.

13, 2013.

Faixa 4, ZEITGEIST: A música soa como uma fusão entre Solitude e Planet Caravan. Sua linha de baixo e seu solo de guitarra “clean” e inspirado conduzem o ouvinte a grandes momentos de blues e lampejos de jazz. Ponto para a banda, que criou uma bela balada.

Faixa 7, DAMAGED SOUL: Uma canção composta no ano de 2013, mas que possui jams fantásticas como em Sleeping Village/Warning da década de 70. Novo show de Geezer e Tony e, ao escutar esta canção, uma pergunta ecoa na mente de qualquer pessoa: por que as bandas atuais não compõe mais coisas assim?

A considerar que o Black Sabbath é uma referência mundial na criação de praticamente todas as expressões do rock pesado, constatar a influência do Blues na banda é reconhecer que, este estilo musical rudimentar e intenso, guarda indubitavelmente o DNA do rock.

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Sobre Mário Liz

Mário Liz é bacharel em direito e em publicidade e propaganda. É apaixonado por IRON MAIDEN, BLACK SABBATH, DREAM THEATER, BIGELF e PINK FLOYD. Contato: mariolizpoeta@gmail.com.

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