Pink Floyd: Dark side of the... rainbow?
Por Alexandre Caetano
Fonte: Artigos sobre filmes
Postado em 19 de março de 2013
"And remember, my sentimental friend, that a heart is not judged by how much you love, but how much you are loved by others."
A história do "Mágico de Oz" nos remete a três obras primas. Tendo origem em 1901, no livro de L. Frank Baum, repleto de metáforas sobre a sociedade norte-americana, suas divergências e transições econômicas, a história foi adaptada para as telas em 1939, com direção de Victor Fleming.
O filme chama a atenção pela qualidade da adaptação (sem cair na falácia de comparar com o livro para ver qual é o melhor) e pela produção extremamente detalhista. As cores gritantes da terra de Oz, os cenários mesclados com pinturas de paisagens, a maquiagem perfeita dos personagens. Tudo contribui para um filme que parece muito a frente de seu tempo.
Por fim, em 1973 a banda PINK FLOYD grava o disco "Dark Side of the Moon". Marco na história da música, o álbum ganha ainda mais brilhantismo por ser sincronizado com o filme. Inexplicavelmente a banda negou qualquer intenção de fazer isso, como se fosse possível tudo ser coincidência. A sincronia só começou a ser divulgada no fim dos anos 90, hoje há centenas de evidências apontadas. Muitas provavelmente são mesmo aleatórias, talvez até induzidas pelo clima do filme, porém as mudanças de ritmo, coincidências de falas e até sincronia de movimentos dos personagens com sons do disco dão corpo à palavra genialidade.
Em uma sinopse rápida o "Mágico de Oz" pode passar por uma fábula infantil. A pequena Dorothy (Judy Garland) vive na fazenda de seus tios, no Kansas. Uma vida apática, com a solidão entre os adultos quebrada apenas pela companhia de seu cão, Toto. Um tornado faz com que a casa voe pelos ares, cena que pode ficar ainda mais encantadora ao som de "The great gig in the sky", aterrissando na maravilhosa terra de Oz. É neste ponto, quando Dorothy sai da casa, que o filme passa a ser colorido. Muitos dizem ser esse o significado da capa do disco, uma luz monocromática que passa por um prisma, revelando as cores do arco-íris. (confira no vídeo abaixo).
A partir deste ponto a história ganha personagens e metáforas que a afastam de um passatempo para crianças. Sem deixar de entreter, muitas mensagens podem ser identificadas no enredo. A estrada de tijolos amarelos, que simboliza o ouro e guia Dorothy, é pisada ao som de "Money", no livro com sapatos prateados para indicar a necessidade de substituição da moeda do país, no filme foram usados sapatos de rubi, cujo vermelho brilha intensamente na tela, ressaltando as cores que ainda eram novidade nos filmes.
Em meio às bruxas boas e más, interpretadas como referência aos conflitos entre regiões americanas, é possível encontrar temas mais amplos e universais. A loucura, o medo, a ganância, o poder, a morte, são alguns pontos abordados claramente, que serviram de base para o tema das letras e a própria atmosfera da gravação do PINK FLOYD. Muitas falas que permeiam as músicas foram gravadas em entrevistas com funcionários do estúdio, estimulados pelos músicos a falarem sobre os temas abordados.
As frases aparentemente perdidas nas músicas podem ganhar significado associando ao filme. Quando Dorothy segue para a Cidade das Esmeraldas, para que o todo poderoso Mágico de Oz (Frank Morgan) possa leva-la de volta ao Kansas, encontra no caminho o Espantalho (Ray Bolger, que em meio a tantos talentos consegue se destacar pela qualidade da interpretação de seu cômico Scarecrow), que segue com ela em busca de um cérebro, o Homem de Lata (Jack Haley), em busca de um coração, e o Leão Covarde (Bert Lahr) que busca coragem.
É impossível esgotar tudo o que há para dizer sobre a junção de três obras tão importantes para a literatura, cinema e música em um texto. Quem sabe em um livro. Mas é notável a relação entre essência e aparência trabalhada o tempo todo no enredo. O poder do Mágico, capilarizado em Oz, não passa de uma ilusão, assim como o medo que o sustenta, não é real, não vai além das fronteiras do indivíduo e só ganha força por uma ilusão coletiva.
A superação dos percalços que os personagens encontram não vem da magia. Ela pode até salvar, quando a bruxa boa faz nevar para anular o efeito soporífero das papoulas, mas essa é uma estratégia cinematográfica ausente na história original. A real solução para os problemas está dentro de cada indivíduo e muitas vezes só precisa de um olhar externo que lhe mostre o caminho com sabedoria. Percorrer o caminho é, portanto, indispensável para a aprendizagem.
Para cobrir todo o filme "Dark Side of the Moon" deve ser executado por duas vezes e meia, ou seja, algumas músicas são repetidas três vezes e apesar da maioria das referências estarem na primeira execução, em todas é possível encontrar alguma correlação. O filme acompanhado pelo disco ficou conhecido como "Dark Side of the Rainbow". Inacreditavelmente fantástico.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



11 bandas de metal que são carregadas nas costas por um único integrante
A faixa do Guns N' Roses em que Axl Rose atingiu a nota mais alta de sua carreira
Nightwish tem novas músicas, mas só volta em 2028, afirma Tuomas Holopainen
Loudwire lista os 35 melhores discos de metal de 1991 e inclui brasileiro
Soundgarden fará show do intervalo na abertura da temporada 2026/27 da NFL
Paul McCartney elege os 3 maiores bateristas do rock de todos os tempos
O álbum de heavy metal preferido de Rob Halford, vocalista do Judas Priest
Como a morte da mãe de Bono deu origem à música que o U2 mais tocou ao vivo
Geddy Lee explica onde foi superado por músico do Angine de Poitrine
As três melhores músicas do Megadeth segundo Dave Mustaine
Astros do rock prestam homenagem a Dolly Parton
O som de guitarra que o Dire Straits conseguiu por acidente e nunca mais repetiu
Marty Friedman considera todos os álbuns do Garbage "fantásticos"
O cantor que Ian Anderson diz merecer respeito por ter o trabalho mais duro do rock
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide

McLaren batida em um muro pelo baterista do Pink Floyd é vendida por R$ 188 milhões
Roger Waters explica por que considera que "Wish You Were Here foi o último álbum do Pink Floyd"
David Gilmour aponta a melhor letra de Roger Waters - que o próprio autor acha "terrível"
Roger Waters explica por que o Pink Floyd descartou participação de Paul McCartney no "Dark Side"
O disco raríssimo que David Gilmour preferiu deixar enterrado; "Tenho tanta vergonha"
O solo de David Gilmour que se perdeu para sempre; "Você nunca fica 100% satisfeito"
A música do Pink Floyd que o vocalista do Creed ouviu todos os dias por um ano
Por que Roger Waters cortou Paul McCartney em "Dark Side of the Moon"?
O baterista que David Gilmour chamou de melhor do mundo após conseguir tocar com ele
A música que foi feita para preencher espaço em disco e virou um dos maiores clássicos do rock
David Gilmour elege a canção mais perfeita de todos os tempos


