Heaven & Hell: mistérios e autocensura na capa de álbum

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Por Invisible Kid, Fonte: Riffola.Org
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O HEAVEN & HELL (Tony Iommi, Ronnie James Dio, Geezer Butler, Vinny Appice) decidiu provocar a curiosidade dos fãs ao incluir um misterioso detalhe na capa de seu álbum "The Devil You Know", lançado em 28 de abril de 2009.


Tony Iommi, Ronnie James Dio, Geezer Butler e Vinny Appice adotaram o nome Heaven & Hell desde que se reuniram em 2007. A mesmíssima banda, junto com o tecladista Geoff Nicholls, já lançou três álbuns sob o nome Black Sabbath.

O disco que empresta seu título ao grupo, Heaven and Hell (1980), foi gravado com Bill Ward na bateria. Membro da formação original, Ward deixou a banda pouco depois. Vinny Appice foi chamado às pressas para que a turnê de lançamento pudesse continuar.

O primeiro álbum gravado com Appice foi Mob Rules (1981). Na época, Ozzy Osbourne, então em carreira solo, apelidou a formação de "Geezer e os três carcamanos" (Geezer and the three Wops), referência pouco simpática aos sobrenomes italianos de Iommi, Dio e Appice.

Mob Rules foi seguido pelo primeiro registro ao vivo lançado oficialmente pelo Sabbath, Live Evil (1982). Logo em seguida, Dio e Appice debandaram. Ward reassumiu seu posto atrás da bateria para o lançamento de Born Again (1983), primeiro e único com Ian Gillan nos vocais. Seu Deep Purple estava inativo na época.

Após a saída de Gillan para reunir o Purple, em 1984, Iommi atravessou sete anos de grande instabilidade, permanecendo como único membro original em inúmeras formações de curta duração. As idas e vindas perduraram até que, como um arco-íris no escuro, Dio, Geezer e Appice retornaram de uma vez só para gravar Dehumanizer (1992), considerado o álbum mais pesado da história da banda.

Ao fim da turnê do Dehumanizer, Iommi propôs que o Sabbath fizesse dois shows extras na Califórnia (EUA), abrindo para a banda de um cara chamado Ozzy. Dio, já livre de compromissos contratuais com a banda, pulou fora. A recusa proporcionou duas noites históricas: emprestado pelo Judas Priest, Rob Halford cobriu sua ausência nos shows, em 14 e 15 novembro de 1992. Ele repetiu a experiência em 2004, quando Ozzy ficou doente.

Meses depois, o vocalista Tony Martin, que havia sido dispensado para o retorno de Dio, foi chamado de volta. Competente, ele segurou as pontas até a tão sonhada reunião de Iommi, Ozzy, Butler e Ward, em 1997. O retorno rendeu o duplo ao vivo Reunion (1998). O álbum contém as duas únicas faixas compostas desde a volta com Ozzy: Pyscho Man e Selling My Soul.

Com as atividades paralelas de todos os membros - principalmente Ozzy, com sua carreira solo e série de TV - houve um longo período de inatividade. Em 2004 e 2005, a banda se apresentou no Ozzfest, e em 2006 adentrou o Hall da Fama do Rock, homenageada pelo Metallica.

Foi quando a gravadora apresentou a idéia da coletânea The Dio Years (2007). Para o lançamento, Iommi e Dio criaram três novas músicas: The Devil Cried, Shadow of the Wind e Ear in the Wall. Com o sucesso da turnê posterior, o grupo lançou seu primeiro álbum de inéditas em 17 anos.

Os números na capa


O HEAVEN & HELL (Tony Iommi, Ronnie James Dio, Geezer Butler, Vinny Appice) decidiu provocar a curiosidade dos fãs ao incluir um misterioso detalhe na capa de seu álbum "The Devil You Know", lançado em 28 de abril de 2009.

A pequena figura de um anjo demoníaco, impressa entre o nome da banda e o título do disco, aparece cercada pelos números "25" e "41", sem nenhuma razão aparente. Esta é praticamente a única diferença entre a capa anunciada oficialmente e a versão que circulou na Internet alguns dias antes.

O site Black Sabbath Online, mantido há 14 anos pelo fã de carteirinha Joe Siegler, levantou algumas teorias a respeito:

– 41 poderia ser considerado como o número de anos desde o início do Black Sabbath (1968-2009; os primeiros ensaios aconteceram em 1967, ainda sob o nome "Earth", alterado alguns meses mais tarde);

– 25 + 41 = 66, o que poderia ter algo a ver com 666, "O Número da Besta";

– 41 é o número de músicas lançadas pelo Black Sabbath com Dio, incluindo as 14 faixas do "Live Evil" (1982) e descontando a faixa-bônus das versões norte-americana e japonesa do álbum "Dehumanizer" (1992). O número seria uma indicação de que banda cotinua sendo o Black Sabbath, apesar da mudança de nome.

Questionado sobre a validade dessas suposições, o contato de Joe Siegler na Rhino Records respondeu que nenhuma delas se aproxima do verdadeiro motivo. A empresária e esposa de Geezer Butler, Gloria, teria ido mais longe: "isso é o melhor que você consegue?", brincou.

Siegler alegou ter guardado para si outra solução para o mistério. "Um passarinho me contou que provavelmente estou certo, mas ainda preciso confirmar", relata o fã, cuja proximidade com a banda é suficiente para ele ter promovido o sorteio de uma cópia autografada do novo álbum.

Posteriormente o significado dos números foi revelado por Geezer Buttler.

“Vi toneladas de explicações em fórums na internet! E algumas delas são bem engraçadas! [risos]. Mas o verdadeiro significado por trás dele é bem simples. Nós sempre tivemos aquele demônio com asas, e a gravadora queria que o usássemos mais uma vez nesse álbum. Então pensamos que ao invés de fazermos a mesma coisa novamente, decidimos lançar mão de algo diferente. Apareci com um verso da Bíblia. É uma parte de Mateus, capítulo 25, versículo 41. O verso começa assim: ‘Então Ele dirá que aqueles à sua esquerda, ‘separem-se de mim, amaldiçoados, no fogo eterno que foi preparado pelo demônio e seus anjos’. O verso fala sobre aqueles que se sentam à esquerda de Deus, que irão para o inferno. É isso.”


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A inspiração da capa? Satan, claro!

A dúvida em torno dos números é um caso à parte. A capa chama muito mais a atenção pelo forte conteúdo retratado. A macabra figura veio diretamente de uma ilustração criada pelo norueguês Per Øyvind Haagensen, conhecido por suas contribuições para jogos digitais como "Lord of The Rings: The Conquest" e "Age of Conan - Hyborian Adventures".


A análise da figura original revela uma espécie de autocensura no processo de criação da capa. O recorte aproveitado pela banda omite as mãos do homem decapitado que o demônio segura. Com isto, a identidade da vítima não fica evidente; pode ser um homem qualquer. A imagem completa também revela uma série de outros crucifixos no céu, enquanto somente dois aparecem na versão do CD.

Uma capa brutal, repulsiva, revoltante e nada original. Ou seja: perfeita.

Estamos falando de vendas. A meta dos que comercializam música sempre se resumiu a ganhar destaque nas prateleiras. Com a demanda por CDs em queda livre, chegou a hora de intensificar os apelos.

Que tal um demônio de três línguas segurando 'um certo alguém' sem cabeça e crivado de pregos? A cobra é um acompanhante mais do que óbvio. Como bônus, um ou dois crucifixos. Não se esqueça de colocar 'Devil' no título. Apenas um procedimento padrão...

A escolha de uma ilustração pré-existente é outro indicador. De posse do original criado por Per Haagensen, qualquer pessoa que tenha feito o curso 'Aprenda edição de imagens dormindo' faria o trabalho em menos de uma hora. Alguém falou em diminuir custos e tempo de produção?

Já são quase 40 anos desde o álbum de estréia, e o Sabbath nunca lançou uma capa tão chocante. A aposta tem ares de última cartada: quem sabe como estará a indústria fonográfica dentro de 1 ou 2 anos? Recuperar agora o tema satânico pode causar alguma polêmica, bem-vinda e lucrativa. Além do mais, sempre haverá adolescentes interessados em chocar suas mamães. E esse foi o melhor que puderam fazer...

Felizmente, a 'obra de arte' vem acompanhada de 10 faixas assinadas por alguns do maiores nomes da História do metal. Quem precisa da embalagem?

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