Ratos de Porão: em 2022, ainda totalmente sujos e agressivos
Resenha - Necropolítica - Ratos de Porão
Por Alexandre Veronesi
Postado em 23 de julho de 2022
Com mais de 4 décadas ininterruptas de atividade, o RATOS DE PORÃO há muito se tornou uma verdadeira entidade da música pesada, não apenas no Brasil, mas em todo o planeta, e naturalmente dispensa maiores apresentações. Pondo fim a um hiato de longos 8 anos - desde "Século Sinistro", de 2014 - o quarteto formado por João Gordo (vocal), Jão (guitarra), Juninho (baixo) e Boka (bateria) finalmente disponibilizou o seu muito aguardado 14º álbum cheio, ardilosamente batizado de "Necropolítica", lançado no dia 13 de Maio pela Shinigami Records.
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O registro foi integralmente gravado no Family Mob, conceituado estúdio de São Paulo. A produção artística ficou a cargo da própria banda, enquanto mixagem e masterização foram realizados por Fernando Sanches, do Estúdio El Rocha. Tais elementos, entre outros, tiveram a responsabilidade de esculpir a parede sonora de "Necropolítica", que ostenta um timbre bastante pujante e robusto, onde todos os instrumentos (e voz, é claro) obtiveram grande evidência.
Devo confessar que os primeiros minutos da bolacha, com "Alerta Antifascista", causaram-me um "quê" de preocupação, pois apesar de sua temática contundente (como é de praxe), a faixa se mostra um tanto quanto genérica e enfadonha, soando como uma versão bem menos inspirada de "Conflito Violento", tema que abre o trabalho anterior. Entretanto, pude respirar aliviado ao notar que os deslizes do disco param por aí, e o que recebemos na sequência é um verdadeiro soco violento no estômago, tamanha a brutalidade e o inconformismo presentes em cada uma das demais canções do repertório.
Gustavo Anunciação Lenza | Luis Alberto Braga Rodrigues | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Todas as letras foram compostas pelo frontman João Gordo (com exceção da sugestiva "Bostanágua", assinada por Jão), e giram em torno do perturbador contexto político e sanitário que atravessamos, por enfrentar uma pandemia global tendo acima um governo desumano e absolutamente negligente, para dizer o mínimo.
Em termos de composição e sonoridade, "Necropolítica" é RDP em toda a sua essência. As músicas variam entre o extremo e mais veloz Hardcore/Crossover ("Aglomeração", a faixa-título "Necropolítica", "G.D.O." e a supracitada "Bostanágua"), o Thrash Metal ("Passa Pano pra Elite", "Guilhotinado em Cristo", "Entubado" e "Neo Nazi Gratiluz"), e experimentações em doses homeopáticas (na cadenciada "O Vira Lata"), sempre carregando as características primárias e diferenciais do grupo: agressividade excessiva, urgência, sujeira e (relativa) pouca polidez. As performances individuais dos músicos são, como de costume, excepcionais: Gordo grita a plenos pulmões, como se não houvesse um amanhã; as cordas, compartilhadas por Jão e Juninho, destacam-se pela pulsante onipresença e criatividade, dentro de seus já conhecidos respectivos estilos; e o modo "direto e reto" de tocar bateria de Boka se encontra mais afiado e efetivo do que nunca.
Em suma, é justo dizer que, mais uma vez, o lendário RATOS DE PORÃO não decepcionou. "Necropolítica", provavelmente, não terá lugar de privilégio em futuras conversas sobre a discografia básica/essencial da banda, mas não se engane: trata-se, ainda assim, de um exímio e poderoso trabalho, que para além da sonoridade esmagadora, servirá como um eficiente registro histórico deste fatídico cenário no qual nosso país ainda se encontra engolfado.
Ratos de Porão - Necropolítica
Gravadora: Shinigami Records
Data de lançamento: 13/05/2022
Tracklist:
01 - Alerta Antifacista
02 - Aglomeração
03 - Passa Pano pra Elite
04 - Necropolítica
05 - Guilhotinado em Cristo
06 - O Vira Lata
07 - G.D.O.
08 - Bostanágua
09 - Entubado
10 - Neo Nazi Gratiluz
Formação:
João Gordo - vocal
Jão - guitarra
Juninho - baixo
Boka - bateria
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