The Night Flight Orchestra: uma viagem à era dourada do Rock
Resenha - Aeromantic II - Night Flight Orchestra
Por Alexandre Veronesi
Postado em 16 de outubro de 2021
Concebido no ano de 2007, o então projeto paralelo THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA, co-fundado por Björn "Speed" Strid e David Andersson - parceiros de banda no Soilwork - demorou cinco longos anos para debutar com o álbum "Internal Affairs" (2012), mas, partindo deste ponto, não tardou para que o grupo simplesmente decolasse, alcançando uma posição de destaque dentro do cenário mundial. A razão de tal sucesso é relativamente simples de entender: os músicos envolvidos no projeto - incluindo o renomado baixista Sharlee D'Angelo, do Arch Enemy e ex-Mercyful Fate - conseguiram equilibrar com extrema competência, refinamento e bom gosto, elementos sonoros e estéticos de amplo sucesso nas décadas de 70 e 80, e estamos falando de um leque que abrange desde Hard Rock, AOR, Heavy Metal e Rock Progressivo, até Funk, Disco e Synth Pop. Estas e outras influências foram misturadas e batidas em um liquidificador, e os fãs, sejam aqueles mais nostálgicos ou os curiosos, regozijaram-se com o resultado. O ápice veio em 2017, quando a banda, recém-assinada com a gravadora Nuclear Blast, disponibilizou o excelente "Amber Galactic", seu terceiro registro de estúdio, que os proporcionou, entre outros louros, uma indicação ao Grammy sueco, na categoria "Melhor Álbum de Rock/Metal" (o que também aconteceu no ano subsequente com o disco "Sometimes The World Ain't Enough").
Em Fevereiro de 2020, o supergrupo atacou com "Aeromantic", o capítulo inicial de uma saga cujo conceito remete à prática da aviação, idealizada pela banda desde os seus primórdios, que se revela a metáfora para uma verdadeira viagem ao universo melódico e atmosférico do passado - o que inclui a identidade visual totalmente piegas - no qual o ouvinte se torna o grato passageiro de um túnel do tempo, vivenciando assim uma sonoridade pouco praticada e parcialmente esquecida nos dias atuais. "Aeromantic II", lançado no início de Setembro do ano vigente, com distribuição em território nacional pela Shinigami Records, é a segunda parte desta ousada e heroica aventura.
Pode-se até dizer que a fórmula adotada pelo grupo já apresenta um certo desgaste, e as composições talvez não disponham da mesma inspiração de outrora, mas ainda assim, o trabalho do TNFO permanece bastante divertido, e principalmente, relevante. Faixas como "Burn For Me", "Chardonnay Nights", "Change" e "White Jeans" - as quatro detentoras de videoclipes burlescos - dão o tom da obra, que ao mesmo tempo que se mostra irreverente, despojada e espirituosa, foi notoriamente concebida com um alto grau de seriedade e esmero, tamanha a qualidade de seus atributos técnicos, tanto em aspectos de produção quanto de execução. Além das canções supracitadas, destaca-se a trinca inicial "Violent Indigo", "Midnight Marvelous" e "How Long", para então, na segunda metade, o álbum transparecer uma certa decadência em termos de criatividade e brilho. Por sorte, somos ainda agraciados com as pérolas "Zodiac" e "Moonlit Skies", grandes responsáveis por elevar a qualidade do material mais uma vez no seu momento derradeiro, tornando o encerramento de alto nível.
Fato é que a proposta artística do THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA se mantém fiel e intocável desde o princípio, cabendo única e exclusivamente ao ouvinte escolher se irá ou não ingressar nessa saudosa e interessante realidade de tempos que não voltam mais. "Aeromantic II" é a continuidade natural não apenas de seu antecessor, mas de todo um trabalho apaixonado que vem sendo gradativamente desenvolvido ao longo de mais de uma década.
The Night Flight Orchestra - Aeromantic II
Gravadora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 03/09/2021
Tracklist:
01 - Violent Indigo
02 - Midnight Marvelous
03 - How Long
04 - Burn For Me
05 - Chardonnay Nights
06 - Change
07 - Amber Through A Window
08 - I Will Try
09 - You Belong To The Night
10 - Zodiac
11 - White Jeans
12 - Moonlit Skies
Formação:
Björn "Speed" Strid - vocal
David Andersson - guitarra
Sharlee D'Angelo - baixo
Jonas Källsbäck - bateria
Sebastian Forslund - percussão e guitarra
Anna-Mia Bonde - vocal de apoio
Anna Brygård - vocal de apoio
John Lönnmyr - teclado
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Rockstar Games divulga rádio de GTA 6 com Kerry King e Tom Araya
Amanda Somerville se manifesta após diagnóstico de tumor cerebral agressivo
A música que o Black Sabbath escreveu para "A Hora do Pesadelo 3"
Rolling Stones voltam ao estúdio apenas três meses após lançar novo álbum
Teria o movimento punk zoado o Black Sabbath por pertencer a um "mundo antigo"?
Dave Lombardo ainda escuta thrash metal? O próprio responde
Como seria o Pink Floyd se Syd Barrett tivesse permanecido na banda?
12 bandas de rock que contam com apenas um membro original na formação
O que realmente significa quando um álbum é lançado em versão remasterizada?
Quando George Harrison e um Ringo bêbado salvaram Eric Clapton de uma saia justa no Cream
Do início caótico ao último álbum, a discografia do Megadeth comentada por Mateus Ribeiro
Alice Cooper conta como reagiu ao assassinato de John Lennon
Tobias Forge (Ghost) reativa sua banda de death metal, Repugnant
Scott Ian (Anthrax) lembra "derrota" quando tentou acompanhar Lemmy na bebida
A música contra o capitalismo desenfreado que rendeu milhões para a banda



Carach Angren - Sete histórias para um inferno
Paura mira em velhos problemas humanos e entrega muito metalcore em "Primitive Chaos"
Flotsam and Jetsam entrega fúria e maturação em "Rats in the Temple"
Pride Of Lions Mantém a Tradição do AOR Clássico em "Unbridled"
Quase vinte anos do seu lançamento, "Over The Under" ainda soa vigoroso
Use sua ilusão: o pseudo disco perfeito do Guns N' Roses
30 anos de "A Tempestade" - o álbum que se tornou a despedida de Renato Russo
Os 40 anos de "Reign in Blood", obra-prima do Slayer e um dos maiores clássicos do thrash metal
Iron Maiden: Review do novo álbum publicado na revista Kerrang


