Liquid Tension Experiment: 22 anos depois, supergrupo retorna em ótima forma
Resenha - Liquid Tension Experiment 3 - Liquid Tension Experiment
Por Victor de Andrade Lopes
Postado em 19 de abril de 2021
Nota: 9 ![]()
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Era mera questão de tempo. Depois do lendário baterista Mike Portnoy voltar a gravar com seu ex-colega de Dream Theater John Petrucci - no caso, participando do segundo lançamento solo do guitarrista -, era natural que o quarteto de metal progressivo instrumental Liquid Tension Experiment acabasse ressuscitado cedo ou tarde. Pra nossa sorte, prevaleceu o "cedo".
Completado pelo inacreditável Jordan Rudess (tecladista que hoje está no Dream Theater mas na época do nascimento do LTE ainda era só um sondado) e pelo incontestável Tony Levin (baixista super requisitado), o supergrupo aproveitou a pandemia para conceber o seu terceiro disco de estúdio (desconsiderando os trabalhos lançados por variações do conjunto em formato de trio).
Previsivelmente intitulada Liquid Tension Experiment 3, a obra já abre com a intensíssima "Hypersound", que serve como uma espécie de "cartão de visitas enganoso". Os ouvidinhos delicados que chamam de "fritação" qualquer compasso que contenha mais de uma ou duas notas já sabem desde o início que este álbum não é para eles. Ao mesmo tempo, porém, o trabalho nem sempre é sobre solar até sangrar os dedos.
Na verdade, a música que ouvimos aqui é mais ou menos o que o Dream Theater faria hoje se Mike Portnoy não os tivesse deixado. E é exatamente por isso que achar que Mike voltará ao grupo por conta destas colaborações recentes é inocência, e nada mais.
Outras faixas que valem comentários incluem "Rhapsody in Blue" é um dos destaques, com um clássico da música erudita estadunidense assinado por George Gershwin se transformando em uma divertida e intrincada aventura sonora, com direito a uma longa passagem com uso de swell na guitarra; a música já era tocada por eles desde 2008 e esta passagem mais tarde inspiraria o longo (e belíssimo) solo de "The Count of Tuscany", joia do Black Clouds & Silver Linings (2009) do Dream Theater.
"Shades of Hope", o outro dueto (envolvendo a outra metade da banda) é o equivalente a uma balada, com grande destaque para John, recuperando momentos que remetem a "Funeral for a Friend" (cover que o Dream Theater costumava fazer na época do Derek Sherinian) e "The Best of Times".
"Chris & Kevin's Amazing Odyssey", continuação da série de duetos de Mike com Tony, é a mais experimental e surpreendentemente a menos interessante, seja comparando às demais faixas ou com as antecessoras da série. Mesmo para os fãs mais liberais, fica difícil de engolir uma peça que parece ter sido gravada com Tony arrastando seu baixo pelo estúdio como um cão morto na coleira.
O disco bônus nos traz a essência do quarteto: improvisação. São cinco canções bem mais livres, despretensiosas e sem rumo, mas que nos deleitam porque você pode facilmente imaginar os quatro juntos apenas jogando ideias uns para os outros sem abrir a boca. Só quem já teve o prazer de fazer isso sabe que a experiência é inigualável. Alguém poderia argumentar que é uma performance que só faz sentido para quem está lá realizando-a, mas, ei, é o disco bônus.
Conectando-se à discografia do Liquid Tension Experiment como se não fossem impressionantes 22 anos de distância, Liquid Tension Experiment 3 já está na lista de grandes lançamentos do ano antes mesmo de finalizarmos o primeiro terço dele.
Abaixo, o vídeo de "Hypersonic".
FONTE: Sinfonia de Ideias
https://sinfoniadeideias.wordpress.com/2021/04/18/resenha-liquid-tension-experiment-3-liquid-tension-experiment/
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