Fatima: fundindo Grunge, Stoner e Doom Metal
Resenha - Turkish Delights - Fatima
Por José Sinésio Rodrigues
Postado em 22 de abril de 2020
Nota: 7 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Quando eu ouvi o som do trio FATIMA, da França, a primeira coisa que pensei foi: "Ué! O Kurt Cobain ressuscitou e tá cantando numa banda de Stoner Metal?". A coisa vai exatamente nesta direção: temos aqui uma banda que faz um Stoner Metal fundido com algumas passagens evidentes de Doom Metal, instrumental desleixado tipicamente Grunge e com vocalização idêntica à do Kurt Cobain, o falecido cantor do NIRVANA. Não que isso seja algo ruim; pelo contrário, a voz do sujeito se casa muito bem com o instrumental do FATIMA. O único problema é que, ao longo do tempo, o vocal corre sério risco de se tornar enfadonho, tal como ocorria com o próprio NIRVANA. Outra coisa que aproxima o FATIMA do NIRVANA é o instrumental sem complexidade, direto. E aí percebemos que a sonoridade da banda também se aproxima do Grunge.
Falemos especificamente do álbum Turkish Delights, que os sujeitos lançaram em abril de 2020. Os refrãos se mantêm arrastados e os riffs embaçados, com uma distorção preguiçosamente arrastada. Em meio a tudo isso, o baixo se destaca, sendo muito bem tocado. A primeira faixa do álbum é "Charly Chang", que é um resumo sumário de tudo o que eu disse até aqui: instrumental pesado, musicalidade rápida e sem complexidade e a voz do Kurt Cobain – ops, do vocalista – se mostrando barulhenta e parecendo revoltada. A faixa "Saliva Bath", a seguir, vai na mesma linha da anterior, mas tendo um refrão ligeiramente mais interessante e umas partes melhor trabalhadas, com o baixo mais perceptível. "Toy Poodle", a seguir, é mais marcante, apesar de não ter propriamente um refrão inesquecível. Mas o andamento da mesma, bem como a atmosfera Doom Metal que dela exala, já vale a pena. Música escancaradamente com cara de Stoner/Doom. "Concubines Of Salem", por sua vez, já começa rápida e pesada e tem o refrão mais marcante mostrado até aqui. Os berros do vocalista remetem indubitavelmente a Kurt Cobain. Música que vale a pena. "Gooey Syrup"é diferenciada, trazendo sonoridade que remete à música oriental, com um refrão marcante. Aí, a coisa fica ligeiramente mais interessante. "Peter Pan Tights" consegue ser igualmente interessante, apresentando um bom refrão e instrumental bem explorado. Inclusive, esta é a faixa com instrumental melhor explorado em todo o álbum. "Rub The Lamp" vem com o baixo bem perceptível. Quando surge o vocal, vemos uma semelhança inegável com algumas partes da música "Smells Like Teen Spirit", do NIRVANA, mas evidentemente com instrumental solidamente melhor e mais pesado. Fechando o álbum, temos a faixa "Hyena", que também tem refrão marcante, com os instrumentos sendo muito bem utilizados. É uma música bem direta, a mais curta do álbum, com menos de três minutos.
Resumindo: a banda FATIMA deixa evidente que ainda há vida inteligente no Grunge. Porém, é preciso ter em mente que também há evidentes aparições de Doom Metal e Stoner Metal em meio a tudo, o que enriquece ainda mais o trabalho dos sujeitos. O álbum todo tem 35 minutos e em vários momentos do mesmo é como se o MONSTER MAGNET houvesse se fundido ao MUDHONEY e ao NIRVANA, resultando numa banda que aprendeu a explorar muito bem o que todos estes grupos trouxeram de melhor.
Track List do álbum "Turkish Delights":
1. Charly Chang;
2. Saliva Bath;
3. Toy Poodle;
4. Concubines Of Salem;
5. Gooey Syrup;
6. Peter Pan Tights;
7. Rub The Lamp;
8. Hyena.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Angra realizará primeiro show da carreira na Finlândia
Graham Bonnet Band lança "The Fifth Force Of Nature", que traz participação de Bruce Dickinson
Johnny Ramone: o guitarrista que revolucionou o rock com três acordes faria 78 anos
O que realmente significa quando um álbum é lançado em versão remasterizada?
A música de 1984 que o Metallica tocou ao vivo uma única vez
Fabio Lione debocha de fala de Felipe Andreoli: "Inventaram hiato para eu sair do Angra?"
A situação inusitada (e fedorenta) que marcou gravação de clipe de Ozzy Osbourne
Epica esgota ingressos para show com orquestra e coral em São Paulo
Ninguém tinha sobrenome na casa onde os Rolling Stones gravaram "Exile on Main St."
Duff McKagan reflete sobre o dramático fim do Velvet Revolver
Amanda Somerville se manifesta após diagnóstico de tumor cerebral agressivo
Por que é importante que artistas se posicionem politicamente
A opinião de Marcelo Barbosa sobre o Angra que chocou Andre Matos: "No Brasil, só você"
Como seria o Pink Floyd se Syd Barrett tivesse permanecido na banda?
A origem satânica de "War Pigs", clássico anti-guerra do Black Sabbath
Como Digão encontrou Deus e se reconciliou com Rodolfo, segundo o próprio
O grave erro cronológico que Raul Seixas cometia para explicar música nos shows
Kiko Loureiro conta como Teemu Mäntysaari foi escolhido para ser guitarrista do Megadeth

Carach Angren - Sete histórias para um inferno
Paura mira em velhos problemas humanos e entrega muito metalcore em "Primitive Chaos"
Flotsam and Jetsam entrega fúria e maturação em "Rats in the Temple"
Pride Of Lions Mantém a Tradição do AOR Clássico em "Unbridled"
Quase vinte anos do seu lançamento, "Over The Under" ainda soa vigoroso
Use sua ilusão: o pseudo disco perfeito do Guns N' Roses
30 anos de "A Tempestade" - o álbum que se tornou a despedida de Renato Russo
Os 40 anos de "Reign in Blood", obra-prima do Slayer e um dos maiores clássicos do thrash metal
Iron Maiden: Review do novo álbum publicado na revista Kerrang



