Ozzy Osbourne: Ordinary Man vem reforçar que pop não é vilão no metal
Resenha - Ordinary Man - Ozzy Osbourne
Por Victor de Andrade Lopes
Postado em 22 de março de 2020
Nota: 9 ![]()
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Foram dez anos de espera. O lendário vocalista Ozzy Osbourne encerrou os anos 2000 com o bom, mas nada espetacular Scream, e esperou o fim da década seguinte para nos entregar Ordinary Man, o lançamento de estúdio seguinte.
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Neste meio tempo, juntou-se aos companheiros Tony Iommi e Geezer Butler para terminar a carreira da pedra fundamental do heavy metal, o Black Sabbath, de maneira absolutamente digna (termo que aqui significa "com um álbum excelente e uma turnê de despedida que parece realmente ter sido a última, diferente das turnês de despedida caça-níqueis que outras bandas vêm fazendo sem o menor pudor").
E o que o madman atinge com seu décimo segundo lançamento de estúdio? Bem, do lado de cá, nada de mais. Quer dizer, o que esta lenda viva ainda tem para provar para fãs ou crítica?
Por outro lado, parece que, ao menos para si, ele tinha muito a mostrar. Ao mesmo tempo em que dizia para a esposa Sharon que precisava lançar um disco, dizia a si mesmo não ter forças para isso.
Felizmente, ele encontrou a tal força - no caso, na juventude. Aos 29 anos, Andrew Watt assina a produção do trabalho e é considerado por Ozzy como o responsável por arranjar a disposição que ele precisava para concretizar o projeto.
Além do óbvio (heavy metal dos bons), Ordinary Man traz um toque especial: pop. Puro e simples. Quer dizer, misturado ao metal. Não é exatamente uma novidade na discografia dele, mas vem aqui em doses acima do que seria considerado "aceitável" pelos bangers puro-sangue.
Mas não de maneira desmedida. A jornada musical começa forte com "Straight to Hell", um heavy metal cru e direto (para os padrões aqui estabelecidos). Momentos como "Eat It" repetirão essa roupagem mais pé no chão, em oposição às quase-baladas "All My Life" e "Holy for Tonight".
A terceira canção, que faz a ponte entre os dois grupos, acabou levando o nome de "Goodbye" (adeus), mas este nome faria todo sentido na peça que acabou sendo a faixa-título.
Histórica, ela traz o "Príncipe das Trevas" acompanhado de Elton John no piano e nos vocais, Slash e Duff McKagan (ambos do Guns N' Roses) na guitarra e no baixo, respectivamente, e Chad Smith (Red Hot Chili Peppers) na bateria. Haja talento! O clipe e a letra vêm em tom melancólico de retrospectiva e despedida.
"Under the Graveyard", primeira faixa divulgada, já chamou a atenção por sua roupagem alternativa, mas o que a torna ainda mais interessante é o clipe, que equilibra tons de arrependimento (por ter passado dos limites nas noitadas quando era jovem) e de agradecimento (por nunca ter sido abandonado pela companheira Sharon, com quem segue casado até hoje).
"It's a Raid" é uma parceria com Post Malone, que finalmente pode se dizer o "rockstar" que dá nome à sua canção mais famosa. Com toques punk, o caldeirão musical envolve ainda o guitarrista Tom Morello.
Esta não é a primeira colaboração do madman com o rapper; no ano passado, eles já haviam atuado juntos em "Take What You Want", música de Post que conta ainda com outro rapper, Travis Scott. A faixa figura no próprio Ordinary Man como lançamento bônus das edições em CD, cassete e digital. Os japoneses, como sempre, ganham um mimo: "Darkside Blues", uma breve peça com ares de demo em que Ozzy canta e toca gaita sobre um riff acústico e uma batida simples.
E não poderia deixar de destacar "Today Is the End" e "Scary Little Green Men", com suas letras-crônicas na melhor escola Raul Seixas.
O disco, como dito, tem um apelo pop óbvio na adoção de elementos modernos. Mas esses fatores não precisam ser "vilões", como muitos acham. Ozzy nunca foi tão apegado assim a um som mais cru dos anos 1970. Muito pelo contrário, ele lentamente foi na contramão das bandas ditas "das antigas" que fazem o tal do "rock sem frescuras".
Se este tiver sido o último álbum dele - os fatalistas acreditam que seja, devido à saúde do cantor e ao tom de despedida de "Ordinary Man" - então podemos concluir com segurança que ele fechou com chave de ouro sua frutífera carreira. Pode morrer como qualquer coisa, menos como o "homem qualquer" que dá título à obra.
Abaixo, o clipe de "Under the Graveyard":
Track-list:
1 "Straight to Hell"
2 "All My Life"
3 "Goodbye"
4 "Ordinary Man"
5 "Under rhe Graveyard"
6 "Eat Me"
7 "Today Is the End"
8 "Scary Little Green Men"
9 "Holy for Tonight"
10 "It's a Raid"
11 "Take What You Want" (faixa bônus da edição em CD, cassete e digital)
12 "Darkside Blues" (faixa bônus da edição japonesa)
Fonte: Sinfonia de Ideias
https://bit.ly/ozzy2020
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