Ozzy Osbourne: apesar de irregular, novo álbum emociona quem é fã
Resenha - Ordinary Man - Ozzy Osbourne
Por Ricardo Seelig
Postado em 23 de fevereiro de 2020
Primeiro álbum solo de Ozzy Osbourne em uma década, "Ordinary Man" é o sucessor de "Scream" (2010) e traz o Madman acompanhado de uma banda formada pelo guitarrista Andrew Watt (que tocou ao lado de Glenn Hughes no California Breed e também é o produtor do disco), pelo baixista Duff McKagan (Guns N’ Roses) e pelo baterista Chad Smith (Red Hot Chili Peppers, Chickenfoot). O trabalho conta também com participações de Slash (em "Straight to Hell" e "Ordinary Man"), Elton John (que toca piano e divide os vocais na faixa que batiza o disco) e Tom Morello (em "Scary Little Green Men"), além dos rappers Post Malone (em "It’s Raid" e "Take What You Want") e Travis Scott (em "Take What You Want"). Ao todo são onze canções inéditas em 49 minutos.
Ozzy Osbourne - Mais Novidades
Ainda que seja louvável ouvir Ozzy ativo e produtivo aos 71 anos, depois de diagnosticado com Mal de Parkinson e adiando a turnê de lançamento do trabalho contínuas vezes por problemas de saúde, é inegável que "Ordinary Man" é um álbum irregular. E não teria como ser diferente, já que ele reflete o momento do cantor. Quedas domésticas, doenças crônicas e problemas neurológicos depreciativos fazem parte do cotidiano atual de Ozzy, infelizmente, e são questões impossíveis de fugir. Elas impactam a produção criativa do eterno vocalista do Black Sabbath, que mesmo assim preferiu não se esconder atrás do mito que é, vindo à tona com um novo álbum quando ninguém mais ainda esperava por isso.
A primeira parte de "Ordinary Man" soa exatamente como o Ozzy pós-"No More Tears" (1991), e canções como "Straight to Hell" e "Goodbye", e principalmente o trio de arrepiantes baladas "All My Life", "Ordinary Man" e "Under the Graveyard", vêm acompanhadas por uma carga autobiográfica e emocional gigantesca nas letras. É Ozzy olhando para a sua vida, refletindo sobre a sua trajetória e concluindo a sua história. Essas cinco faixas são o ponto forte do trabalho e estão entre as melhores que o vocalista gravou em quase trinta anos.
Ecos de Black Sabbath podem ser sentidos desde a introdução da primeira música, com os clássicos "Allright, now!" e "Come on, now!", na homenagem consciente à clássica "Iron Man" no início de "Goodbye" e no resgate da harmônica de Ozzy, eternizada em "The Wizard" e ressuscitada aqui em "Eat Me". "Today is the End" soa como pai olhando para o filho, com Ozzy aproximando-se do Metallica dos tempos de "Load". "Scary Little Green Men" e a Beatle "Holy for Tonight" fecham algo que poderia ser chamado de "tracklist normal" de "Ordinary Man", e a conclusão após ouvir essas nove faixas é que o disco mantém a média de Ozzy a partir de "Ozzmosis" (1995). Ou seja: um trabalho mediano com algumas canções marcantes, mas que não compromete a trajetória de um dos maiores personagens da história do rock.
A discussão principal está nas duas últimas canções, que trazem Ozzy ao lado dos rappers Post Malone (cuja carreira conta com Watt como produtor) e Travis Scott. A primeira é uma espécie de punk rock repleto de energia e que, apesar de não possuir nada em comum com a sonoridade do Madman, não chega a comprometer – ainda que o clima juvenil na linha Green Day não seja necessariamente um elogio. A coisa sai realmente dos trilhos em "Take What You Want", onde Ozzy serve apenas de escada para uma canção que está totalmente alinhada com o universo sonoro de Post Malone e conta com Travis Scott como convidado especial. Se estivesse em um disco de Post Malone, não geraria discussão. Em um álbum de Ozzy ela soa totalmente deslocada, ainda mais porque o Madman é um coadjuvante na canção, que tem claramente Malone como protagonista. Talvez "Take What You Want" chame a atenção de uma nova geração de ouvintes para o trabalho de Ozzy, já que Post Malone é um dos nomes mais populares do pop atual, mas o fato é que a canção soa totalmente à parte de tudo que veio antes em "Ordinary Man".
Um ponto que precisa ser mencionado é que a produção é muitas vezes exagerada, com timbres plastificados e artificiais, e o vocal de Ozzy soa quase como uma caricatura em diversos momentos. Porém, devido à toda contextualização sobre o momento atual do vocalista, "Ordinary Man" me parece muito mais como um grito de "ei, ainda estou vivo e produtivo" do que um disco que chegaria para bater de frente com obras inquestionáveis como "Blizzard of Ozz" (1980), "Diary of a Madman" (1981) e "No More Tears" (1991).
Ainda que irregular e com falhas claras, "Ordinary Man" mostra que Ozzy segue como pode e do jeito que dá. E, a essa altura do campeonato e com tudo que está acontecendo em sua vida, isso é o mais importante.
Outras resenhas de Ordinary Man - Ozzy Osbourne
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Clássico dos anos 2000 supera 3 bilhões de plays no Spotify
O baterista que é um "músico bom em banda ruim", segundo Regis Tadeu
A banda sem frescura que tinha os melhores músicos do rock, segundo Joe Perry
Cartaz oficial do Bangers Open Air é divulgado pela organização do festival
A maior banda de rock de todos os tempos, segundo Mick Fleetwood
O guitarrista brasileiro que ouviu a real de produtor: "Seu timbre e sua mão não são bons"
Manowar se manifesta em solidariedade ao guitarrista Ross the Boss
Como Angela Gossow se juntou ao Arch Enemy, de acordo com Michael Amott
Angela Gossow comenta em postagem de Michael Amott e fãs se empolgam
A banda europeia de metal com milhões no Spotify cujo integrante trabalha como bombeiro
A música que deixou Ritchie Blackmore sem reação em 1970; "um som grande, pesado"
Mille Petrozza (Kreator) admite que ficaria entediado se fizesse um álbum 100% thrash metal
Como Ringo Starr, Isaac Azimov e Lúcifer inspiraram um dos maiores solos de bateria do rock
"Esse disco acabou com minha paixão pelo heavy metal": Sergio Martins revisita clássico
A diferença entre o power metal americano e o europeu, segundo baixista do Symphony X

Ozzy Osbourne: Novo álbum é um testamento em forma de música
A música de Ozzy que atingiu o topo das paradas, mas não aparece nas coletâneas "Best Of"
Ozzy Osbourne ganha Boneco de Olinda em sua homenagem
O cover mais "sinistro" de uma música sua que Ozzy Osbourne ouviu
A melhor música do Led Zeppelin de todos os tempos, segundo Ozzy Osbourne
Zakk Wylde conta como escreveu "Ozzy's Song" para o novo álbum do BLS
Lzzy Hale relembra conversa inusitada com Axl Rose nos bastidores de último show de Ozzy
Halestorm precisou mudar música que tocaria no "Back to the Beginning"
"Encontrei Ozzy lá em 1773", diz Tommy Aldridge ao contar como conheceu o madman nos anos 70
Fita com registro de ensaio de Ozzy Osbourne em 1979 é encontrada
Morte de Ozzy Osbourne aproximou a família, diz Kelly
O disco que "furou a bolha" do heavy metal e vendeu dezenas de milhões de cópias


