Matriarca: Mais um registro de peso de Florianópolis
Resenha - Leather Heart - Matriarca
Por Luis Fernando Ribeiro
Postado em 02 de fevereiro de 2020
A cena Heavy Metal de Florianópolis, SC, ganhou recentemente mais um registro de peso no seu cenário em plena ebulição. Acompanhando importantes lançamentos dos últimos anos em terras catarinenses (Vide bandas como RED RAZOR e RAGING WAR, entre tantas outras), a MATRIARCA, fundada em meados de 2014/15, lança seu primeiro EP, intitulado "Leather Heart", que já nasce com o status de um dos discos mais pesados e criativos lançados no estado.

Misturando pitadas de Classic Rock, Heavy Metal Tradicional e Metal Extremo naquilo que a própria banda vem chamando de Extreme Rock ‘n’ Roll, suas variadas influências servem apenas como plano de fundo para a originalidade do som praticado pelo quarteto, formado por Lucas Miranda (Guitarra/Vocal e Compositor principal), Willian Bernardo (Vocal), Gabriel Porto (Bateria) e Daniel Rosick (Baixo) e produzido por Júlio Miotto.
Ouvi o disco incansavelmente na oportunidade de seu lançamento e voltei a escutá-lo mais recentemente para escrever a respeito e me certificar de que era realmente tão bom quanto antes ou se não se tratava de mera empolgação momentânea. A surpresa boa é o que o disco fica ainda melhor, mais sólido e convincente a cada nova audição e aqui estão minhas impressões a respeito desses cinco excelentes petardos.
A faixa título abre o disco e pega o ouvinte desatento de surpresa quando os riffs à la Phil Campbell, totalmente calcados no Heavy e Rock ‘n’ Roll clássicos, são sucedidos pelos vocais demoníacos de Will. O Black, Death, o Thrash, o Rock ‘n’ Roll e o Heavy Metal são todos jogados no mesmo bolo e dessa receita improvável surge um som arrebatador e surpreendentemente bom. Essa combinação pode não ser novidade para os fãs da música pesada, mas poucas vezes antes um registro com tamanha miscelânea me chamou e prendeu a atenção pela qualidade e por não soar completamente perdido como em outros casos, remetendo-me com propriedade ao SATYRICON e ao que o Abbath (IMMORTAL) fez em "Between Two Worlds", do seu projeto solo I.
"Leather Heart" abre com a faixa homônima onde, afora os vocais, a sonoridade é bastante tradicional e direta, com riffs pesados, solos muito bem posicionados e executados, bateria pesada e sem firulas, baixo rosnante e coros nos moldes do EXODUS, como se a banda quisesse preparar o terreno, dando uma introdução a sua fórmula, que seria melhor explorada no decorrer do álbum. Segundo Lucas, compositor da música, seu riff principal surgiu quase sem querer, ao apresentar a ideia da sonoridade da banda para o então futuro vocalista, Willian.
"Carried by Southern Wind" surge com uma pitada maior de peso que a anterior, flertando com o Hardcore e com destaques particulares notórios. Se a anterior introduziu ao disco, a segunda faixa parece apresentar um por um dos músicos e suas qualidades e características individuais, indo da abertura puxada pela bateria e sua condução bastante variada até os pedais duplos muito bem explorados na parte mais extrema da música, das partes cantadas mais declaradamente até os inspirados urros demoníacos, dos riffs "sujos" e precisos (E uma pegada que me lembrou o RAGE em "Soundchaser") ao belíssimo e bem trabalhado solo, da linha cavalgante de baixo até o momento que a banda silencia para a cozinha mostrar seu entrosamento (Remetendo a sonoridade do TORTURE SQUAD em "Æquilibrium"). A condução da música em sua parte final é um convite irrecusável a bater cabeça.
Em "Holes to Bury the Dead" a banda pisa no acelerador. O lado mais clássico do Rock e do Heavy são deixados um pouco mais de lado e o peso come solto num Thrash veloz e vigoroso, com destaque para a passagem por volta dos 2:20 de música que mostra todo o entrosamento dos músicos. Dessa parte em diante a música oscila seus tempos e o clima de maneira impecável, com solos de guitarra e baixo, riffs encorpados, passagens intrincadas e quebras de ritmo de um bom gosto e de uma técnica indiscutíveis. A música deve funcionar muito bem ao vivo, o que pode ser conferido no registro que a banda gravou e disponibilizou no YouTube de sua mais recente apresentação, no próprio canal da banda.
A minha favorita, "Io, Saturnália" segue o caminho contrário de sua antecessora, começando com uma pegada bem Heavy e do meio em diante a banda toda parece ter sido possuída pelos ritos de invocação bradados em "Baco, Ínuo, Príapo, Fama. Profano rito. Maculo da alma" e o som se torna épico, sombrio, extremo e demoníaco. A interpretação e a sonoridade são tão bem executadas que a canção chega a ser amedrontadora. Destaque também para os excelentes backing vocals e para a parte lírica muito bem construída que mescla trechos em Inglês, Português e Latim.
"Insidious Doctrine" foi a primeira composição da banda, mas aqui ela é responsável por fechar o EP com chave de ouro, pesadíssima, encorpada e direta ao ponto, numa mistura interessante de peso e boas melodias, deixando o ouvinte, em especial esse que vos escreve, com as expectativas lá em cima por um primeiro full-length da banda, que, apesar deste lançamento recente, vive algumas incertezas de ordem pessoal em relação a seu futuro. Quem curtir o disco ficará na torcida para que a carreira da MATRIARCA se consolide e nos brinde com inúmeros outros lançamentos com a qualidade desde EP de estréia.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Falling in Reverse lança "Joseph" com Corey Taylor e Serj Tankian em colaboração inédita
Loudwire coloca álbum do Angra como "melhor álbum de progpower" da história
Edu Falaschi revela as músicas que gravou para tentar vaga no Iron Maiden
A criança que irritou Joey Ramone a ponto de inspirar um clássico dos Ramones
O hit da Legião Urbana que foi mal interpretado como apologia ao fascismo
Kiss anuncia box-set super deluxe do álbum "Rock and Roll Over"
As quatro bandas que Dave Mustaine incluiria em um novo Big Four
Garotos Podres lança clipe animado "Tá Na Hora di Naná"
Cheetah Chrome fez participação no clipe de "Pet Sematary", dos Ramones
O álbum que ajudou Keith Richards a salvar sua relação com os Rolling Stones
U2 volta ao Brasil no início de 2027, diz portal de notícias
O disco do Iron Maiden com Blaze Bayley que a Metal Hammer considera "metade de um clássico"
As duas músicas do Judas Priest que Rob Halford detesta: "Lixo, só clichês"
Augusto Licks sobre circunstâncias da saída dos Engenheiros do Hawaii: "Foram injustas"
Nicko McBrain diz que voltaria a tocar e gravar com Iron Maiden com condição
A excepcional música do Metallica que Max Cavalera gostaria de fazer cover
Scorpions: a história por trás da música "Wind of Change"
A banda nova que fez Paulo Ricardo sentir que o rock está voltando às paradas

Relevante como nunca, Totalitär retorna após vinte anos com EP furioso
Herman Frank - O motor barulhento, rápido e construído para rodar
Entre nostalgia, legado e recomeços, Beseech apresenta seu 7º álbum de estúdio
Veterano Sacrifice mostra que continua afiado como nunca no ótimo "Volume Six"
O álbum pesado e melancólico do Soilwork que ajudou a salvar a minha vida
Black Sabbath: Born Again é um álbum injustiçado?



