Avantasia: Um som fantástico que mistura vários estilos

Resenha - Moonglow - Avantasia

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz
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O Avantasia, supergrupo de Ópera-Rock do Tobias Sammet, conhecido pela sua banda Edguy, é um daqueles projetos que eu adoro seguir sempre. Isso porque eles fazem um som fantástico, que mistura vários estilos, como o Heavy Metal, o Hard Rock, a música celta e folk, música pop, enfim, tem uma variedade de sons, sem contar que sempre conta com vocalistas de peso, como Jørn Lande (Jorn), Eric Martin (Mr. Big), André Matos (Angra, Shaman, Viper, solo), Michael Kiske (Helloween), e por aí vai, todos nomes de muito peso no meio Metal e Rock.

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Acompanho os caras já a muito tempo, desde a época das duas primeiras metal-óperas lançadas com caras como o nosso já saudoso André Matos. Na verdade eu ia fazer essa resenha do álbum Moonglow, novo disco do Avantasia lançado em Fevereiro deste ano, ainda na metade do ano, estava programado para mim, mas a morte repentina do Matos atrapalhou tudo e me fez suspender a ideia. Mas eu decidi falar do disco novo agora, antes do ano acabar.

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O Avantasia também já havia lançado um disco em 2016, o Ghostlights, mas fiquei na dúvida em falar dele ou não, porque o Ghostlights continuava a história do álbum The Mystery of Time, então decidi deixar passar e falar dos dois discos algum tempo depois, ou quando saísse outro disco, que é o caso agora, em 2019. Bom, mas chega de adiar as coisas, vamos ao que interessa.

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A ilustração da capa do disco em si é um verdadeiro show a parte! Além de ilustrar a narrativa do disco, também foi inspirada nas ilustrações e conceitos de filmes do diretor Tim Burton. E olhem, tem tudo a ver com a narrativa doida, poética e com letras que te fazem refletir; tanto, que às vezes é preciso até pausar a música para poder ler a coisa e pensar mais um pouco. Dizem que o Tobias estava compondo um trabalho solo, mas a coisa começou a ficar tão parecido com Avantasia, que ele resolveu transformar de vez no próximo projeto do Avantasia. Isso sim é que é ter a coisa no sangue!

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A história do disco é sobre uma criatura sombria, esta daí da foto da capa que, se eu entendi bem a proposta, lida com os sentimentos de não-adaptação à beleza do mundo, e acaba encontrando na beleza da lua o refúgio que precisa para refletir sobre seus próprios sentimentos. Na primeira faixa, "Ghost in the Moon", dá pra perceber esse questionamento sobre o amor pelo belo que todos ensinam para que você se sinta parte do universo, mas ao mesmo tempo se questiona a feiura que também lhe é apresentada no decorrer da vida, e que nos deixa confusos. Uma breve apresentação do personagem também é feita, em que ele se define apenas como um rumor, metade-humano, alguém que não consegue se adaptar a este mundo. Há também uma citação da obra anterior, Ghostlights, quando vemos na música o verso "mystery of a blood red rose", talvez com Tobias querendo encaixar tudo em um mesmo universo, mas não tenho certeza. Musicalmente muito bonita, com viradas progressivas e peso característico, e com aqueles arranjos pop que a gente comumente vê nos discos do Avantasia, é um grande destaque.

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Em "Book of Shallows", mais pesada e acelerada, a letra nos remete à sensação de estarmos em um sonho maluco, com coisas fantásticas acontecendo e nós perseguindo as coisas desse sonho apenas como testemunhas e não participantes. Na faixa título, isso se confirma, uma vez que há a referência da luz da lua, conhecida entre os poetas e liricistas por deixar homens malucos. Mais um destaque, com belas melodias, arranjos e a participação de Candice Night.

E falando em maluquice, "The Raven Child" vem trazer exatamente isso. No começo, que soa bem música celta e tem uma abertura belíssima, parece que você está caminhando lado a lado com a criatura, ouvindo suas lamentações em forma de poesia, mas mais para frente, quando você desemboca já na parte Hard Rock, a gente tem a impressão que as sensações se misturam, e já não dá mais para distinguir entre realidade e sonho. Um personagem hermafrodita entra na trama e fala de procurar a luz, mas ser engolfado pelas trevas, entre outras maluquices que parecem saídas de um livro de Alice, ou de uma obra do próprio Tim Burton mesmo! O brilho lunar continua sendo o objetivo do protagonista em "Starlight", que conta com belos refrões.

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"Invincible", uma bonita balada, mostra o personagem questionando seu verdadeiro lugar e querendo se encontrar de alguma forma, poetizando o "eu não pertenço ao lugar que estou". Em "Alchemy", novamente uma pesada ótima, esse não pertencer recai no seguir a corrente ou não, dois caminhos possíveis, a dúvida que permeia tanta gente.

As próximas três faixas tem títulos engraçados. Não por fazerem rir, mas por fazerem referência a algo conhecido, apesar de estruturalmente não terem nada a ver com a referência; a primeira das três chama "The Piper at the Gates of Dawn"... Pink Floyd?; a segunda delas é "Lavender"... Marillion?; e a terceira se chama "Requiem for a Dream"... o filme de Darren Aronofsky?; todas as três citam experiências que te deixam reflexivo ou meio maluco pensando, viajando. A primeira se refere ao período mais psicodélico do Floyd, a segunda ao período mais teatral do Marillion, e a terceira, bem, quem viu o filme sabe o tamanho da loucura que se passa com os personagens.

Mas também elas se conectam pela própria jornada em si. Não sei se as referências foram propositais ou não, mas na primeira, mais acelerada, a criatura já está bem alta no céu, na segunda, que tem um refrão pegajoso, praticamente caminhando em seu próprio sonho ou ilusão, figurativamente falando, e na terceira, acelerada e com ares de sinfonia na introdução inclusive, ironicamente parece ser um despertar do sonho, muito embora o termo "requiem" sinalize algo que está por vir. Aqui meio que termina a narrativa, mas o disco ainda está rolando.

O que temos em seguida é uma cover de "Maniac", famosa canção do filme Flashdance, inclusive eu gostei bastante dessa cover, se comparada com a original, fez muita justiça! E como faixa bônus, temos a bonita "Heart", que é uma composição solta e tem muito a pegada do AOR dos anos 80.

Bom, chegamos ao final. Como sempre, um trabalho de instrumentação perfeito, fantástico, vozes fenomenais, realmente muito bom. Tenho apenas duas críticas ao disco: há músicas em que ficaram vozes demais da conta. Eu sei que o Tobias curte esse lance de ter um ensemble de talentos vocais para cantar junto com ele, mas na música "The Piper at the Gates of Dawn", por exemplo, eu achei muito carregada de vocalistas diferentes, tanto que o Eric Martin só teve duas ou três linhas nessa música de quase sete minutos e meio. Outra coisa, é que desta vez não temos uma narrativa com ação, trata-se mais das reflexões de uma entidade sobre sua posição no mundo e sua busca por identidade através da lua. Isso fez com que o uso de diversos vocais ficasse meio fora de sintonia com a proposta, pois ninguém lá está fazendo um personagem de uma história, mas é bom ouvi-los cantando juntos, especialmente o Jørn Lande, cujo timbre vocal me agrada muito!

Enfim, eu recomendo muito este disco do Avantasia, mas se tem alguém aí que nunca escutou a banda, minha recomendação de sempre é que pegue primeiro os dois primeiros discos deles, as metal-óperas propriamente ditas, porque eu acredito que lá está a essência inicial do projeto, que mudou muito depois desses discos, e aí sim, vá ouvir este aqui e os demais. Fora isso, mais um ótimo lançamento do super-grupo que, quem acompanha, vai gostar bastante.

Moonglow (2019)
(Tobias Sammet's Avantasia)

Tracklist:
01. Ghost in the Moon
02. Book of Shallows
03. Moonglow
04. The Raven Child
05. Starlight
06. Invincible
07. Alchemy
08. The Piper at the Gates of Dawn
09. Lavender
10. Requiem for a Dream
11. Maniac (Michael Sembello cover)
12. Heart (bonus track)

Selo: Nuclear Blast

Tobias Sammet's Avantasia é:
Tobias Sammet: voz, teclados adicionais, baixo
Sascha Paeth: guitarra, baixo, mixagem
Michael Rodenberg: teclados, piano, orquestração, masterização
Felix Bohnke: bateria

Vocalistas convidados:
Ronnie Atkins (Pretty Maids) - faixas 2, 5, 8
Jørn Lande (Jorn) - faixas 2, 4, 8
Eric Martin (Mr. Big) - faixas 8, 11
Geoff Tate (ex-Queensryche) - faixas 6, 7, 8
Michael Kiske (Helloween) - faixa 10
Bob Catley (Magnum) - faixas 8, 9
Candice Night (Blackmore's Night) - faixa 3
Hansi Kürsch (Blind Guardian) - faixas 2, 4
Mille Petrozza (Kreator) - faixa 2

Discografia anterior:

THE MYSTERY OPERAS
- Ghostlights (2016)
- The Mystery of Time (2013)

THE WICKED TRILOGY
- Angel of Babylon (2010)
- The Wicked Symphony (2010)
- The Scarecrow (2008)

THE METAL OPERAS
- The Metal Opera Pt. II (2002)
- The Metal Opera (2001)

Site oficial: www.avantasia.net

Para mais informações sobre música, filmes, HQs, livros, games e um monte de tralhas, acesse também meu blog.

http://www.acienciadaopiniao.blogspot.com.br


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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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