Manger Cadavre: Tóxico, contundente e profissional
Resenha - AntiAutoAjuda - Manger Cadavre?
Por Ricardo Cunha
Postado em 11 de dezembro de 2019
Nota: 8 ![]()
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De São José Dos Campos/SP, a banda iniciou suas atividades no final de 2011, e teve um começo muito produtivo, com vários eventos em cidades distintas do estado de São Paulo e participando, inclusive, de uma mini-tour com as bandas Stoma (Holanda) e Le Mars (São Paulo) por ocasião do lançamento do seu primeiro single, "Existimos".
O nome Manger Cadavre? é uma indagação e significa literalmente "Comer Cadáver?" numa referência – talvez – ao processo quase antropofágico de auto destruição da humanidade. Atualmente a banda é formada por Nata de Lima nos vocais, Jonas Godói no baixo, Marcelo Augusto na guitarra e Marcelo Kruszynski na bateria.
A banda é "politicamente" engajada e, através de suas letras, expõe uma consciência social muito real e crua. Por isso, AntiAutoAjuda é conceitual e liricamente trata de questões como o adoecimento psicológico do trabalhador frente à super exploração de sua força produtiva na sociedade de consumo. Musicalmente, a sonoridade do disco é calcada no Crust/Hardcore e estruturada em bases simples que tem força para deslocar o cérebro de toda a massa de surdos ideológicos do momento presente. Os timbres escolhidos são sinistros e ajudam a reforçar a posição da banda sobre o caos dominante num país onde os direitos humanos básicos são negados cotidianamente.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
O QUE TEM DE BOM
[1] As letras são inteligentes e denotam conhecimento de causa sobre as questões tratadas no conceito geral. [2] As vocalizações da frontwoman Nata de Lima são monstruosas e certamente se destacam no contexto sonoro do disco. [3] Todas as músicas são porradas e devem agradar muito aos fãs do estilo.
O QUE PODERIA SER MELHOR
[1] Há pouca variação. As músicas são lineares e parecem seguir a uma fórmula na qual as mudanças de andamento se alternam entre passagens Doom e Hardcore. [2] A duração do álbum é muito curta. 22 minutos é pouco até para quem não é adepto do estilo.
CONCLUSÃO
As letras são engajadas e as composições manifestam um posicionamento contundente sobre a realidade do país. Nesse sentido, o disco tem seu ponto alto justamente na exposição de uma visão ríspida de mundo. O grupo revela conhecimento de causa e habilidade na exposição de suas ideias. Musicalmente, criaram o ambiente sonoro propício para tratar das questões anteriormente citadas. Assim produziram uma atmosfera sombria, pesada e tóxica. Como se não bastasse, conseguiram atingir a um nível profissional poucas vezes vistos em bandas do gênero.
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