Humberto Gessinger: Mais espontâneo em novo álbum

Resenha - Não Vejo a Hora - Humberto Gessinger

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Por Fábio Cavalcanti
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Humberto Gessinger é o tipo de artista que poderia ser citado como um dos veteranos que não tem mais o que provar no rock nacional. Ainda assim, desde o fim dos Engenheiros do Hawaii, o cantor encontrou um novo ritmo de trabalho, e mantém uma carreira solo que junta o seu passado e o seu presente num grande pacote eclético. No seu primeiro álbum solo, "Insular" (2013), ele entregou uma sonoridade sofisticada e indefinida ao mesmo tempo. Já em seu novo álbum, "Não Vejo a Hora" (2019), a ‘vibe’ é de relativa diversão e espontaneidade.

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Logo de cara, o ótimo rock "Partiu" nos coloca na "infinita highway" de Gessinger, com alguns ecos de "Até O Fim" (dos Engenheiros), e com um nível de concisão harmônica que dá o tom do disco. Sim, o compositor continua existencialista em suas letras, e não abre mão dos jogos com as palavras e os sentidos, muito menos das referências literárias e musicais em suas temáticas. O diferencial está na parte instrumental, e na forma como ele usa e abusa de dois tipos de power trio: um elétrico, na maioria das canções, e um acústico em outras...

Voltando à estrada dos sons elétricos, temos o razoável pop/rock "Um Dia De Cada Vez", que parece ter sido feito para ser lançado como um single inofensivo. Pode-se notar mais substância e nuances em "Algum Algoritmo" e "Calmo Em Estolcomo", que evocam um pouco do Engenheiros do Hawaii mais oitentista.

A vibrante semi-balada "Olhou Pro Lado, Viu" é um dos raros momentos de maior pegada e peso, e ainda oferece alguns toques progressivos. A peculiar e soturna "Outro Nada" é também bastante inspirada, e soa como uma espécie de Blue Öyster Cult influenciado pela milonga. As influências regionais sulistas ainda mostram as caras novamente na boa "Missão", que puxa algo do estilo do álbum "Gessinger, Licks & Maltz" (1992).

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No setor acústico, guiado por violões e acordeom, Gessinger conseguiu o incomum efeito de soar despretensioso em suas incursões de folk regional, como podemos notar nas canções meio irmãs "Fetiche Estranho" e "Estranho Fetiche" – sendo a segunda delas a mais divertida. E "Bem A Fim" é talvez o momento mais bonitinho do disco, com direito a uma letra multifacetada.

"Não Vejo a Hora" é um álbum que consegue soar simples, mas sem perder a típica sofisticação do Humberto Gessinger. Ainda que não traga canções espetaculares, o fato é que todas apresentam algo de bacana nas entrelinhas e nos arranjos, além de uma performance vocal que deixa bem claro o nível de tranquilidade e otimismo em que o artista se encontra. Se ele não via a hora de entregar um álbum mais direto, nós não vemos a hora de ouvir o próximo...

Nota: 8

Músicas:
1. Partiu
2. Um Dia De Cada Vez
3. Bem A Fim
4. Algum Algoritmo
5. Calmo Em Estolcomo
6. Olhou Pro Lado, Viu
7. Fetiche Estranho
8. Maioral
9. Estranho Fetiche
10. Outro Nada
11. Missão




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Sobre Fábio Cavalcanti

Baiano, sempre morou em Salvador. Trabalha na área de Informática e ¨brinca¨ na bateria em momentos vagos, sem maiores pretensões. Além disso, procura conhecer novas - e antigas - bandas dos mais variados subgêneros do rock. Por fim, luta para divulgar, sempre que possível, o pouco conhecido cenário rocker da tão sofrida ¨Terra do Axé¨.

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