Mastodon: Em 2009, o quarto álbum de estúdio da banda
Resenha - Crack the Skye - Mastodon
Por Marcio Machado
Postado em 18 de setembro de 2019
O Mastodon é uma das bandas que mais se destacaram dentro da leva nova do Metal e muito se fala sobre os músicos e sua sonoridade. Particularmente, sempre achei um grande exagero todos os adjetivos que são direcionados para a banda e o que eles produzem. Convenhamos que dentro do estilo em que os colocam, o Metal Progressivo, há coisas com menos luzes em cima e que produzem um resultado evidentemente melhor e muito mais criativo (caso do Leprous, por exemplo) e mesmo de forma geral. Mas deixando isso de lado, o ponto central deste texto é falarmos sobre o quarto álbum de estúdio da banda, "Crack the Skye", lançado em 2009.
O disco aborda a história de um paraplégico que preso à sua condição, tem como método de fuga viagens astrais por onde vai passar pela Rússia de Czares, além de inspiração em teorias de Stephen Hawkings e no mito grego de Ícaro. Então vamos lá conferir o que o disco pode nos render.
Quem abre o disco é "Oblivion" (caramba, como as bandas gostam desse nome), que começa em crescendo, bem pesada e de forma bem cadenciada, temos um bom trabalho do baterista e também vocalista Brann Dailor e as guitarras de Brent Hinds e Bill Kelliher são muito bem alinhadas e criam uma sonoridade bastante concisa. O que surge bem tímido aqui é o baixo de Troy Sanders que não acrescenta muita coisa. A faixa é bastante redondinha e tem um bom refrão e um bom solo também é executado e tem ali sua melhor parte com andamentos que ficam bastante densos.
"Divinations" começa mais agitada trazendo mais peso e algum groove. O trabalho da bateria é muito bom e o refrão também é um bom momento. A ponte é bastante pesada com vocais alternados e com notas altas. O solo é de novo muito bem executado e se torna novamente o melhor momento da faixa. Fora isso é algo meio repetitivo e que não sai muito do lugar, apesar de alguns atrativos e uma boa audição.
Em seguida temos "Quintessence" que parece invocar finalmente o Metal Progressivo. A bateria é quebrada, o andamento das guitarras bastante caótico e dessa vez o baixo marca bastante presença, o que pode desgastar um pouco é o vocal que se torna enjoativo, se você deixa-lo de lado as coisas podem funcionar muito bem. A alternância de ritmos é muito bem executada. Existe uma parada climática antes do refrão que se assemelha muito à algo da banda Haken e logo explode num refrão que parece beber de bandas recentes do Hardcore. O final da música é uma quebradeira de bastante peso é com vocal gritado, aí sim a banda se acertando num belo andamento.
"The Czar" é uma longa faixa, com seus 10 minutos é dividida em 4 momentos, "Usurper", "Escape", "Martyr" e "Spiral". Em cada um a faixa vai se transformando em um direcionamento diferente se tornando mais pesada e mais complexa com bons momentos instrumentais. Em seu final ela volta para algo mais calmo e termina exatamente do ponto que se iniciou. A duração da faixa não é de fato um problema, só parece criar uma barriga em seu meio que talvez não fosse necessária e ao contrário do que Kelliher afirmou em algum momento, eles estiquem uma faixa sem necessidade sim.
Dando sequência temos "Ghost of Karelia", que começa de novo com boa levada da bateria, bastante quebrada. O refrão passa algo bem forte para o ouvinte e seu segundo verso se enche de groove e cria uma momento denso ali e transforma a sequência em algo muito bom. O final da canção é bastante intricado e encerra bem a audição.
A próxima se trata da faixa título, "Crack the Skye" que é bastante cadenciada, cheia de troca de vocais e um instrumental mais direcionado e com boa levada. Há um clima mais apoteótico na sequência e algumas pequenas mudanças no andar da carruagem, mas nada muito fora do normal dentro do disco.
Encerrando, "The Last Baron" é mais uma longa, com seus 13 minutos demora para engrenar e só pega ritmo com mais de 3 minutos passados, aí as coisas se agitam e começam a ficar mais chamativas. Surge um caos que nos joga em momentos bastante intricados e que dão nó nos ouvidos e a loucura parece achar seu lugar e a fritação cai muito bem. Termina um pouco mais branda e com um andamento bastante melódico e de boa forma.
No fim temos um bom disco de Metal, porém, não se trata da oitava maravilha do mundo, pelo contrário, muito longe disso. Há sim bons momentos que realmente prendem, mas outros que passam despercebidos ou soando como certo exagero e meio sem sentido.
"Crack the Skies" não irá mudar vidas, mas também para aquele se arriscar não irá de todo desperdiçar seu tempo. Não é neutro, nem muito menos algo memorável, escute e tire suas próprias conclusões.
Nota: 7
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