Iggy Pop: Novo álbum Free traz um ídolo cansado
Resenha - Free - Iggy Pop
Por Fábio Cavalcanti
Postado em 08 de setembro de 2019
Nota: 7 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Roqueiros de todas as idades já experimentaram ao menos um pouco do caos, destruição, irreverência inquieta, e outros sabores fornecidos pelo cantor Iggy Pop nos últimos 50 anos - seja através de sua seminal banda de proto-punk The Stooges, ou através de sua extensa e diversificada carreira solo. Após uma bem-sucedida parceria com Josh Homme (Queens of the Stone Age) em "Post Pop Depression" (2016), Iggy resolveu se isolar do rock ‘n’ roll, e traduziu essa fuga através de um inesperado álbum meditativo: "Free" (2019).
A suavidade nunca foi o forte do nosso querido e alucinado Iggy, mas aqui ele elevou o potencial jazzístico do fraco álbum "Préliminaires" (2009), e finalmente encontrou o tom certo de minimalismo e serenidade. Sua voz grave e cansada se mostra tão anestesiante quanto a de um Nick Cave em seus momentos mais soturnos. E os arranjos trazem guitarrinhas econômicas, camadas eletrônicas meio ‘new age’, e alguns curiosos naipes de metais. Já as letras abordam temas que vão do amor à mortalidade, seja de forma melancólica ou irreverente.
O trabalho é consistente o bastante em sua primeira metade. A ótima "Loves Missing" evoca a sonoridade repetitiva e noturna do Interpol (leia-se Joy Division), enquanto que a estrutura meio torta de "Sonali" nos lembra um daqueles bons momentos jazzísticos do Radiohead. Simplicidade e repetitividade também são acertos na divertidíssima "James Bond", canção em que um vulnerável Iggy precisa da proteção de uma 007 feminina. "Dirty Sanchez" também traz letras engraçadas, através de uma marchinha que é suave e energética ao mesmo tempo.
Após o fusion flutuante e crescente da boa balada "Glow in the Dark", as coisas mudam de rumo... e aí temos o ato mais irregular do disco, com músicas praticamente recitadas e desprovidas de qualquer percussão. "Page" possui suas qualidades harmônicas, mas escorrega na cafonice. E a trilogia de poemas sombrios "We Are the People" (de Lou Reed), "Do Not Go Gentle Into That Good Night" (de Dylan Thomas) e "The Dawn" podem transformar a meditação do ouvinte em uma soneca certeira.
No fim, apesar de suas irregularidades, "Free" é um álbum gostoso de ouvir em seus 34 minutos de rock suave, jazz esquisito, e baladas etéreas. Recomendo, em especial, uma audição atenta entre a noite e madrugada, após um árduo dia de trabalho. Esse é um trabalho que te convida ao retiro espiritual do Iggy Pop, onde podemos contemplar a vida, mas sem esquecer de uma pequena dose de angústia sincera. O velhinho Iggy está cansado sim, mas ainda está vivo e livre!
Músicas:
1. Free
2. Loves Missing
3. Sonali
4. James Bond
5. Dirty Sanchez
6. Glow in the Dark
7. Page
8. We Are the People
9. Do Not Go Gentle Into That Good Night
10. The Dawn
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Por que o Iron Maiden deixou as feras mitológicas de lado, segundo Janick Gers
As músicas que Steve Harris, do Iron Maiden, se recusava a ouvir no carro
Scorpions confirma primeiras datas na América Latina em 2027
O disco do Black Sabbath que todas as faixas são "mágicas", segundo Rob Halford
Os acertos e os erros que o Iron Maiden levou a Curitiba na turnê de 50 anos
A Riqueza da maturidade - Yes entrega elegância e musicalidade em "Aurora"
Os 50 melhores álbuns de thrash metal da história segundo os leitores da Metal Hammer
O momento em que Tony Iommi percebeu que Ozzy Osbourne tinha que sair do Black Sabbath
Nicko McBrain expõe o clima do Iron Maiden no show de adeus de Bruce Dickinson
Judas Priest e Pantera farão turnê juntos na América Latina, segundo Summa Inferno
O álbum dos anos sessenta que uniu David Gilmour, do Pink Floyd, e Alex Lifeson, do Rush
A melhor música do Iron Maiden de todos os tempos, segundo Nicko McBrain
Vocalista do Stone Temple Pilots e baterista do Evanescence trabalham em projeto
Scott Ian considera AC/DC com Bon Scott "a melhor banda de todos os tempos"
Deep Purple suspende restante da tour europeia após Ian Gillan ser hospitalizado
O que significa "Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas", nome de disco dos Titãs
O melhor álbum ao vivo de todos os tempos, segundo Bruce Dickinson
A opinião de Rob Halford sobre o Slayer e "Angel Of Death"

A melhor música de glam rock de cada ano dos anos 1970, segundo a Loudwire
A canção dos anos sessenta que fez Iggy Pop se livrar do blues e virar um "monstro"
Legião Urbana: O discurso de tristeza e morte no álbum A Tempestade



