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Tool: um álbum complexo, extremamente imersivo e musicalmente rico

Resenha - Fear Inoculum - Tool

Por Ricardo Seelig
Em 31/08/19

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Não sei se em algum momento de sua longa carreira a banda norte-americana Tool pôde ser definida como heavy metal. Ou melhor: se o heavy metal é suficiente para abarcar todos os caminhos que a música do quarteto formado por Maynard James Keenan (vocal), Adam Jones (guitarra), Justin Chancellor (baixo) e Danny Carey (bateria) transita. A resposta é, sem medo de errar, um grande NÃO.

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"Fear Inoculum", primeiro álbum do grupo em treze anos e sucessor de "10,000 Days" (2006), ratifica essa conclusão. O Tool, na verdade, não só não se enquadra dentro dos limites do metal como é difícil de encaixar em diversos outros gêneros. O mais adequado seria classificá-los como rock progressivo, mas também não há uma exatidão nessa definição. E por mais que você possa estar pensando algo como "tá, mas e daí, o que importa é o som e não esses adjetivos", eles são essenciais para localizar o leitor sobre o que ele ouvirá ao colocar um disco da banda para tocar.

As sete músicas de "Fear Inoculum" – que no formato digital vem com três canções a mais: "Litanie contre le peur", "Legion Inoculant" e "Mockingbeat", na prática três interlúdios climáticos e instrumentais – apresentam um trabalho pretensioso, original e hipnótico. Seis das sete faixas ultrapassam os dez minutos (a exceção é "Chocolate Chip Trip", outro interlúdio instrumental) e trazem acordes, progressões harmônicas, escalas rítmicas e melodias predominantemente ascendentes, o que faz com que o disco possua um magnetismo sonoro fortíssimo. Na prática, isso se traduz em uma audição que provoca uma espécie de hipnose à medida que as músicas vão se sucedendo. A escolha por construir as canções utilizando acordes e notas irmãs, aliada às melodias vocais de Keenan, etéreas em sua maioria, intensifica essa sensação de atordoamento da mente ao mesmo tempo em que parece abrir novos cantos ainda não explorados no cérebro do ouvinte.

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A parte rítmica segue sendo um dos destaques, com andamentos fora do convencional e uma abordagem que conversa com o fusion, sempre amparada pela união univitelina entre baixo e guitarra. O instrumento de Chancellor, sempre um destaque, continua tendo um papel quase percussivo e preenche os espaços de forma onipresente. Quem ama bateria seguirá amando o trabalho de Carey, enquanto Jones mantém uma forma de tocar guitarra que, principalmente em "Fear Inoculum", está muito mais interessada em criar atmosferas sonoras do que riffs.

Porém, o peso vem. E, quando ele vem, chega bonito. Os ápices das canções, com explosões instrumentais repletas de viradas rítmicas, são de arrepiar até o mais careca dos fãs. É uma música original, única e bela, que poderia tanto ser definida como um prog metal hipnótico ou um fusion meditativo.

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O fato é que em "Fear Inoculum" o Tool exige uma parceria do ouvinte para que o que a banda está propondo seja assimilado com eficiência. Isso quer dizer que, em um mundo onde a urgência predomina e a ansiedade deixou de ser uma exceção e se transformou em companhia de grande parte dos indivíduos, um disco com mais de 70 minutos de duração e faixas que passam de dez minutos necessita um esforço de grande parte dos ouvintes. "Fear Inoculum" não é daqueles álbuns feitos para uma audição eventual e ocasional. Ele demanda uma imersão, exige um tempo de quem está do outro lado do fone de ouvido. Mas, ao fazer isso, recompensa com uma entrega criativa, uma música que foge totalmente dos padrões vigentes e que proporciona sensações incríveis.

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Entre as faixas, destaque para a sensacional canção que batiza o disco, "Invincible", "Descending" e para a incrível "7empest", a mais longa e pesada do álbum e onde o protagonismo total vai para a guitarra de Adam Jones.

"Fear Inoculum" compensa a longa espera de treze anos por um novo álbum do Tool com um trabalho complexo, extremamente imersivo, musicalmente rico e que carrega tanto o selo de qualidade quanto a aura original que a banda sempre possuiu. Um dos grandes discos de 2019 e um dos melhores álbuns da carreira do quarteto.

O disco conta com uma edição especial e limitada no mercado norte-americano, com foco na experiência visual que complemente a música e traz uma tela de vídeo, book com 36 páginas e arte exclusiva. No Brasil, não há previsão de lançamento. Vale lembrar que apenas os dois primeiros discos do grupo, "Undertow" (1993) e "Ænima" (1996), saíram por aqui.

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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