Avec Tristesse: Tristeza transformada em beleza

Resenha - How Innocence Dies - Avec Tristesse

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Por José Sinésio Rorigues
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Anos atrás, o metal nacional deu um salto, quantitativa e qualitativamente. Até hoje, bandas excelentes pululam por todo o Brasil (DOMINUS PRAELII e SEVEN ANGELS, aqui no Paraná, DISTRAUGHT e HANGAR, no Rio Grande do Sul, TUATHA DE DANANN e DYNASTY, em Minas Gerais, KORZUS e ETERNA, em São Paulo, AMOS, no Mato Grosso do Sul, GLORY OPERA, no Amazonas, HEAVEN'S CAVALRY, no Acre, FAR FROM ALASKA, no Piauí, entre muitas outras). Eu achava injusto que as rádios não executassem nada destes grupos, nada de Heavy Metal. Tomei então uma decisão radical: fui a uma emissora de rádio e me ofereci para apresentar um programa de Heavy Metal, mesmo sem ganhar salário. Não me deram um programa, claro; mas me deram um quadro, dentro de um programa, onde eu podia rolar três sons, todo sábado à noite, e ainda comentá-los. E as primeiras músicas que levei ao ar foram ''Trova Di Danu'', do TUATHA DE DANANN, e ''Escapism'', da excelente banda fluminense AVEC TRISTESSE (a terceira música, foi ''A Lament Of Misery'', da banda espanhola DARK MOOR).

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Não foi por acaso que eu escolhi AVEC TRISTESSE entre aquelas bandas: este grupo de Dark Metal/Death Metal me impressionou desde a primeira vez que o ouvi. Aliás, aqui vai outra curiosidade: comprei o CD How Innocence Dies mesmo sem conhecer a banda, apenas baseado nos comentários que eu ouvira e reviews de revistas e sites. Apesar da temerária decisão, não me arrependi de nada. Que lançamento bom! É daqueles lançamentos que você nem acredita.

How Innocence Dies começa com ''I Am But One'', que nunca será a música favorita de alguém: parece uma vinheta, com apenas dois minutos de duração e letra muito curta. Já ''All Love Is Gone'' é pesada, vocais guturais poderosos, uma das melhores músicas já gravadas pela banda, resumindo toda a sua proposta. Heavy Metal cabeça, a letra ainda apresenta trechos do poema "She Walks In Beauty", de Lord Byron. A coisa melhora com ''A View Of The End'', com boas variações, pesada em alguns momentos, mais light em outros, os vocais de Pedro Salles e Nathan Thral de limpos e guturais, instrumental detonando, um dos melhores momentos da banda.

O que vem a seguir é o ponto alto do álbum: a já citada ''Escapism'', indubitavelmente aquela que é, simplesmente, a melhor música já criada pela banda. Começa com instrumental detonando, vocal gutural atacando, teclado em seu melhor momento. Tem variações perfeitas, intercalando momentos de vocal nervoso e vocal limpo; musicalidade mais tranquila e som complexo e pesado. Destaco ainda a barulheira de ''Lost In Your Complexity'', som que mantém a linha de vocal gutural mesclado com vocal limpo e instrumental que detona sem dó nem piedade. Profissionalismo! ''Of Emotions'' é complexa, bem trabalhada, instrumental impecável por toda a música. ''As Years Pass By'', a seguir, mantém a linha das demais composições, mas com teclado magnificamente tocado, vocalzão gutural com vocal limpo. Difícil até descrever esta faixa, tantas são as variações, em tempo relativamente curto, tamanha é a complexidade. Aqui, o baterista Nathan mostra que é um dos grandes músicos do Heavy Metal nacional. Também aparece o vocal feérico e angelical de Raquel Antunes, o que dá à faixa um toque viajante.

''Avant Les Ténèbres'', em francês, tem sonoridade que remete à musicalidade francesa, acústica. O vocal é baixo, sussurrado. Então, temos os primeiros acordes da música ''Angel After Dark'' (algo a ver com a atriz pornô Angel Dark?). Mais de cinco minutos de duração, muitas variações, os vocais indo de limpos a guturais. Não é ruim, mas agora, após coisas melhores neste álbum, ela soa morna - mas não ruim, volto a dizer - e deslocada. A última faixa, ''Septical And Gone'', é meio teatral, sei lá, niilística, volátil. Por mais de oito minutos, se arrasta por momentos de silêncio, barulhos estranhos, e um vocalzinho feminino. O enigma: por que uma banda tão excelente coloca uma faixa destas num trabalho que, até aqui, estava tão bom? Após tecer comentários tão positivos em torno deste trabalho, é justamente por causa desta faixa (e de ''I Am But One'', que não me empolgou muito) que o AVEC TRISTESSE perdeu a chance de ganhar, aqui, uma nota 10 neste lançamento. Mas How Innocence Dies é muito bom, quase - e enfatizo aqui a palavra "quase" - perfeito. Se o vir pela frente, adquira-o sem medo, mesmo que você não seja exatamente fã do tipo de som executado pelo AVEC TRISTESSE.

Formação do AVEC TRISTESSE na época do álbum How Innocence Dies:

*Rafael Gama - Baixo
*Nathan Thrall - Bateria e vocal gutural
*Pedro Salles - Guitarra, vocal limpo, vocal gutural e teclado

Track List do álbum How Innocence Dies:

01. I Am But One 02:02
02. All love Is Gone 04:47
03. A View Of The End 04:37
04. Escapism 07:50
05. Through My Eyes 01:32
06. Presence Ignored 01:55
07. Lost In Your Complexity 04:47
08. Of Emotions 06:00
09. As Years Pass By 08:59
10. Avant Les Ténèbres 02:01
11. Angel After Dark 05:13
12. Sceptical And Gone 08:27

Bandas similares:

THROES Of DOWN, da Finlândia
TYPE O NEGATIVE, dos Estados Unidos (no instrumental)
ANAEMIA, da Suécia
DARK TRANQUILITY, da Suécia
VISIONAIRE, dos Estados Unidos
IKARIAN, dos Estados Unidos
MY SILENT WAKE, da Inglaterra
CENTURY SLEEPER (Estados Unidos/Inglaterra)


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