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Nevermore: Dead Heart merece ser ouvido por vezes e vezes

Resenha - Dead Heart in a Dead World - Nevermore

Por Marcio Machado
Em 27/07/19

Nota: 10

A primeira década de 2000 trouxe grandes pérolas para o Metal, e algumas delas com certeza estão na discografia do Nevermore. Seu "Dead Heart in a Dead World" é o responsável por abrir a fase mais pesada da banda e o guitarrista Jeff Loomis trazia ali a adição de guitarras de 7 cordas, o que agregou ainda mais na sonoridade da banda e trouxe grandes composições neste trabalho grandioso e impecável no seu todo.

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Peso, agressividade, técnica e muito feeling. Essa é a fórmula de "Narcosynthesis", a encarregada de abrir o disco e que abertura. Os primeiros acordes da canção parecem uma muralha inteira desabando sobre a cabeça de alguém, e aí vemos como as 7 cordas fizeram diferença aqui. Warrel Dane quando surge é com grande maestria com o poder da sua tão forte e carregada voz que preenche todos os espaços. E temos um grande destaque também para o baterista Van Williams que é um monstro habilidoso e cheio de groove nas baquetas. E que solo é esse que temos aqui, fantástico. Abertura animal e que mostra uma banda um tanto afiada.

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"We Disintegrate" é quem continua a festa e não deixa os ânimos caírem. Começa cadenciada e cheia de groove e com Warrel brincando com os tons de sua voz nos versos, até chegarmos à um refrão e que refrão meus caros, que refrão. Se tem algo que o Nevermore fazia com maestria era compor esses refrões e aqui está um desses casos. No meio de tanto peso surge uma melodia grudenta e radiofônica mas de uma forma tão natural que é impossível ouvir a canção uma única vez e não sair com ela o resto do dia na cabeça. O baixo de Jim Shepard aqui puxa o carro junto a bateria de Van, dessa vez mais linear mas não menos muito bem executada. Que grande canção.

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Continuando o descarrego de groove chega "Inside Four Walls", que já começa com uma cozinha totalmente alinhada e a guitarra de Loomis a toda puxando a frente, acompanhada pelos pedais duplos de Williams que soam maravilhosos. E que passagens intrincadas surgem entre os versos dando mais charme ainda para o todo. Quanta melodia e peso meu Deus, é gracioso ouvir os minutos que se seguem aqui! Uma das melhores do álbum, se é possível assim eleger uma favorita no meio de tantas preciosidades.

"Evolution 169" começa mais arrastada, com ares de Doom Metal e mais sombria ainda quando os tons mais graves de Warrel dão as caras. A que ali se segue é uma pura viagem de ritmo, reparem que coisa mais linda o seguimento para o refrão e como tudo soa natural e gracioso. O solo é rápido mas carregado de entusiasmo e qualidade. Tudo casa perfeito aqui, sem um único defeito.

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Melodia e peso desfilam em "The River Dragon Has Come" que começa toda quebrada e nos jogam num turbilhão de cadencia e mais groove até um refrão poderoso e cheio de energia. Loomis brilha aqui capitaneando o barco com maestria nas cordas e guia tudo para outro grande momento. O solo é simplesmente perfeito e esbanja harmonia por todos os poros, acompanhado pela cozinha em perfeita sintonia, que divino!

"The Heart Collector" é o momento mais melódico e que tenta acalmar um pouco as coisas. Há aqui de novo um transbordo de melodias e tudo soa maravilhoso com a voz de Dane embalada brevemente por um violão tocado divinamente. O peso continua lá, mas em um andamento mais brando e há espaço para boas passagens do baixo e dale refrão bonito!

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Já começando com uma quebradeira, "Engines of Hate" chega metendo o pé na cara e assim se segue, eufórica e atormentada. Assim se segue até seu final, há o uso de teclados atmosféricos aqui em uma passagem mais ao fim e levam as coisas para um sentido caótico maior e casam perfeitamente com a loucura que a voz emprega aqui. Este é um daqueles momento bastante complexos que o Nevermore guia com maestria e executa em perfeição.

Agora o que temos é um cover, e carregado de personalidade. "The Sound of Silence" é quem aparece e pouco se reconhece da canção original ali em tamanho peso que foi dado nesta versão. É demais quando uma banda se apodera de uma canção dessa forma e transfere toda sua força numa nova roupagem. Simplesmente é um clássico refeito com energia e identidade. Há momentos insanos ali e devem ser conferidos com atenção pela grandiosidade.

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"Insignificant" começa bastante melódica, e serve como uma semi-balada onde alterna entre momentos mais calmos e outros bastante pesados, tendo ainda um belo solo muito bem realizado e uma bateria precisa que marca tudo com muita beleza.

Agora sim temos a balada da vez, "Believe in Nothing" é a encarregada do posto e o faz muito bem. Se trata de uma canção muito boa e executada com tamanha destreza e beleza por todos os membros da banda. Cheia de feeling e harmonias que nos fazem viajar nos acordes ali executados. Warrel domina tudo com sua voz que casa perfeitamente com o momento e proposta da canção. Grande destaque do disco e da carreira da banda.

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Encerrando o disco está a faixa título. "Dead Heart in a Dead World" começa dramática parecendo rodada em um gramofone e cheia de efeitos com a voz de Dane no seu melhor modo dramão acompanhado por uma guitarra tão quão. Logo tudo explode num momento intricado com vários nós na mente do ouvinte que é pego de surpreso na mudança brusca. E de novo temos uma refrão gigante que cria uma final apoteótico e digno de fechar de forma perfeita este magnífico trabalho.

Um trabalho que merece ser ouvido por vezes e vezes e ser apreciado como a divina obra que é aquilo tudo ali. Sem se alongar mais do que o falado até aqui, se ainda não teve contato com este disco, corra agora e tenha uma hora perfeita de um dos melhores momentos do Heavy Metal.

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Sobre Marcio Machado

Estudante de história, apaixonado por cinema e o bom rock, fã de Korn, Dream Theater e Alice in Chains. Metido a escritor e crítico.

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