Grandfúria: o maior clássico de Érico Veríssimo adaptado em um álbum
Resenha - Sopro e o Vento - Grandfúria
Por Ricardo Seelig
Postado em 11 de julho de 2019
Publicada em sete volumes entre 1949 e 1961, a saga "O Tempo e o Vento" é a maior obra de Érico Veríssimo, escritor gaúcho falecido em 1975. Adaptada para a TV pela primeira vez em 1967, teve uma segunda releitura televisiva em 1985 e chegou aos cinemas em 2013. Um épico no sentido mais fiel da palavra, "O Tempo e o Vento" é uma das mais importantes obras de literatura brasileira.

Agora, a saga das famílias Terra e Cambará chega à música através do Grandfúria, banda natural de Caxias do Sul. O sexteto formado por Vinícius de Lima (vocal, guitarra e violão), Bruno Pinheiro Machado (guitarra), Diego Viecelli (acordeão e violão), Maurício Pezzi (teclado e programações), Tiago Perini (baixo) e Maurício Gomes (bateria) adaptou a primeira parte da clássica história de Veríssimo em seu segundo disco, "O Sopro e o Momento", sucessor da auto-intitulada estreia de 2012. Lançado em 2017, o CD traz a trama de "O Continente" devidamente musicada, e o resultado é arrebatador.
Unindo o rock à música tradicional gaúcha, o Grandfúria (pergunta: o nome tem inspiração no Grand Funk Railroad, por acaso?) soma o peso das guitarras ao timbre do acordeão, criando uma sonoridade muito bonita e que casa perfeitamente com a proposta do trabalho. Além disso, os caras partem do hard rock e inserem elementos de milonga, música folclórica e outros ingredientes na mistura, criando um universo sonoro que conversa de maneira coerente com a obra de Érico Veríssimo.
"O Sopro e o Momento" vem com onze músicas, todas compostas pela própria banda. As letras são baseadas no texto de Veríssimo e trazem momentos dos livros - como o trecho narrado no meio de "Tormenta". O disco funciona como uma espécie de ópera-rock, onde o conjunto dá uma dimensão muito maior do que a audição isolada das faixas. O que não quer dizer, evidentemente, que elas sejam fracas. Mas conhecendo o contexto e a história por trás da inspiração do álbum, fica evidente que a audição funciona melhor quando feita em conjunto.
Entre as canções, há destaques evidentes. Minha preferida é "O Viajante", mas a banda mostra criatividade em diversos outros momentos como "Buenas", no peso de "R", na linda e bucólica "Cada Pedaço", "Tormenta", "A la Cria" e nos diversos movimentos de "O Espanto e a Fúria" e "Ataque ao Sobrado" (ambas arrepiantes!).
Em uma época onde a música brasileira tem andado a passos largos para trás, regredindo a olhos vistos e tornando-se cada vez mais banal, a chegada de um trabalho com a proposta e a qualidade de "O Sopro e o Momento" é digna de aplausos. Um disco ambicioso e nada enfadonho, onde a banda consegue equilibrar com brilhantismo suas aspirações artísticas com músicas criativas e acessíveis. Um disco belíssimo e que deveria chegar ao maior número possível de ouvidos.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Dirk Verbeuren, do Megadeth, agradece Pete Sandoval por ter inspirado "legiões de bateristas"
Novo disco de Tony Iommi mantém acesa a chama do Sabbath, segundo resenha da Classic Rock
Devido à demanda, U2 anuncia data extra no Brasil
Como Jason Newsted criou o riff de "Blackened" do Metallica e a reação de James e Lars
A música do Iron Maiden que influenciou o Big Four do thrash metal, segundo o Ultimate Guitar
Moyses Kolesne manda recado a quem reproduz discursos de Lemmy sobre política
O roqueiro brasileiro que se queimou com Jô Soares após falar mal de Ayrton Senna
O pior disco do Pink Floyd, de acordo com a Paste Magazine
Os cinco melhores discos do Megadeth, segundo Mateus Ribeiro
Rod Smallwood desconversa ao ser perguntado sobre planos futuros do Iron Maiden
Overkill é anunciado como headliner do Overload Beer Fest, que será realizado em março
As 10 melhores músicas do R.E.M., segundo os leitores da Rolling Stone
A banda dos anos 1970 com a música mais épica da história, segundo Mikael Åkerfeldt
"Nevermind" (Nirvana) ultrapassa "Back in Black" (AC/DC) e "Dark Side..." (Pink Floyd) em vendas
Dave Mustaine e o chilique por causa de batatinhas fritas em festival brasileiro
O hino do Rock que Max Cavalera odiava e só foi compreender quando ficou velho
Como o Rage Against the Machine sabotou a ganância do Lollapalooza 1993

The Hellacopters revê sua transformação em "Cream Of The Crap! Volume 3"
O ocultismo britânico ganhou novos contornos com "Woodland Rites" do Green Lung
Biohazard retorna afiado com "Divided We Fall"
Tyketto recupera o fôlego com "Closer to the Sun", seu primeiro disco em uma década
Com "Not Your Kingdom", Madball retorna fiel ao estilo que ele ajudou a definir, o NYHC
Kiss - há 44 anos, "Creatures of the Night" marcou o retorno da banda ao hard rock pesado
Ninguém tinha sobrenome na casa onde os Rolling Stones gravaram "Exile on Main St."
A Tempestade (ou O Livro dos Dias): 30 anos da despedida
"Se o Rádio Não Toca", o raro registro ao vivo de Raul Seixas que ganhou edição definitiva
Iron Maiden: Em 1992 eles lançavam Fear Of The Dark



