Dead Kennedys: em 1980, a estreia que entrou para a história
Resenha - Fresh Fruit for Rotten Vegetables - Dead Kennedys
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 06 de julho de 2019
Lançado em 2 de setembro de 1980, "Fresh Fruit for Rotten Vegetables" é o primeiro álbum da banda norte-americana Dead Kennedys e um dos maiores clássicos do punk rock. Considerado como o melhor disco do grupo, deu início a uma carreira que influenciou profundamente o estilo, tanto em relação à música quando em se tratando da parte lírica. O disco estava fora de catálogo no Brasil, porém foi relançado em CD pela Hellion Records em 2018. Não preciso nem dizer que é uma ótima oportunidade de ter em sua coleção um dos títulos mais marcantes e obrigatórios do rock, né?
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"Fresh Fruit for Rotten Vegetables" foi produzido pela dupla Norm e East Bay Ray. Ray era também o guitarrista da banda, cuja formação era completada por Jello Biafra (vocal), Klaus Flouride (baixo) e Bruce Slesinger (bateria, e que atendia pelo apelido de Ted). São 14 músicas em pouco mais de 30 minutos, uma paulada raivosa e ao mesmo tempo requintada, e que mostrou uma nova forma de se fazer punk rock. Na opinião da NME, o Dead Kennedys era muito influenciado pelo UK Subs, enquanto para outros jornalistas o disco era a companhia perfeita para "Never Mind the Bollocks", a igualmente clássica estreia do Sex Pistols.
A sonoridade de "Fresh Fruit for Rotten Vegetables" tem algumas particularidades. A mixagem, obviamente, deixa o som bem na cara como em todo bom disco punk, mas também privilegia os tons mais agudos em detrimento aos aspectos mais graves do baixo, por exemplo. Além disso, a forma de cantar de Biafra, cheia de maneirismos e com um que de declamação e carregada de ironia, acabou se tornando uma das marcas registradas da banda. Na parte instrumental, apesar de o punk estar associado à estruturas musicais simples, recomendo que, ao ouvir o álbum, você preste atenção no trabalho de guitarra, baixo e bateria e perceba a alquimia que East Bay Ray, Klaus Flouride e Ted conseguiram criar - fique de olho principalmente no trabalho de guitarra, que é incrível e muito original.

Há de se citar o fortíssimo tracklist, que traz um desfile de ótimas canções que mais parece sair de um greatest hits do que de um disco de estreia. Estão em "Fresh Fruit for Rotten Vegetables" músicas como "Kill the Poor", "Forward to Death", "Let's Lynch the Landlord", "Drug Me", "California Uber Alles", "Stealing People’s Mail", "Ill in the Head" e "Holiday in Cambodia", canções que se transformaram não apenas em algumas das mais conhecidas da banda mas, sobretudo, em hinos imortais do punk norte-americano.
O álbum possui algumas curiosidades interessantes. A contracapa original trazia uma foto de uma banda tradicional, onde bateria continha a logo do Dead Kennedys aplicada. A imagem era da uma banda chamada Sounds of Sunshine e foi encontrada pelo baixista Klaus Flouride, que a achou "hilária" e decidiu utilizar a imagem. O problema é que o fato chegou ao conhecimento do vocalista do Sounds of Sunshine, Warner Wilder, que ameaçou processar a banda. Assim, a contracapa precisou ser reimpressa com uma nova imagem, enquanto as reedições recentes vieram com a foto original "atualizada", sendo com a cabeça dos músicos cortada ou envelhecida, e até mesmo com uma nova imagem, agora sim trazendo os músicos do Dead Kennedys.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | A ideia original da IRS, gravadora do grupo, era que a capa viesse com a cor laranja e as letras na cor preta, porém os músicos não aprovaram a sugestão por considerá-la inferior à versão lançada na Inglaterra - o disco saiu primeiro no Reino Unido pela Cherry Red Records e só em 1981 nos Estados Unidos, porém com a capa laranja não aprovada pela banda. Algumas prensagens posteriores trouxeram adições ao tracklist, com a inclusão de "Police Truck" entre "Let's Lynch the Landlord" e "Drug Me", e também a presença de "Too Drunk to Fuck" no final do lado A.
E sobrou até para o Brasil. A primeira edição nacional de "Fresh Fruit for Rotten Vegetables" foi lançada pela Continental em 1986 em duas versões: uma em vinil preto e outra em vinil branco. Essa versão com o disco na cor branca é disputada por colecionadores de todo o mundo e é uma verdadeira raridade hoje em dia.

"Fresh Fruit for Rotting Vegetables" é um dos maiores clássicos do punk e um dos álbuns mais importantes da história do rock. Presença constante em listas elaboradas pelas mais variadas publicações e sites, o disco é o ápice da carreira do Dead Kennedys e um álbum obrigatório em qualquer coleção de discos.
Ou seja: aproveite o relançamento da Hellion e dê esse disco de presente para a sua coleção.

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