Glenn Hughes: em 1994, o ótimo ao vivo gravado no Japão
Resenha - Burning Japan Live - Glenn Hughes
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 06 de julho de 2019
"Burning Japan Live" é o primeiro álbum ao vivo da carreira solo de Glenn Hughes e foi lançado em 31 de agosto de 1994. O disco, como o título dá a pista, foi gravado no Japão, mais precisamente no Club Chitta, localizado na cidade de Kawasaki, nos dias 24 e 25 de maio de 1994, durante a turnê de "From Now On … (1994)", seu terceiro trabalho solo.
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O que temos é um disco com 15 faixas, equilibrado entre clássicos do Deep Purple, canções dos álbuns de Hughes e também do álbum "Hughes/Thrall", gravado em 1982 junto com o guitarrista Pat Thrall (Pat Travers, Asia, Meat Loaf). O vocalista e baixista, que antes do Purple também teve uma carreira de destaque no Trapeze e mais tarde integraria o Black Country Communion, estava acompanhado na época por uma banda excepcional. Faziam parte da turma de Glenn Hughes na turnê os guitarristas Thomas Larsson (que passou pelo Six Feet Under) e Eric Bojfeldt, o tecladista Mic Michaeli, o baixista John Levén e o baterista Ian Haugland - os três últimos também integrantes da banda sueca Europe. E um adendo: Hughes apenas canta no disco, deixando o baixo por conta de Levén.
A verdade é que "Burning Japan Live", mesmo 25 anos após o seu lançamento, continua sendo o melhor registro ao vivo de Glenn Hughes como artista solo e um dos melhores álbuns ao vivo com a sua participação. Ainda que naquela época Hughes utilizasse bastante o recurso dos gritos ao longo das músicas, eles não eram tão cansativos quanto acabaram se tornando anos mais tarde - hoje, o músico já entendeu que não está em um programa como o The Voice e que não precisa ficar gritando de maneira desesperada para provar que sabe cantar.
A Hellion Records havia lançado este ao vivo no Brasil em 1994, mas desde então ele estava fora da catálogo. Isso foi corrigido pela própria Hellion, que relançou "Burning Japan" Live em 2018. A nova edição não traz material adicional - algo que nenhuma versão mundo afora possui, diga-se de passagem - e mantém as mesmas características da anterior.
Musicalmente, o que temos é uma excelente performance de toda a banda. Hughes estava com a voz mais jovem do que apresenta hoje, duas décadas depois, e a banda que o acompanha é excelente, com destaque para a cozinha formada por John Levén e Ian Haugland. A bela escolha do tracklist é outro ponto forte, resultando em um show agradável e que proporciona ótimos momentos durante a audição, variando entre canções mais agressivas e outras mais calmas. Como curiosidade, vale mencionar que o disco contém uma faixa, "Still in Love With You", que não consta em nenhum dos álbuns de Hughes e que traz o vocalista acompanhado somente pelo teclado - que ele mesmo toca - enquanto canta. Apesar de homônima a um dos grandes clássicos do Thin Lizzy, a "Still in Love With You" de Glenn não tem nada a ver com a da banda de Phil Lynott.
Entre as músicas, destaque para "From Now On …", "Owed to H", "This Time Around", "Gettin' Tigher", "You Keep on Moving", "Lady Double Dealer", "I Got Your Number", "Burn" e "Stormbringer". No entanto, todas as faixas apresentam ótimas performances e formam um tracklist muito sólido.
Em uma época onde discos verdadeiramente ao vivo são cada vez mais raros e têm as suas "falhas" corrigidas sem dó no estúdio, "Burning Japan Live" é um ótimo exemplo de como a música caminha com os próprios pés e sustenta sem a ajuda de nada e ninguém um ótimo show.
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