Prophets of Rage: estreia do supergrupo poderia render mais
Resenha - Prophets of Rage - Prophets of Rage
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 28 de junho de 2019
O Prophets of Rage é a união dos instrumentistas do Rage Against the Machine - o guitarrista Tom Morello, o baixista Tim Commerford e o baterista Brad Wilk - com os rappers B-Real (do Cypress Hill) e Chuck D (do Public Enamy), mais o DJ Lord (também do Public Enemy). Ou seja: sai o discurso de Zack de la Rocha e entra a poesia igualmente contestadora de Chuck e Real. Musicalmente, o que sai das caixas é a sonoridade de uma das mais importantes e originais bandas dos anos 1990 turbinada pelos versos de duas das das mais lendárias vozes do rap.
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Logicamente, tudo isso faz com que o auto-intitulado primeiro disco da banda tenha a política como tema principal das letras, ainda mais por ter sido lançado em 2017, logo após a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. O álbum, que foi ignorado pelas gravadoras brasileiras, finalmente chegou ao mercado nacional em uma iniciativa digna de elogios da Hellion Records, que foi atrás de um título que a representando brasileira da Fantasy Records não teve interesse em disponibilizar por aqui.
O CD vem com doze faixas e foi produzido por Brendan O’Brien (Pearl Jam, Bob Dylan, AC/DC). Há momentos em que a herança do Rage Against the Machine ganha destaque, como em "Living on the 110", e outros onde a banda parece querer fugir da identidade sonora de outrora. Isso faz com que algumas canções acabem perdendo força e vaguem por um caminho sem muito foco, como fica claro no trio de faixas que abre o disco - "Radical Eyes", "Unfuck the World" e "Legalize Me". Essas faixas não trazem a raiva e a indignação nas interpretações vocais que se esperaria de uma união entre forças artísticas tão provocadoras.
Muito dessa sensação vem da abordagem que Morello adotou na guitarra. Ele não utiliza as notas marcantes dos tempos do RATM, onde a sua guitarra era quase percussiva e os acordes despejavam uma espécie de rap faiscante, e tampouco trilha caminho semelhante ao Audioslave, onde alternou momentos de peso explosivo com outros de puro lirismo. É louvável, e perfeitamente entendível, que um instrumentista do calibre de Morello não queira se repetir, no entanto a maneira como ele coloca a sua guitarra na maioria das canções deste primeiro álbum do Prophets of Rage deixa a sensação de que a coisa poderia render muito mais do que efetivamente rendeu.
Independente desses aspectos, o fato é que trata-se de um trabalho marcante e até mesmo histórico por reunir músicos que sempre tiveram um discurso semelhante e que aqui juntaram forças para expressar o que sentem em relação ao momento atual do mundo.
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