Dream Theater: Train of Thought é rico e repleto de qualidades
Resenha - Train of Thought - Dream Theater
Por Marcio Machado
Postado em 02 de junho de 2019
Nota: 9 ![]()
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O Dream Theater se consolidou de vez na cena Metal quando lançou o álbum conceitual "Metropolis Pt.2: Scenes From a Memory – (1999)" e deu seus primeiros passos para trocar de vez a sonoridade para algo mais pesado em "Six Degrees of Inner Turbulence – (2002)", mas foi no disco seguinte que de fato eles se consolidaram com a sonoridade do metal e construindo algo realmente pesado, rápido e cheio de riffs, com influências como o Pantera.
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A capa do disco é um tanto minimalista e traz a cor preta predominante com uma figura em escala cinza, mostrando que as coisas por ali seriam um tanto sombrias e diferentes, e logo que a coisa se inicia vemos que de fato vamos ter mudanças.
"As I Am" é quem surge para abrir os trabalhos, quando começa pensamos se tratar de algo mais brando, um baixo mais calmo de Myung, mas soturno, surge e do nada a banda inteira aparece com uma nota cheia de peso e tudo vai ganhando forma. Quando tudo realmente engrena, se transforma numa locomotiva em pleno movimento, e que prazer é ouvir isso aqui em funcionamento. Peso escancarado, um groove gigante da banda e LaBrie colocando sua voz muito bem. Que refrão maravilhoso, e que andamento senhores. Falar sobre o que cada um dos músicos realiza aqui é chover no molhado pois suas qualidades já são mais que conhecidas. Petrucci tira faísca das cordas no solo e Portnoy espanca a bateria com baquetas que parecem de aço e que timbre o moço usa em seu instrumento. Um dos melhores começos de um disco da banda.
Sem tempo a perder "This Dying Soul" já chega sem aliviar e que pedrada essa abertura. Fica difícil comentar algo sobre essa introdução tamanha cadencia de tudo. É incrível como tantos elementos se juntam para criar algo tão forte e brutal como o que é ouvido. Se trata da segunda parte da famosa "saga da cachaça" de Mike Portnoy, iniciada no disco anterior e que peça magnifica essa aqui. Durante seus mais de dez minutos somos levados à um vai e vem de ritmos e notas que viram de cabeça pra baixo e nos trazem de volta e lá pela sua metade há uma virada de ritmo que nos bate como um murro no queixo e que viagem é ouvir isso. A única parte que derrapa aqui é seu final que se torna desnecessário em ser tão esticado, mas ainda assim, uma grande faixa em todos os sentidos.
"Endless Sacrifice" dá um pequeno respiro em seu início, trata-se de uma abertura bastante melancólica e lenta e como LaBrie domina com maestria esses momentos. Sua voz passa todo o sentimento que a canção pede e que conjunto magnífico isso compõe, e aos poucos um crescendo vem chegando, até explodir num refrão pesado e cheio de raiva, e de novo vale o destaque de como a banda estava afiada ao criar isso aqui e sabiam como conduzir cada detalhe mínimo ao estarem dispostos a trabalhar esse lado mais dark. Em seu solo há umas pequenas bobagens como alguns barulhinhos dos teclados de Rudess que não havia necessidade, mas nada que estrague se não levado a sério.
Quer introdução de bateria? Então toma, "Honor Thy Father" começa parecendo um rolamento de trator por cima da gente. Portnoy gastou nessa abertura e a introdução continua agitada quando seus companheiros aparecem, que delicia tanta harmonia. A abertura é tão bem composta que anos mais tarde a banda Oficina G3, usaria de inspiração para uma de suas faixas, a "Diz", do álbum "Histórias e Bicicletas". O baterista Alexandre Aposan se diz fã assumido de Mike e da banda. De volta à faixa, as coisas ficam realmente pesadas no andamento e tem uma passagem bastante sombria e pesada em sua metade, aliada a samples de falas de alguns filmes que Portnoy tem como favoritos, como Magnolia. Sobre a letra forte da canção, o baterista afirma que queria escrever algo sobre ódio e daí surgiu o que ouvimos. Uma das melhores composições do DT.
"Vacant" é uma espécie de interlúdio sendo a menor canção do álbum com menos de três minutos. Faixa composta por LaBrie, apesar de seu andamento lento é muito bonita e acaba por marcar no meio de tanto peso e nota, mesmo simples ela consegue ocupar seu espaço. E já dando seguimento, temos a faixa instrumental "Stream of Consciousness" que segue a linha do disco, é pesada e bem levada, porém aqui mesmo a banda sendo afiada ao tratar desse tipo de canção, ela não se faz das mais inspiradas dentro do gênero ou da obra do DT, ela vai e volta sem acrescentar muita coisa ou de fato nos impressionar.
"In the Name of God" é quem encerra os trabalhos, começando bastante sombria, logo cai em peso e groove e segue cheia de cadencia. Tem um refrão muito forte e esbanja melodia e melancolia. A dobra de guitarra e teclado no solos é maravilhosa e enche os ouvidos e faz ver cada nota soada. Única coisa que quebra o clima aqui é de novo a insistência de Rudess em usar barulhinhos em uma passagem tirando o que foi construído até ali um pouco fora do rumo, não colocando em risco, mas sendo apenas chato. Mas logo se recupera e termina de forma apoteótica e cheia de drama. Muito belo encerramento.
"Train of Thought" é de fato um álbum de imensa importância na carreira do Dream Theater, para muitos se trata do melhor álbum e para uma outra parcela de fãs, foi onde as coisas morreram e eles se perderam em sua própria sonoridade. Entre gregos e troianos o fato é que temos sim um belo trabalho aqui, um disco muito rico em vários aspectos e repleto de qualidade, não é perfeito com pequenos errinhos, mas o lado bom, ah, esse prevalece e o faz com maestria.
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