Resenha - Train Of Thought - Dream Theater
Por Tomas Gouveia
Postado em 07 de janeiro de 2004
Ao ouvir o album novo do Dream Theater, constatei que infelizmente, o radicalismo que se limitava apenas aos fãs adolescentes de Iron Maiden e Metallica, passaram para os ditos músicos de carteirinha que sempre rasgaram elogios à banda de Mike Portnoy e Cia.
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Não é possível que qualquer caminho a ser procurado dentro da música faça com que os fãs fiquem decepcionados com um albúm como este. A quantidade de influências que invadem nossos ouvidos nos quase setenta minutos de audição é uma coisa digna de aplausos.
É claro que o flerte com o chamado "new metal" existe em alguns trechos, mas existe também a boa lembrança de Black Sabbath, King Crimson, Marillion e tantas outras bandas que influenciaram, influenciam e vão continuar influenciando a banda por muito tempo.
Analisando cada faixa vemos que:
AS I AM - Um riff matador de guitarra abre a música de forma que temos a impressão de estarmos ouvindo o começo de alguma faixa do Black Sabbath feita entre 1970 e 1973. Já o desenrolar da música nos leva de volta ao comercialismo, mas não desprovido de qualidade do album Falling Into Infinity de 1997. Em resumo, boa música para se iniciar um albúm.
THIS DYING SOUL - Música que já vale pela melodia despejada pelos Srs. Rudess e Petrucci em nossos ouvidos como base para o refrão cantado por La Brie. Fora isso temos a primeira demonstração da sensibilidade de composição de Rudess em como criar climas para se levantar ou abaixar a música na medida certa.
ENDLESS SACRIFICE - Faixa que começa cadenciada, lenta, mas é onde todo o virtuosismo dos integrantes começa a ser mostrado, com destaque para o solo de Rudess no meio da música.
HONOR THY FATHER - Música nervosa que tem um refrão muito bem colocado por La Brie, e que de cara vemos o quanto este homem mudou para melhor desde a sua entrada na banda. Aqueles agudinhos insuportáveis de Take The Time, Another Day e Innocence Faded se foram, e agora temos realmente interpretações contidas, no caminho que o prog metal pede, como Russel Allen e Ray Alder costumam fazer. Garra ao invés de falsetes e gritos.
VACANT - Faixa curta no clima do começo de Space Dye Vest que serve de transição para o petardo Stream Of Consciouness.
STREAM OF CONSCIOUNESS - Faixa instrumental onde os caras demonstram todo seu virtuosismo e que nada deve aos clássicos instrumentais da banda como Ytse Jam, Erotomania, Hell´s Kitchen ou Overture 1928.
IN THE NAME OF GOD - Fechamento do albúm com chave de ouro, e onde se encontra o melhor refrão criado pelo DT desde Home. E conta ainda com o fechamento apoteótico colocado por Rudess no melhor estilo Finally Free.
Fãs de Dream Theater, nos últimos anos todos os integrantes estiveram envolvidos com Spock´s Beard, Fates Warning, The Flower Kings, Platypus, e Liquid Tension Experiment, e isso acabou por influenciar e transformar o som da banda de elaborado para adolescentes para elaborado para adultos. Como diria o começo de METROPOLIS PT.2: "Close Your Eyes And Begin To Relax" e bom divertimento.
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