Resenha - Train Of Thought - Dream Theater
Por Raphael Crespo
Postado em 22 de março de 2004
Texto originalmente publicado no
JB Online e no Blog Reviews & Textos.
Antes de mais nada, um aviso: gostar de Dream Theater não é para qualquer um. Formada em Nova York, no final da década de 80, a banda é conhecida pelo virtuosimo de seus integrantes e pelas músicas longas, progressivas, cheias de nuances e melodias extremamente elaboradas. Seria algo como o dinossauro canadense Rush, só que mais pesado. É preciso ter estômago e muita paciência para ouvir músicas de até 14 minutos. Mas, os que gostam sabem que trata-se de uma das maiores e mais fantásticas bandas do metal progressivo em todos os tempos.
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Em Train of Thought, mais recente álbum de estúdio, o Dream Theater aparece mais pesado que nunca, mas nem um pouco direto, como é o costume do grupo. Em quase 70 minutos de CD, apenas sete músicas foram gravadas. Algo para fazer o consumidor se sentir enganado e pedir seu dinheiro de volta? Não! Novamente, gostar da banda não é para qualquer um. É preciso ter estômago. E os que têm e são fãs antigos, certamente vão se deliciar com este trabalho, apesar de claras influências, em alguns momentos, do famigerado new metal, que, no entanto, ficam longe de comprometer.
No megalômano e ótimo duplo de estúdio Six Degrees of Inner Turbulence (2002), álbum anterior, a banda já incorporou diferentes influências em seu som, principalmente no primeiro dos CDs, enquanto o segundo trazia oito divisões da faixa-título, num estilo mais do Dream Theater antigo. O novo Train of Thoug é uma mistura dos novos elementos com o som que a banda fazia na época de álbuns como Images & Words (1992) e Awake (1994).
As I am é a belíssima faixa de abertura, com um riff maravilhoso do guitarrista John Petrucci, sem dúvida um dos melhores do mundo, e a sempre perfeita cozinha do baixista John Myung e do baterista Mike Portnoy, que, apesar da repetição, deve-se dizer, também é um dos maiores em seu instrumento. O refrão é cantado de forma magistral pelo vocalista James LaBrie.
This Dying Soul, em que o tecladista Jordan Rudness despeja seu talento, dá início à sequência de faixas com dez ou mais minutos, quebrada apenas pela baladinha Vacant, quinta música, com menos de três minutos, que vem depois de Honor thy father, a melhor do álbum, e abre caminho para Stream of consciousness, longa e pesada instrumental, uma tradição nos álbuns do Dream Theater, quando a banda mostra todo o seu virtuosismo. O CD termina com a épica In the name of God, que, apesar de 14 minutos, deixa um gosto de quero mais.
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