Moonspell: A obra de arte que narra uma tragédia
Resenha - 1755 - Moonspell
Por Mateus Ribeiro
Postado em 25 de abril de 2019
Nota: 9 ![]()
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O dia 1 de novembro de 1755 foi uma data terrível para o povo de Portugal. No primeiro dia do penúltimo mês do ano, um terremoto (seguido de maremoto) atingiu a capital Lisboa,causando milhares de mortes, além da destruição quase completa da cidade. No link abaixo você pode conferir de maneira resumida como a tragédia aconteceu.
Para dar um tom mais dramático para o triste acontecimento,Portugal é um país católico,e no 1 de novembro é comemorado o Dia de Todos os Santos. No momento do terremoto, muitas pessoas estavam em igrejas para celebrar a data, e acabaram morrendo, ao passo que os templos foram destruídos.
Além de livros e documentários, o Sismo de 1755 virou tema de música. Mais especificamente, de um disco: "1755", da banda portuguesa de gothic metal Moonspell, lançado em 2017.
É claro que o clima do álbum não é nem um pouco leve, afinal, estamos falando de uma banda de metal gótico narrando um dos episódios mais tristes da história de seus conterrâneos e antepassados.
"Em Nome Do Medo",a longa, sombria e pesada introdução consegue fazer com que o ouvinte comece a entender a história e viaje enquanto ouve o disco. Aliás, o fato do álbum inteiro ser em português (com algumas passagens em latim) ajuda a compreender melhor os acontecimentos.
A faixa que dá nome ao álbum reflete bem o clima de tensão que a cidade passou naquele dia (e nos posteriores), e um de seus versos narra bem o que aconteceu: "Não, não ficara pedra sobre pedra
Não, não restara ninguém sobre e terra".
Já "In Tremor Dei" soa mais como um lamento pelo acontecido, enquanto a pesada "Desastre" demonstra um pouco da revolta com Deus, "o autor do desastre". "Abanão" é um dos momentos mais pesados do disco, e mantém o clima épico/dramático/intenso apresentado nas músicas anteriores.
Talvez uma das faixas mais contestadoras do disco seja "Evento", que traz em um de seus versos um questionamento que possivelmente foi baseado no fato de tudo ter acontecido enquanto Deus era cultuado por seus seguidores: "A fé não serve de nada, que é feito do Deus que nos amavas?".
Com um grandioso riff e refrão, "1 de Novembro" é uma das músicas mais emocionantes de toda a narrativa,além de trazer aquelas que são as únicas palavras de esperança do álbum inteiro: "E nasce a nova Lisboa, no 1 de novembro". Já perto do final do trabalho, "Ruínas" traz muito peso, e fala sobre a destruição da cidade, e as dúvidas que pairavam na cabeça dos sobreviventes.
A afirmação que as divindades não foram suficientes para proteger a população é a base de "Todos Os Santos", última música autoral do álbum, muito bem construída, unindo peso, melancolia e agressividade, tudo com muita classe.
Por fim, o curioso cover para "Lanterna dos Afogados", do Paralamas do Sucesso, encerra a aula de história disfarçada em notas musicais.
É óbvio que todo esse conceito não valeria de nada se fosse feito por uma banda incapaz. Porém, estamos falando do Moonspell, e tudo o que tornou a banda um dos grandes nomes da cena do metal está presente em "1755": riffs pesados, baixo e bateria funcionando em perfeita harmonia, vocais magníficos, experimentalismo, e a habitual categoria de Fernando Ribeiro e sua turma.
Se você não conhece o disco, corra! Se já conhece, ouça quantas vezes puder!
Ano de lançamento: 2017
Faixas:
"Em Nome do Medo"
"1755"
"Em Tremor Dei"
"Desastre"
"Abanão"
"Evento"
"1 de Novembro"
"Ruínas"
"Todos os Santos"
"Lanterna Dos Afogados"
Formação:
Fernando Ribeiro - vocal
Ricardo Amorim - guitarra
Aires Pereira - baixo
Miguel Gaspar - bateria
Pedro Paixão - teclado
Outras resenhas de 1755 - Moonspell
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