X-Japan: Em 1993, o maior épico da história do Metal Japonês
Resenha - Art Of Life - X Japan.
Por Marcondes Pereira
Postado em 18 de dezembro de 2018
Nota: 10 ![]()
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Ao olhar para a década de 1990, não há como negar que ela foi uma das mais brilhantes e produtivas para vários estilos de Metal. Basta lembrar que verdadeiros clássicos como "Image And Words" (Dream Theater); "Painkiller" (Judas Priest); "Nightfall In Middle-Earth" (Blind Guardian) e "Symphony Of Enchanted Lands" (Rhapsody Of Fire) foram lançados neste período e são aclamados como verdadeiros diamantes da música pesada até hoje.
No ano de 1993, o X-Japan, a banda de metal japonês mais importante e influente no planeta, causou um assombro sem igual com um álbum megalomaníaco chamado "Art Of Life" (1993)
Mas o que torna "Art Of Life" a canção mais insana e importante de todos os tempos do Heavy Metal do Japão? Absolutamente tudo.
Este álbum é composto de uma única música com 29 minutos de duração na qual, a banda fala da experiência da vida em todas as suas complexidades e contradições, passeando com uma coerência sem equivalentes pelo Metal Clássico, Power Metal, música erudita, filosofia e muito sentimento.
Com a participação da Orquestra Filarmônica Real Britânica, o X-Japan inicia sua obra máxima com uma aparência de uma linda balada melancólica, mas logo a música ganha força entre as levadas de bateria constantes e doentias de Yoshiki (Compositor e letrista da canção), o baixo eficiente de Health e os riffs virtuosos das guitarras de Pata e Hide, que demonstram uma gama de detalhes singulares gerando um sentimento contínuo de pompa, espetáculo, sonho, transcendência.
Melancolia, fúria subjetividade, velocidade, peso, tudo retratado de maneira primorosa com a letra que fala da complexidade de viver, oscilando entre uma abordagem ora bela, ora crua. Assim é a canção nos seus avassaladores primeiros quinze minutos.
Com um extenso solo feito por dois pianos que dura por mais ou menos nove minutos, o X-Japan retrata no momento seguinte da canção a experiência sonora mais catártica da sua discografia. Uma sequência de melodias agradáveis e brutas que representa de uma maneira fortíssima e psicótica a eterna tensão entre caos, ordem, amor, ódio, sanidade e loucura que todos nós lidamos em nossas vidas do instante que nascemos, até o dia das nossas mortes.
Por volta dos quatro minutos finais, a canção retoma ao apelo vibrante do seu primeiro trecho com uma tímida, mas inteligente participação da orquestra e em seguida, dos demais membros da banda.
Não é nenhum exagero dizer que "Art Of Life" é uma canção sem igual no Heavy Metal, não apenas pelo seu tema tão complicado e executado com elegância e bom gosto, mas também pelos arranjos que soam tão diferentes de outros épicos da música pesada, com simbolismos tão bem-feitos que nem parecem de verdade, ou humanamente possíveis de serem executados.
"Art Of Life" ao lado dos outros dois épicos da década de 90 " A Change Of Seasons" (Dream Theater) e "A Pleasant Shade Of Gray" (Fates Warning) torna compreensível o porquê do Heavy Metal ser ilimitado em termos criativos e continuar a encantar pessoas do mundo inteiro.
Difícil saber se outro colosso metálico criará versos tão belos e universais quanto os abaixo, mas não custa continuar a acreditar.
"I believe in the madness called "Now"
Time goes flowing, breaking my heart
Wanna live
Can't let my heart kill myself
Still I haven't found what I'm looking for
Art of life
I try to stop myself
But my heart goes to destroy the truth
Tell me why
I want the meaning of my life
Do I try to live, Do I try to love
in my dream"
("Eu creio na loucura chamada "Agora"
O tempo continua fluindo, quebrando o meu coração
Quero viver
Não posso deixar o meu coração me matar
Ainda não achei o estou procurando
Arte da Vida
Eu tento parar a mim mesmo,
porém o meu coração vai destruir a verdade
Diga-me o porquê
Eu quero o sentido da minha vida
Tento viver? Tento amar
em meu sonho." )
X-Japan- Art Of Life.
1993/ Atlantic.
Faixa:
1) Art Of Life
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