Order of Destruction: EP reverencia a escola clássica do metal

Resenha - Disobey - Order of Destruction

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Por Júlio Verdi
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Old School. Um termo muito utilizado na literatura rock quando se refere a uma música feita nos dia de hoje que traz referências à época do nascimento do estilo a qual ela se enquadra. Para quem não acompanha e não gosta de heavy metal, o estilo sempre será tido como novo. Música de "hoje em dia". Mas lá se vão 48 anos desde que o Black Sabbath lançou seu primeiro disco, pedra fundamental do estilo. Assim, todo e qualquer subestilo de metal que foi se desenvolvendo posteriormente carrega consigo a experiência de décadas. Assim, quando falamos de "old school" do metal, nos referimos às características originais e transformadas do estilo, essencialmente nos anos 1980 (do metal tradicional ao death). Nos últimos anos tivemos um revival de bandas forjando sua música nestes padrões de heavy metal. E hoje vamos apresentar mais uma delas, que começa dar seus primeiros passos, apostando nesses padrões. É a Order of Destruction, de São José do Rio Preto/SP, que começou suas atividades no final de 2013. Formada por jovens músicos, que se alimentaram das influências mais clássicas do estilo, João Octavio Gallo (vocal/guitarra base), Guilherme Henrique (guitarra solo), Airam (bateria) e Lavinas (baixo).

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Em 2017 lançaram, de forma independente, seu primeiro CD/EP, "DISOBEY", com 6 faixas. Já haviam lançado um videoclipe para a música "By Myself", do disco. E recentemente, divulgaram o vídeo para "Let it Rise", música inédito da banda.

A música do Order é incrementada com elementos do power metal (leia-se Running Wild, Grave Digger), com doses da escola clássica do thrash e muito metal tradicional. Se enquadraria de boa no conceito heavy/thrash.

O CD abre com "Ruthless Killer", cujo lick inicial de guita com uma aura oriental, dá espaço a uma canção que mistura velocidade. A cadência a lá Slayer tem o peso denso do espírito oitentista. "Brainwash" tem uma cadência quebrada, que em alguns momentos lembra o Megadeth atual, principalmente pelo duo guitarra/bateria. Riffs pesados passeiam sobre uma base de backings vocals.

"DISOBEY", a faixa título, inicia-se com cara de metal clássico, com suas variâncias dando espaço a incursões latentes do baixo. Doses de melodias oitentistas principalmente nas dobras e no solo. O riff dobrado e cavalgado de "Land of Chaos" faz a faixa soar clássica e moderna ao mesmo tempo (como referência poderíamos citar algum trabalho recente do Judas Priest).

"Cancer" é aberta e direcionada pelo baixo e é tem boa dose de velocidade acrescida posteriormente, lembrando bateria de thrash em alguns momentos. A cadência é marcada pelo uso de pedal duplo. E "By Myself" fecha o EP, se candidatando, em minha visão, ao "hit" da banda (por enquanto). Vem naquela levada "Kill'em All" do Metallica, fazendo os elementos melodia e velocidade se entrosarem perfeitamente.

Uma galera, de faixa etária tão baixa, concebendo um disco seguro, forte, transbordando inspiração e dedicação ao estilo, é um fato que deixa nós, velhos rockeiros/headbangers, muito felizes, pela perspectivas da continuidade da construção autoral dentro do heavy metal. É um resgate do passado, concebendo temas moldados ao jeito peculiar que cada músico carrega na arte de compor. O Order tem muito ainda a evoluir, e, se precocemente nos apresenta um trabalho de ótimo gabarito, imagino o que podem apresentar nos próximos anos.

Com a palavra, os rapazes do Order

Ready to Rock - A música da banda remonta à bandas clássicas do metal (tradicional e thrash). Como músicos tão jovens foram beber em fontes tão distantes?

João Gallo - Bom, o metal é uma fonte inesgotável de coisa boa, porém, todos sabem reconhecer as raízes dele, e foi assim conosco. Amamos o old school e também sabemos apreciar a fatia jovem do metal, e isso só gera coisa boa. O clássico jamais será esquecido, são nossas raízes e elas serão respeitadas por todo headbanger, por mais novo que ele seja. Em nossas veias corre metal oitentista, e claro, a parte jovem do metal.

RR - Mesmo assim tem-se algumas referências a grupos mais contemporâneas, concorda?

João Gallo - Concordamos, e como dito anteriormente, possuímos esse elo entre o old e o moderno. Não queremos soar como "mais do mesmo", por isso trazemos diversos elementos mais modernos e gostamos do resultado disso.

RR - Como você sente a cena nacional atual para o heavy/thrash metal tradicional?

João Lavinas - Cara, vou te falar que essa é uma pergunta que chega a doer meu coração. A verdade o que eu sinto é que a cena, não só para o heavy/thrash metal, mas para todo o metal, está na UTI com quadro nada estável e com muitas complicações. O modelo de o que é banda e o que é a cena nacional mudou muito, antes, não havia internet então sair para ver uma banda, significava sair para se encontrar com os amigos e paqueras. Hoje, com a internet, as pessoas não vão mais ver os shows ao vivo e isso tem muita culpa de todas as partes do processo. As casas para o metal perderam público porque não se desenvolveram e evoluíram como as dos outros estilos ou focadas em cover, as casas ainda são lugares ditos underground, mas que não tem a mínima condição de concorrer com a baladinha top da esquina. As bandas, por muitas e muitas entrarem cedo e "queimarem a largada" acabaram queimando o filme das bandas autorais, ou seja, bandas autorais viraram sinônimos de bandas amadoras. Ninguém mais vai em um show de uma banda desconhecida que sequer tem o nome de outra conhecida atrelado a ela. O público, voltando na questão da internet, é um facilitador, revolucionou o mundo e, não sabemos mais como tirar essa galera "do seu apartamentinho", o louvor a bandas do passado e a resistência a bandas novas fazem com que os covers lotem as casas de shows, enquanto as bandas autorais não consigam nem chegar perto de cobrir os custos variáveis daquele show. Ou seja, a cena nacional tem muito potencial, muito espaço a ser preenchido mas uma missão não vista até então, atrair novamente o público para os shows.

RR - Por se tratar de um estilo bem agressivo, se comparado a outros do metal (tradicional/hard rock), imagino ser muito mais difícil a rotina de tocar ao vivo, certo?

João Gallo - Há um certo desgaste, as músicas de fato são bem difíceis de serem executadas, e por este motivo temos uma rotina de ensaio religiosa desde os primórdios da banda. O grande lance é que por vezes ensaiamos como iremos nos portar durante os shows, e isso ajuda bastante. É claro que a adrenalina é outra, mas lidamos bem com isso. Há também o lance de ter menos locais para tocar, por não ser um gênero tão "popular", isso dificulta bastante, mas as bandas se ajudam muito e por todo Brasil ainda existem pessoas que erguem a bandeira do metal conosco.

RR - O CD "DISOBEY" tem um resultado de produção surpreendente. Onde foi gravado e produzido?

Airam - DISOBEY foi produzido e gravado exclusivamente no Zarref Studios, aqui em São José do Rio Preto com o produtor Henrique Ferraz. Henrique também produziu excelentes bandas daqui, como OUDN e Deathray, por exemplo (e ambas também são muito parceiras nossas). Devemos muito da nossa musicalidade a esse cara.

RR - Tem uma boa variação de músicas como as rápidas "Ruthless Killer" e "By Myself" e as cadenciadas e com boa dose de melodia como "Brainswash" e "Land of Chaos". Como funciona o processo de composição na banda?

Airam - Entre os integrantes temos diversas influências individuais, e trazemos tudo isso na hora de compor. Buscamos tanto a velocidade das bandas old school, quanto ao peso e os breaks das bandas mais modernas. Cada música nasce de uma maneira, tem sua história, e todos participamos do processo de desenvolvimento delas, colocando nossas ideias tanto como indivíduos, quanto como banda. E ao final, lapidamos tudo com uma boa produção e gravação.

RR - Vocês tinham produzido um vídeo para "By Myself". Agora estão lançando um novo clipe, "Let it Rise". Planos para um novo CD em breve?

João Lavinas - Isso. Em 2016 lançamos nosso primeiro single, "By Myself"; em 2017, lançamos junto com o primeiro EP "DISOBEY", o clipe da música "Brainwash". Agora, em 2018, lançamos o single "Let it Rise", também no formato de clipe. Assim, como "By Myself" foi o pontapé para o EP; "Let it Rise" é o pontapé para nosso primeiro álbum full length. Respondendo à pergunta, esperamos até o final de 2019 já ter lançado nosso novo CD.

RR - Como estão atualmente as atividades da União Underground (grupo que reúne bandas de heavy metal de S.J.Rio Preto)?

João Gallo - A União Underground já não existe mais, houve alguns desgastes durante os processos, e ela acabou se dissolvendo. Fizemos muitas coisas legais por lá, mas enfim, não houve sequência. O que existe hoje em dia é um protótipo de projeto chamado Rota Underground 017, que tem a ideia de tornar Rio Preto uma referência para bandas de fora virem tocar aqui, mas o cenário de público não tem colaborado para que isso tenha sucesso. Precisamos repensar os evento e o metal, estamos fazendo isso, mas não sei onde conseguiremos chegar.

RR -Vejo muita banda lançando trabalho autoral em Rio Preto, até dentro da cena metal. Como você vê a cena do rock autoral da cidade?

Airam - Cremos que a cena do rock e metal da cidade de Rio Preto tem grande potencial. Hoje ela não está tão ativa quanto poderia, mas tem muita capacidade e está em ascensão! Ótimas bandas, ótimos produtores, ótimos gravadores nos cercam aqui e lutamos para valorizar nossa cidade e nossa região todos os dias, criando parcerias com novas bandas, bandas de outras cidades, outras regiões, movimentando o local e buscando representar bem lá fora.

RR - Quais os próximos passos da carreira da banda e até onde você imagina que o Order pode chegar em termo de sucesso no undergroud?

João Lavinas - Os próximos passos pelo menos até 2019 estão traçados. Finalizamos o ano de 2018 com o show com o Hangar em Rio Preto. Em 2019 retornamos no carnaval com nossa tour para o Paraná, faremos 7/8 shows lá em 9 dias. Após isso, retomaremos as gravações e finalizaremos o nosso álbum full length. Isso é o que está traçado a curto prazo, no longo prazo nossas intenções são as melhores possíveis. Gostaríamos muito de abranger a América do Sul ainda nos próximos anos. E claro, não esquecer do Norte e Nordeste onde tem muita gente que gosta do nosso som. Vemos o Order com muito potencial, por isso investimos muito tempo, dedicação e dinheiro na ideia da banda. Portanto não faria sentido não nos vermos, no futuro, no patamar das grandes bandas nacionais.

RR - Fique à vontade para deixar qualquer outra informação sobre a banda.

João Gallo - Bom, estamos trabalhando em várias novidades para ano que vem, músicas, clipes, tours... Será um ano bem agitado! Também é legal lembrar que nosso EP "Disobey" e o single "Let it Rise" estão disponíveis em todas as mídias digitais, no caso do EP, também em mídia física. Enfim, se atentem nas nossas redes sociais, várias novidades serão anunciadas com brevidade!




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Sobre Júlio Verdi

Júlio Verdi, 45 anos, consome rock desde 1981. Já manteve coluna de rock em jornal até 1996, com diversas entrevistas e resenhas. Mantém blogs sobre rock (Ready to Rock e Rock Opinion) e colabora com alguns sites. Em 2013 lançou o livro ¨A HISTÓRIA DO ROCK DE RIO PRETO¨, capa dura, 856 páginas, trazendo 50 de história do estilo na cidade de São José do Rio Preto/SP, com centenas de fotos, mais de 250 bandas, estúdios, bares, lojas, festivais e muitos outros eventos. Curte rock de todas as tendências, em especial heavy metal e thrash metal.

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