Dir En Grey: novo álbum é mesmice, só que das boas
Resenha - Insulated World - Dir en grey
Por Victor de Andrade Lopes
Postado em 24 de outubro de 2018
Nota: 8 ![]()
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Houve uma época em que toda vez que o Dir en grey, um dos maiores nomes do metal japonês atualmente, anunciava um novo disco, a pergunta que se fazia era: qual o direcionamento musical que o quinteto adotará? Bem, essa época parece ter chegado ao fim.
O grupo se agarrou a uma zona de conforto. Se os trabalhos de estúdio deles descrevessem uma curva num gráfico peso x tempo, poderíamos dizer que, a partir de Uroboros, a curva foi ficando cada vez menos acentuada e quase paralela ao eixo de tempo.
Assim, o décimo álbum deles, The Insulated World, é uma continuação natural de Arche e Dum Spiro Spero, ambos ótimos. Acontece que a estratégia de focar neste tipo de som - uma indefinível mistura de metal experimental, alternativo, progressivo, thrash, death e metalcore - é uma faca de dois gumes.
Por um lado, a banda se garante num terreno confortável: se os três discos anteriores foram bem recebidos pela crítica e pelos fãs, o que poderia dar errado com este, que reproduz a estética de seus antecessores?
Por outro lado, a característica principal do Dir en grey sempre foi justamente não ter característica nenhuma. As mudanças de um lançamento para o outro sempre eram gritantes (em alguns casos, literalmente), ainda mais para um conjunto que nunca mudou sua formação.
Assim, o que podemos constatar a esta altura da carreira deles é que eles continuam agradando, e muito, mas não surpreendem mais. Claro que ouvir faixas ótimas como "Keibetsu to Hajimari", "Devote My Life", "Downfall" e "Zetsuentai" pela primeira vez não deixa de ser uma experiência gratificante e inédita.
E vez ou outra até ouvimos algo bastante novo, como a introdução de "Rubbish Heap" e o instrumental de "Followers", sem falar nas regravações de "Kigan", "The Deeper Vileness" e "Wake", que "atualizam" músicas da década passada, quando o som da banda era bastante diferente.
Mesmo assim, a tendência parece ser que cada vez menos tenhamos o "fator 'uau!'" nos álbuns do Dir en grey. E olha que é difícil não ficar boquiaberto com o quanto esse quinteto soa bem: as linhas proeminentes do baixista Toshiya, os diálogos das guitarras de Kaoru e Die, a perícia de Shinya na bateria e, é claro, os vocais de Kyo, que são um charme à parte.
The Insulated World é um trabalho excelente e merecedor de todos os elogios dos fãs e da crítica - vide a nota que esta mesma resenha atribuiu lá em cima. Mas ouvir música sem refletir é uma tarefa feita pela metade. Até o mais apaixonado dos fãs não pode se furtar de admitir que a banda está caindo numa mesmice - uma mesmice boa, mas atípica para o grupo. Que os membros enjoem disso antes que os fãs...
Abaixo, o clipe de "Ningen wo Kaburu":
Track-list:
CD1
1. "Keibetsu to Hajimari"
2. "Devote My Life"
3. "Ningen wo Kaburu
4. "Celebrate Empty Howls"
5. "Utafumi"
6. "Rubbish Heap"
7. ""Aka"
8. "Values of Madness"
9. "Downfall"
10. "Followers"
11. "Keigaku no Yoku"
12. "Zetsuentai"
13. "Ranunculus"
CD2 da edição limitada de luxo
1. "Kigan"
2. "The Deeper Vileness"
3. "Wake"
4. "Fukai" (ao vivo)
5. "Ash" (ao vivo)
6. "Beautiful Dirt" (ao vivo)
Fonte: Sinfonia de Ideias
http://bit.ly/theinsulatedworld
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