Amora Pêra: Batucada iorubá psicodélica
Resenha - A Dúpé; Nós agradecemos em Iorubá - Amora Pêra
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 09 de agosto de 2018
Amora Pêra é filha de Gonzaguinha e da Frenética Sandra Pêra. Longe crer que talento seja geneticamente transmitido, mas ser neta do Rei do Baião e sobrinha de uma das atrizes mais respeitadas de sua geração proporcionou ambiente favorável para que tivesse acesso a manifestações culturais e desenvolvesse inclinações artísticas.
Integrante do trio Chicas, desde 1996, ano passado plantou carreira-solo com o álbum A Dúpé — Nós agradecemos em Iorubá. Em entrevista de 2011, Amora disse que seu nome frugal jamais lhe constrangeu. O máximo que acontecia eram chamarem-na de salada de fruta.
No país extremamente segregacionista, mas que adora projetar imagem de democracia cordial, A Dúpé utopicamente metaforiza a salada de frutas que gostaríamos que fosse a nação, onde um sabor completasse o outro e não houvesse um que sobrepujasse os demais. Xangô come Afrodite nesse universo sônico texturalmente rico de psicoodelia ioruba.
São quatorze faixas, onde spoken word é embalada por canto de cigarra (Amandla Is Nie Dood Nie) e poesia cercada por canto ritual indígena (Iláborigenis). Mas, não é só falação, há muita música boa e densa em A Dúpé.
A abertura Peço e Posso sintetiza o todo: abre etérea, mas logo vem batuque afro coexistindo com distorcidas guitarras de ácida psicodelia, que informa também o final de De Quem Vai. Por mais ioruba que essa superplugada (diria Tulipa Ruiz) geração urbanita se pretenda, a influência do Tio Sam é tentacular, daí o bilinguismo do indie rock Newsome e as letras em inglês na apenas vocálica e meio spiritual When I Die e no blues alternativo de Belong.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Fãs de MPB com letras de perscrutação emocional e interpretação dramática à "Atrás da Porta", delirarão com a belezura de Quem Encorajaria. Tá Na Cara é meio Marisa Monte anos 90, embalada por atabaques. Vê Lá Nunca Mais dá show de violão flamenco e Canto Cigano de Uma Noite já traz sua marca de nascimento no título. Mas, nada nunca é tão simples em É Dúpé. Esses estilos estão mixados com outros. Playground parece caixinha de música lúdica para criança, mas começa a experimentar, assim como o coro afro do lamento Lágrimas do Sul não é bem-comportado e subserviente. Ouça focando nas vozes ao fundo e veja como se rebelam em relação à principal. Ficou mais orgânica do que a original do algo ligado-no-piloto-automático álbum de Milton Nascimento, de 1985, de onde foi extraída.
Melada com a forte voz de Amora Pêra, que tem hora parece cantar sorrindo, essa salada de frutas é colorida e suculenta.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As 11 melhores bandas de rock progressivo dos EUA, segundo a Loudwire
Como Paulo Ricardo faz para evitar que suas músicas soem muito metal ou hard rock
Max Cavalera explica o que fez o Sepultura mudar o som em "Chaos A.D."
A música do Queen que Freddie Mercury considerava melhor que "Bohemian Rhapsody"
O projeto que é os "quatro tenores do rock", segundo Eric Martin
Nocturno Culto explica por que o Darkthrone nunca mais tocou ao vivo
A banda americana dos anos 1970 que é a maior influência da nova baterista do Rush
Edu Falaschi lamenta vazamento: "Qualidade horrível, o cara captou do jeito que pôde"
As 25 melhores bandas de todos os tempos, segundo a Classic Rock
O cantor que viu o Metallica ao vivo e achou que a banda não iria a lugar nenhum
Rush toca "A Farewell to Kings" pela primeira vez desde 1979
Como Mark Knopfler adaptou um defeito para escapar de tocar guitarra "do jeito errado"
Hellripper anuncia 4 shows no Brasil em turnê inédita para 2027
Os roqueiros da Seleção Brasileira na História das Copas do Mundo
Os melhores guitarristas da atualidade, segundo Regis Tadeu (inclui brasileiro)
O erro de português em "Astronauta de Mármore" que fez Nenhum de Nós ser massacrado
Os Trapalhões: uma homenagem ao Heavy Metal em 1985



Há 40 anos o Queen lançava "A Kind of Magic", álbum que marcou a despedida de Freddie dos palcos
Tarja Turunen: Frisson Noir - o álbum que os fãs sempre quiseram ouvir
Michael Jackson - "Thriller" é clássico. Mas é mesmo uma obra-prima?
Em 1977 o Pink Floyd convenceu-se de que poderia voltar a ousar

