Kiss: atirando com a arma do amor
Resenha - Love Gun - Kiss
Por Vitor Sobreira
Postado em 31 de julho de 2018
Lançado no dia 30 de junho de 1977, pela Casablanca Records, o sexto álbum de estúdio do Kiss, ‘Love Gun’, chegou ao mercado fonográfico apenas sete meses após ‘Rock n Roll Over’, mostrando que os quatro "maquiados" de Nova York estavam mais quentes do que nunca, e claro, no auge de suas carreiras.
A começar pela estonteante obra de capa, assinada pelo artista Ken Kelly – que já havia trabalhado com a banda em ‘Destroyer’, e sendo bastante conhecido por suas ilustrações épicas – ‘Love Gun’ seria o último registro do Kiss gravado inteiramente com a formação aclamada por muitos como "clássica", bem como também o trabalho onde cada um dos quatro cantou separadamente em ao menos uma música (no caso de Peter Criss e Ace Frehley).
Com as músicas bem divididas entre Gene e Paul – tanto no aspecto de composição, quanto em relação às vocalizações -, ‘Love Gun’ começa bastante animado (e ora bolas, pegando fogo!) com "I Stole Your Love", cantada e escrita por Paul Stanley, esbanjando energia. Simplesmente uma das minhas favoritas da banda nesse período! Por sua vez, o ‘mercenário’ Gene Simmons entra em cena com "Christine Sixteen", que conta com bem encaixadas notas de piano – supostamente tocadas pelo produtor Eddie Kramer – em outro Rock alucinante. O linguarudo mantém o clima inquebrantável com ‘Got Love for Sale’.
O certificado de Platina Tripla foi bem mais do que merecido, e o bom resultado nos rankings de cinco países (#2 – Japão, #3 – Canadá, #4 – EUA, #6 – Suécia e #18 – Alemanha), não deixa de comprovar a força do álbum. O mesmo, por sua vez, segue com Ace Frehley se arriscando – e se saindo bem – nos vocais de "Shock Me", onde conta sobre um acidente que aconteceu com ele, tempos atrás. Paul Stanley retorna em "Tomorrow and Tonight", que serve de escada para a fortíssima faixa título "Love Gun" – pode soar clichê escrever isso, mas duvido que você não deixará de cantarolar junto o refrão! – onde o mesmo ‘Starchild’ também tocou baixo.
Finalmente chega a vez de Peter Criss assumir o vocal principal em "Hooligan". Creio que na época surpreendeu bastante, pois não se tratava de uma balada, como a ótima "Hard Luck Woman" (do supracitado disco anterior) e "Beth", presente em ‘Destroyer’, e sim um Hard pra ninguém botar defeito. "Almost Human" começa meio soturna com direito a uma batida de gongo e segue com uma levada sensual, e quem sabe com algumas pitadas de Black Music (tão em moda naqueles tempos).
Em um ecossistema totalmente "Sexo, Drogas e Rock’n’Roll" da banda (já que o Gene afirmou nunca ter bebido ou usado drogas, para quebrar o galho dele, eu acrescentaria "Dinheiro" nessa máxima), não poderia de ter breve um causo sobre groupies, e a homenageada foi Cynthia Plaster Caster, que para encurtar a missa, fazia moldes em gesso, do falo de músicos famosos. Um prato cheio para o Kiss! Deixando a perversão de lado, o encerramento nos leva a uma versão para a ‘romântica’ "Then She Kissed Me", conduzida por Paul, do grupo feminino The Crystals, gravada originalmente em 1963, e tendo sido regravada por outros artistas logo em seguida.
Longos 41 anos já se passaram, e ‘Love Gun’ permanece intocável, atraente e mostrando como o Hard Rock – ou se preferir: Rock’n’Roll, Rock Pesado… – deve soar: com qualidade, energia, empolgação e transmitindo igualmente aquela vontade de se divertir. Não deixe de incluir o Kiss nessa trilha sonora da vida!
Formação:
Gene Simmons (vocal, baixo e backing vocal)
Paul Stanley (vocal, guitarra e baixo em "Love Gun")
Ace Frehley (guitarra, vocal e backing vocal)
Peter Criss (bateria, vocal e backing vocal)
Faixas:
01. I Stole Your Love
02. Cristine Sixteen
03. Got Love for Sale
04. Shock Me
05. Tomorrow and Tonight
06. Love Gun
07. Hooligan
08. Almost Human
09. Plaster Caster
10. Then She Kissed Me.
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