Dimmu Borgir: Mudar ou manter a sonoridade no conforto das raízes?
Resenha - Eonian - Dimmu Borgir
Por Carlos Cesare
Postado em 10 de maio de 2018
Nota: 8 ![]()
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Mudar ou manter a sonoridade sempre no conforto de suas raízes? Tal questão pode ser muito pertinente quando a banda é aclamada por uma legião de fãs e, principalmente, icônica de determinado estilo. O Dimmu Borgir é um desses casos dentro do subgênero "black metal sinfônico" (ou seja lá qual outro termo utilizemos para definir essa mistura de metal extremo com orquestrações, vocalizações operísticas e outros elementos similares), tendo obtido respeito ao longo de mais de duas décadas de estrada e 10 álbuns de estúdio. O fato de ter consolidado seu nome dentre as grandes bandas da atualidade não livrou a banda de Shagrath, Silenoz e Galder (acrescidos de Daray e Gerlioz na formação atual) de críticas; pelo contrário, as acusações de que a banda estaria se desviando de suas origens, ficando mais comercial, deixando o peso de lado, dentre outros argumentos, apenas se multiplicaram desde o lançamento de Death Cult Armageddon (2003), álbum que elevou o nome da banda a mercados nunca antes alcançados, como o estadunidense.
Claro que mudanças muito bruscas podem ser consideradas indesejáveis por muitos fãs, mas afirmar que determinada banda ficou ruim não necessariamente pela qualidade do seu trabalho, mas apenas por não se encaixar em suas preferências musicais, é uma postura injusta e em muitos casos infantil. Eonian, o trabalho oito anos após o último álbum de inéditas da banda (o mediano Abradahabra) é o típico trabalho que está gerando uma avalanche de "análises" do tipo internet afora. Mas será que o álbum é de fato tão fraco?
Uma coisa é certa: ao escutar Eonian você deve ter em mente que o Dimmu Borgir não é mais (ao menos aqui neste episódio de sua discografia) uma banda necessariamente de black metal. Ainda há elementos antigos, mas muito mais dissolvidos na variada mistura de elementos que a banda apresenta aqui. Os fãs de álbuns como "For all Tid" e "Puritanical Euphoric Misantrophia" (álbuns que são frequentemente mencionados como pertencentes à fase clássica da banda, mesmo tão diferentes entre si) não encontrarão muitas semelhanças, mas provavelmente ficarão satisfeitos se aproveitarem a sonoridade sem se prenderem ao saudosismo ortodoxo. Aliás, mesmo uma análise dos últimos trabalhos da banda parece apontar que o caminho trilhado pelo grupo norueguês chegaria ao que escutamos em Eonian: desde In Sorte Diaboli (2007) o Dimmu Borgir não somente ficava mais melódico, como também mais sinfônico e sem o "pé no acelerador". Abradahabra acentuava essa transição, apesar de em muitos momentos a fusão de elementos distintos ter gerado passagens confusas e pouco inspiradas. Eonian pode ser interpretado como a etapa definitiva desta transição, pois vemos o distanciamento de elementos mais "originais" da banda (como o black metal em si) e a maximização dos elementos que vinham ganhando mais espaço na sonoridade (como os corais, que são extremamente frequentes neste álbum).
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O tracklist conta com 10 músicas. The Unveiling abre a audição, com passagens pesadas e um teclado que em alguns momentos nos faz lembrar bandas como Cradle of Filth e Graveworm, e corais permeando o refrão, já preparando o ouvinte para a atmosfera épica que marca este álbum. A faixa seguinte, Interdimensional Summit, já era conhecida há alguns meses graças ao single lançado e, sinceramente, é de fato um momento enfadonho do novo trabalho. Apesar das interessantes passagens melódicas de guitarra, o refrão não ajuda e um outro problema que permeará este álbum aparece: passagens extremamente desinteressantes de teclado, que com razão causarão saudades nos fãs do tecladista Mustis, que esteve na banda até 2012 e era um tecladista virtuoso. Aetheric traz um pouco do Dimmu Borgir "antigo", com bateria veloz e orquestrações atmosféricas, além dos vocais de Shagrath, muito precisos. Concil of Wolves and Snakes, outra faixa já conhecida devido ao clipe divulgado há algumas semanas, apresenta um andamento arrastado e percussões bastante destacadas, em muitos momentos parecendo um ritual, quebrado apenas pelos blast beats e corais.
The Empyrean Phoenix é mais uma faixa na qual a banda traz um pouco da roupagem antigo, mesclando muito bem com as orquestrações e corais, ambas bem apoteóticas. Lightbringer segue o mesmo esquema, com ótima presença das guitarras. A sétima faixa, I Am Sovereign, é possivelmente a segunda faixa mais marcante em uma primeira audição, graças às excelentes variações de ritmo e coesão entre guitarras, bateria e orquestra. Archaic Correspondence segue mantendo boas passagens, apesar de o teclado pouco inspirado tirar seu brilho. Alpha Aeon Omega é uma séria candidata a faixa mais marcante: seu início orquestrado, seguido de uma bateria veloz e bons riffs, somado aos corais ora épicos, ora atmosféricos, sintetiza muito bem esse "novo" Dimmu Borgir. Encerrando a audição, temos a instrumental Rite of Passage, uma boa faixa que em alguns momentos lembra a igualmente instrumental Perfection of Vanity, do Puritanical Euphoric Misantrophia.
A audição mostra uma banda que não temeu enveredar por novos caminhos; os acertos são mais perceptíveis que os erros, afinal é um bom álbum, mas não perfeito. Portanto, temos em Eonian um Dimmu Borgir cada vez menos preso ao passado, mas ainda assim com qualidade, que fica ainda mais perceptível se comparado ao anterior Abradahabra, cujo resultado final fez muita gente torcer o nariz, mas por ser um álbum no qual a inclusão de elementos sinfônicos foi um tanto inconstante. Claro que Eonian fará muitos outros torcerem o nariz, mas acredito que os que tomarão tão atitude o farão mais por não aceitarem que a banda mudou sua proposta do que por uma justa análise livre de (pré)conceitos sonoros.
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